quinta-feira, 21 de maio de 2015

UM POR TODOS...


UM POR TODOS...


Lembra-se do famoso lema dos mosqueteiros: “Um por todos e todos por um”? A história é um romance do francês Alexandre Dumas. Foi primeiramente publicado como folhetim e posteriormente em livro em 1844. O romance se dá no contexto dos reinados de Luís XIII e Luís XIV. Embora o título seja os três mosqueteiros, eles, na verdade, eram quatro: Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan. Mas o que isso tem a ver com unidade e comunhão?

Toda instituição, quer seja religiosa ou não, deveria levar muito a sério o lema dos mosqueteiros. Logicamente, onde houver seres humanos com suas complexidades e idiossincrasias haverá divergências. É importante não confundir divergências com insurgências ou insubmissão. Na história da Igreja houve muitas divergências. Os apóstolos também tinham opiniões diferentes, lembra-se da repreensão de Paulo a Pedro em Gálatas 2.11-14? Os reformadores não concordavam em tudo. Os puritanos muito menos. Um por todos e todos por um não rouba nossa individualidade e livre pensamento. Os três mosqueteiros não concordavam em tudo. Não precisamos concordar em tudo com todos. Mas precisamos nos respeitar e procurar o melhor para o Reino de Deus e não para nosso reino eclesiástico pessoal.

Jesus expressou, em certo sentido, o mesmo princípio em João 17.21: “Para que todos sejam um”. Ser “um” não significa independência ou arrogância comunitária; significa comunhão de propósitos: “...como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós”. Somente vivendo assim, em unidade, em comunhão, entendendo cada individualidade é que cumpriremos o restante do versículo: “para que o mundo creia que tu me enviaste”. É difícil? Lógico que é! Mas, como lembra Tomás de Kempis: “Estejamos prontos a morrer valentemente em batalha, e não denegrir nossa glória, fugindo da cruz”.

O lema dos mosqueteiros lembra, para mim, três princípios importantes para que se mantenha a unidade; o propósito que os uniam. São estes:

1. Unidade no pensamento. Quando eles recitavam o lema, estavam querendo dizer: apesar de toda batalha, de toda luta e dos riscos que vamos enfrentar, nunca esqueçamos que precisamos nos manter vivos.

2. Unidade na preservação. Recitando o lema, talvez, eles estivessem também dizendo: Eu defendo sua vida e você defende a minha. Conto com você. Confio em você. Unidos viveremos, sozinhos morreremos, não importa quão bons espadachins sejamos.

3. Unidade na fidelidade. Também poderiam estar dizendo: se um tombar no campo de batalha os outros continuaram até o fim. Temos que ser fiéis ao soberano que conta conosco.

Os mosqueteiros tinham que ser fiéis ao rei. E nós, temos sido fiéis ao Rei dos reis mantendo o princípio do “todos sejam um”? Lembro-me das palavras de Ulrico Zuinglio: “Não tenham medo, meus amigos! Deus está do nosso lado, e protegerá os que são seus. Vocês de fato realizaram algo grandioso e encontrarão oposição por causa da pura Palavra de Deus, sobre a qual apenas alguns se importam de pensar. Vão em frente, em nome de Deus!”. Mais do que nunca precisamos encarnar a proposta do “um por todos e todos por um”, do contrário, nosso lema será: “Cada um por si e Deus triste com todos”. 


Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)


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