sexta-feira, 15 de abril de 2016

DEPOIS DO PRANTO, ME APRONTO, ME APRUMO.




DEPOIS DO PRANTO, ME APRONTO, ME APRUMO.


Já chorou hoje? Essa semana? Ou você é daqueles que não choram com facilidade? Eu sei, confessar que se chora não é muito animador porque denota, para alguns, reconhecer sua fraqueza e fragilidade. Mas às vezes é inevitável. Mesmo sem querer vem aquele nó na garganta. Aquela vontade de molhar os olhos de dentro para fora. Não é assim?

Choramos pelas mais variadas razões: quando estamos alegres, tristes, com dor ou raiva. Choramos quando estamos apaixonados ou com saudades. As razões são as mais diversas. E as vezes choramos sem razão alguma. É apenas a alma querendo algum alívio. O que pouca gente sabe é que sempre produzimos lágrimas que servem para lubrificar os olhos. Elas existem para que possamos enxergar melhor. Não é uma boa metáfora para a vida? Só enxerga melhor aquele que passa pelas tempestades da vida, que sabem o que é chorar. Afinal, o céu fica mais lindo depois de um temporal.  

Quem chora não quer explicações científicas, quer só ficar no seu canto esperando que por algum encanto um sorriso logo apareça. Choramos porque choramos e daí? O choro é o escape da alma. É bom chorar, e se for de alegria, melhor ainda. Somos náufragos no oceano das lágrimas, como disse Cecília Meireles:

“O choro vem perto dos olhos para que a dor transborde e caia.
O choro vem quase chorando, como a onda que toca na praia.
Descem dos céus ordens augustas e o mar leva a onda para o centro.
O choro foge sem vestígios, mas deixando náufragos dentro!”

Como náufragos no mar de nossos sentimentos muitas vezes nos sentimos sós, abandonados. No alto-mar de nossas dores e angústias parece que somos as únicas criaturas da terra que não tem alegria. É preciso entender que as tempestades são inevitáveis! Mas, não duram para sempre. Já escrevi em outro texto que nos dias de chuva o sol não deixa de existir, nossos olhos é que não conseguem, por enquanto, ver além.

O que me consola é saber que aquele que é Soberano, Deus e Senhor soube o que era chorar. No verso mais curto do Novo Testamento está a declaração que nos consola: Jesus chorou” (João 11.35). O Mestre dos mestres, como homem mostrou-se sensível às dores dos outros. Chorou diante da morte de um amigo querido. Chorou mostrando sua humanidade, que não era um super-homem como muitos líderes hoje querem se mostrar. Chorou para que todos nós saibamos que faz parte da vida chorar.

Se eu choro é sinal que estou vivo, e se estou vivo toda lágrima pode converter-se em riso. Paulo sabia que apesar de todas as lágrimas que derramamos, não estamos sós. Deus é o Deus de toda consolação (II Coríntios 1.3-4). Ou como diz o salmista: “... O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30.5). Só quem sabe chorar aos pés de Jesus pode escutar: “A tua fé te salvou. Vai em paz” (Lucas 7.36-50).

Chore muito, mas não fique chorando para sempre. Ter um período de luto faz bem para a alma. No entanto, não se deve ficar assim para sempre. Se isso acontece, vira-se depressão. E você começa a morrer também. Acredito sim que tem angústia que só sai pela via das lágrimas. Não dá pra guardar dentro do peito. Isso adoece a alma. Mas lembre-se: “Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas” (Rabindranath Tagore).

Jesus chorou... Ainda bem!

As lágrimas sempre nos acompanham. Quando nascemos, choramos; quando morremos, outros choram por nós. Mas eu sou duro na queda. Não vou chorar hoje...

Onde está mesmo aquele lenço que escondi?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

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