quinta-feira, 12 de março de 2015

OS IDIOTAS DE CRISTO


OS IDIOTAS DE CRISTO

“E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o, e trazei-o. E, se alguém vos disser: por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui”.
 Marcos 11:2-3

Muitos líderes, hoje em dia, tem colocado sobre si uma áurea de espiritualidade tão grande quanto a soberba deles. Alguns colocam-se em pedestais quase intransponíveis. São pessoas que gostam dos primeiros lugares; das ovações de crente idólatras; de pavoneamento sem fim para deleite de um grupo religioso que quanto maior, melhor. Acham-se até participantes de uma classe "especial" de ungidos, diferente dos outros menos abastados colegas de ministério.
As palavras do apóstolo Paulo em 2Coríntios 11.30-31 soam quase como uma blasfêmia. Ele disse: Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”. Quem já viu se gloriar em fraquezas? No mundo gospel atual isso é inconcebível. Um pastor é um “homem de Deus”; um ser superpoderoso; um “ungido” que vai solucionar todos os seus problemas; alguém que só conta vitórias e feitos extraordinários – pelo menos é isso que muitos pensam.
Contudo, creio que Deus escolhe os mais improváveis e indignos para serem pastores. Os incapacitados de si mesmo para serem capacitados por Ele. Ele escolhe não os “melhores”, mas geralmente os indignos.
Deus ama usar aqueles que são considerados despreparados e desprezíveis. Ele não está atrás, necessariamente, de pessoas de boa aparência; ou de boa oratória (eloquência não faz o pregador); ou aquele que tem muito dinheiro; ou o que tem muitos talentos; pelo contrário, Paulo vai dizer o seguinte: Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele”. 1Coríntios 1.26-29
Para alguns, ser um simples pastor de almas já não dá muito status. Alguns já nem querem mais esse título, preferem algo maior, grandioso, que chame mais a atenção. Que traga holofotes sobre si. Que impressionem os "crentes" deste século ávidos por novidades.
Alguns se intitulam de apóstolo, iluminado, ungido com uma unção especial, paipóstolo – porque apóstolo já está ficando sem graça. O que virá depois? Seria: "pascanjo" (uma mistura de pastor e arcanjo); "apostobin" (uma mistura de apóstolo e querubim)? Não foi isso que aprendemos dos verdadeiros servos de Deus. Por exemplo:
– Moisés alegava não ser digno, pois nem sequer sabia falar.
– Isaías se achava muito impuro.
– Amós, apenas um boieiro.
– João, não se achava digno de amarrar as alparcas do Senhor.
– Lutero, se referia a si próprio como um “saco de vermes”.
Verifica-se sempre na vida dos verdadeiros homens de Deus a questão da humildade, uma palavra pouco praticada na vida de muitos líderes. Sundar Singh, o chamado "apóstolo dos pés sangrentos", contou certa vez uma história:
Um lixeiro converteu-se ao Cristianismo, tornou-se testemunha de seu Salvador. Quem o ouvia, comentava: "Este homem possui algo que ainda não temos". Um transeunte, certa vez, perguntou: "Por que ouvem com tanto respeito um lixeiro?" Ele mesmo respondeu: "Quando meu Salvador ia para Jerusalém montado num jumento, o povo trouxe capas e as colocou sob seus pés. Não sob os pés de Cristo, mas sob as patas do jumento. Por que fazer isso a um animal? 
É que nele vinha montado o Rei dos reis, Senhor dos senhores. Desde o momento em que Cristo o deixou, ninguém nunca mais pensou naquele jumento: Foi honrado somente enquanto Cristo o cavalgou”. Que assim seja em nossas vidas!
Em Atos 4.13 diz o seguinte: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”.
A palavra grega para “incultos” é “idiótes” que significa, aqui, “sem instrução”; “simples cidadão”; “homem do povo”. Mário Sérgio Cortella no livro: “Política para não ser idiota”, lembra que a palavra grega “idiótes” significa aquele que só vive a vida privada, que recusa se envolver com a vida política. Ela é a origem da palavra “idiota”. Percebe? Não como nós a usamos hoje, de forma pejorativa, como alguém sem razão ou inteligência, um estúpido.
Então, Pedro e João foram chamados de idiotas. Os idiotas de Cristo. Nesse sentido eu também quero ser chamado de idiota, você não? Aqueles que vivem no meio do povo simples. Não nos palácios dos reis e imperadores deste mundo pecaminoso. Mas o que importava não era o título, aqueles homens haviam estado com Jesus e foi isso que fez a diferença na vida deles. Cristo é aquele que trabalha com os “idiótes” para fazê-los vasos de honra. Lembra-se do jumentinho?
Você foi chamado de idiota por seguir a Cristo ou coisa parecida? O que fazer? Passe tempo com Jesus, aos seus pés, recebendo as instruções para a vida eterna e ele transformará tua alma e tua vida para sempre. Não busque títulos pomposos pra tua vida, queira apenas estar com Jesus, no fim das contas “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (Lc 10.42) Escolha, pois, a melhor parte. Toda honra e toda glória, somente a Deus pertence (Is 42.8.
Não importa quão pequenino você pareça ser, o importante é o Cristo gigantesco que você leva dentro de si, na tua vida, na tua família e na tua igreja. Mesmo que alguém diga que você é um idiota, não reclame, chamaram assim também com Pedro. “Idiota de Cristo”, eis um título interessante que os pregadores de hoje não querem ter.

E POR FALAR EM JUMENTO...

Conta-se que certa vez um pastor local (poderia ser um seminarista, um presbítero, um diácono, um músico etc), muito orgulhoso e cheio de si, ouviu dizer que um grande pregador estava visitando sua cidade, logo, aprontou-se e foi visitá-lo.
Chegando lá, começou a dizer:
amado pastor fulano de tal, eu sou um dos pastores dessa cidade, mas não um pastor qualquer, eu sou o melhor pastor da região. Aqui, sou muito importante. Todos me bajulam, até mesmo as autoridades locais. E creio que Deus precisa muito de mim na sua obra. Eu conheço o hebraico e o grego fluentemente; sei de passagens bíblicas decoradas; tenho vários títulos teológicos; tenho a maior igreja da cidade, enfim, como disse: Deus precisa muito de mim.
O grande pregador só fazia escutá-lo com a paciência de Jó. Após refletir nas palavras do arrogante pastor, disse sabiamente:

Sabe filho, a única vez que Jesus disse que precisava de alguém, esse alguém foi um jumento (Mc 11.2-3).

Paulo estava certo quando disse: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém...”. (Romanos 12:3). Entendeu idiota?

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER  
(Somente a Deus damos a Glória, agora e sempre)


Pr. Antônio Pereira Júnior
oapologista@yahoo.com.br