sexta-feira, 24 de julho de 2015

SOMOS TODOS FEITOS DE BARRO...



SOMOS TODOS FEITOS DE BARRO


Muita gente tem uma ideia errada da humanidade de Jesus. Acham que ele era um tipo de super-homem. Alguém que não podia sentir dores, cansaços, tristezas, angústias, indignações e aflições. Nada mais diferente do que vemos nas páginas do Novo Testamento (Mc 10.14; Jo 11.35; Mt 26.37-38). Pior ainda é o erro que se tem da sua própria humanidade. Muitos cristãos advogam um triunfalismo exagerado onde a dor, decepções, angústias, crises e problemas não podem acontecer em hipótese alguma.

Em alguns lugares não se pode falar de fraquezas e fragilidades inerentes da condição humana. Só se pode falar de bênçãos e vitórias, como se isso fosse a regra e não a exceção. Jesus, no entanto, não fingia sentimentos, Ele disse em certa ocasião: “...A minha alma está sofrendo dor extre­ma, uma tristeza mortal. Permanecei aqui e vigiai junto a mim” (Mt 26.38 – KJV). Será que quando alguém lhe pergunta como está você já disse algo parecido?

Cristãos que vivem de triunfalismos de domingo à noite não conhece de fato o Evangelho de Cristo. Essa espiritualidade dominical que não se sustenta no dia seguinte gera frustrações, tristezas e angústias que, muitas vezes, têm que ser abafadas e ignoradas na solidão de seu quarto até o fim de semana seguinte. Não precisamos fingir que somos sempre fortes. Cristo não o fez. E por que fazemos?

Hoje parece até pecado falar das fraquezas, como assim fazia o apóstolo Paulo, que entendia que a Graça de Deus se aperfeiçoa nas fraquezas inerentes do ser (2Co 12:7-10). Ou como numa música de Anderson Freire, cantada por Bruna Karla: “Sou humano, não consigo ser perfeito...” Graças a Deus que somos humanos, feitos de barro, apesar de que muitos se consideram de ouro. “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós mesmos” (2Co 4.7). Somos todos feitos de barro...

O que dizer dos líderes cristãos de hoje? Muitos tentam ser o que, de fato, não são. Alguns se acham superpoderosos, perfeitos, acima da humanidade. Não aceitam sua própria condição humana. Acham-se blindados, invulneráveis. Alguns acham que nem adoecer podem...

Muitos que advogam uma condição sobre-humana, irrealizável e impossível, vivem com a alma cheia de culpa, medo e dúvidas, simplesmente por negar aquilo que é óbvio: somos seres humanos, sujeitos a tudo debaixo do sol. Lembre-se do que disse o próprio Jesus: “...Neste mundo tereis aflições” (João 16.33b). É um fato! Contudo, Ele continua: “Mas, tendes bom ânimo!”. Aflições, tribulações, problemas, sempre virão. Mas podemos suportá-los porque: “...não temos um sumo sacerdote que não seja capaz de compadecer-se das nossas fraquezas...” (Hb 4.15).

É uma desgraça ser, ou querer ser, um super-herói. Bom mesmo é reconhecer suas limitações, imperfeições e fraquezas. O apóstolo Paulo entendeu isso muito bem. Ele não queria ser visto como alguém inviolável, perfeito em todas as coisas, um ser sobre-humano, um superapóstolo, como alguns hoje se julgam (2Co 12.6, 10). Textos como esse nunca serão pregados em muitos púlpitos modernos. Sentir-se fraco não traz ibope hoje em dia. Paulo, entretanto, sabia que: “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (2Co 10.17). Infelizmente muitos gostam de ser adorados...

Se o próprio Cristo não negou nem fingiu sua humanidade, devemos fazer diferente? Somos melhores que Ele? Como nos lembra o filósofo Mário Sérgio Cortella: “A maior vulnerabilidade é sentir-se invulnerável”. Ou como disse Freud: “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.


Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

Um comentário:

  1. Pastor Antônio, texto precioso! Parabéns!! Obrigada por compartilhar com todos. Edificante!! Somo todos vasos de barro, como diz nas Escrituras, e o senhor escreveu acima...
    ____________“Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal”.

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