terça-feira, 7 de julho de 2015

RECORDAR É VIVER! OU É MORRER?


RECORDAR É VIVER! OU É MORRER?


“Recordar é viver, diz o velho ditado, recordar é sofrer, saudade do passado”, assim começa a música antiga do compositor Freire Júnior, cantada por Carlos José, cantor paulista nascido em 1934. Aliás, música antiga é modo de falar. Letras boas, profundas, nunca perdem a beleza, a poesia. Muito diferente dos lepo-lepos de hoje.  

Nessa música se diz que recordar é viver e é sofrer. Dependendo das lembranças ele tem toda razão. A palavra “cor” (ou cordis), de origem latina, significa “coração”. Ela está presente em várias palavras conhecidas como: concordar (com o coração), ou seja, quando alguém concorda com o outro é porque seus corações estão em um mesmo propósito, unidos. O inverso também. Quando discordamos significa que os corações estão separados – “dis” (separar) e “cordis” (coração). Várias palavras tem essa raiz: coragem, saber de cor, etc. 

Recordar, portanto, é passar de novo pelo coração.  Embora saibamos que tudo passa pela mente, o coração foi considerado, e ainda é, a sede da memória, das emoções – alguns povos antigos também consideravam o fígado ou o rim. E, quando passamos algo pelo coração é porque ou foram momentos felizes ou alguma tragédia inesquecível. De todas as formas é olhar para o passado. Para aquilo que ficou para trás e que, de certa forma, nos marcou. Nunca recordaremos algo que ainda não aconteceu.

As nossas lembranças podem ter cheiro de vida ou de morte. Você pode recordar para viver ou morrer. A escolha é sua. Pessoas presas a momentos trágicos do passado possivelmente poderão ficar com a alma abatida para sempre. O profeta Jeremias sabia disso muito bem. Em Lamentações de Jeremias ele disse: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). Ele nos convida a olhar para as coisas boas do passado para que tenhamos a fé renovada para o amanhã.

Na vida, quer queiramos quer não, temos muito o que recordar. Como disse Jeremias, que sejam sempre as coisas que nos deem esperança, que nos façam caminhar e não estacionar na caminhada da existência. Não é porque o dia está nublado que o sol deixou de existir. Olhe para frente, cada amanhã trará novas possibilidades de sermos felizes. Você já sabe isso de cor... 


Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

Nenhum comentário:

Postar um comentário