segunda-feira, 27 de junho de 2016

É PROIBIDO PENSAR?



É PROIBIDO PENSAR?



“Todo evangélico é alienado e idiota”; “todo crente é imbecil”; “todo cristão é ignorante” – pelo menos é isso que muita gente pensa. Quantas frases como essas eu já escutei durante minha vida. As pessoas dizem as coisas mais absurdas sem o mínimo de bom senso. Será que todo evangélico é um ser que não pensa? Logicamente que não. Nem todo religioso é ignorante por ser religioso, como também, nem todo que se julga racional é inteligente de fato. Não podemos generalizar. Como disse certa vez o filósofo Mário Sérgio Cortella: “Religião não é coisa de gente tonta. Religião é coisa de gente, só que tem gente tonta em todo lugar”. 

Mas, precisamos dar a mão à palmatória. Muitos, não todos, se comportam como se fosse realmente proibido pensar. E, nesses casos, as acusações são verdadeiras. Muitos cristãos são zelosos em sua fé, sinceros em sua prática, mas falta-lhes o entendimento. Muitos têm zelo sem conhecimento e outros, conhecimento sem zelo. Não é uma escolha, uma opção de este ou aquele, é preciso ter ambos. John Stott no livro “Crer é também pensar”, diz o seguinte: “Dou graças a Deus pelo zelo. Que jamais o conhecimento sem zelo tome o lugar do zelo sem conhecimento! O propósito de Deus inclui os dois: o zelo dirigido pelo conhecimento, e o conhecimento inflamado pelo zelo”.

Crer é também pensar. O cristão não precisa esconder sua razão e inteligência quando tratar de coisas relativas à sua crença. Muitos têm a fé como algo mítico ou um salto no escuro. Alguns comparam a história cristã com fábulas infantis. A fé cristã não está fundamentada em mitos e histórias fantasiosas. São fatos históricos, arqueológicos, antropológicos, geográficos e racionais.

No outro polo estão aqueles que se deixam levar por qualquer vento de doutrina, que não têm alicerçado sua fé na Rocha que é Cristo. O cantor João Alexandre numa música chamada “É proibido pensar”, expressa bem esse tipo de cristão. Para ele, são pessoas que estão sempre em busca de alguém para resolver seus problemas e que precisam se encaixar no sistema gospel atual. Buscam sempre as variações de um mesmo tema no afã de solucionar suas angústias existenciais. Nessas meras repetições. Buscam extravagantes “profetas”, querem reconstruir o que Jesus derrubou, misturando ritos judaicos com a Graça de Cristo ou nas palavras do hino: “ressuscitando a lei, pisando na graça”. Pessoas negociando com Deus para obtenção de bênçãos; buscando apenas o show da fé e milagres extraordinários. Devotam culto aos pastores e apóstolos que parecem clones do “líder-papa” imitando até mesmo o jeito de falar e suas expressões corporais. Ou seguem a mais um líder importado que dita as regras para escravizar os incautos. 

A boa notícia é que você não precisa ser como diz a letra da canção. Muitos cristãos na história deram provas cabais de que a inteligência não precisa estar divorciada da fé. Crer e pensar é definitivamente possível. Basta olharmos grandes personagens cristãos que, como disse Agostinho de Hipona (354-430), no sermão 43: “eu creio para compreender e compreendo para crer melhor” (intellige ut credas, crede ut intelligas). Homens como Jonathan Edwards (considerado um dos maiores pensadores dos EUA); Martin Luther King Jr (o mais jovem a conquistar um prêmio Nobel da paz); William Wilbeforce (foi membro do parlamento Britânico e que militou por 30 anos contra o tráfico negreiro e abolição da escravatura); Robert Boyle (considerado o fundador da química moderna), o inglês Isaac Newton (um dos maiores gênios da História); o apologista e filósofo contemporâneo William Lane Craig (já debateu com grandes ateus da atualidade); isso só pra citar alguns. A lista é imensa. 

Alguém com conhecimento sem Graça vira legalista e alguém com Graça sem conhecimento vira um fanático. Para os líderes em geral existe uma séria advertência na Palavra de Deus: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim...” Oséias 4.6. 

Existem evangélicos burros, políticos corruptos, padres pedófilos e pastores ladrões. Mas, nem todo evangélico é burro, nem todo político é corrupto, nem todo padre é pedófilo, nem todo pastor é ladrão, portanto, cuidado com as generalizações. 



Pr. Antônio Pereira Jr.

(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

segunda-feira, 13 de junho de 2016

É FORTE...


É FORTE...

Muitos cristãos se impressionam com qualquer coisa. Os modismos evangélicos são como ondas na praia, vem e vão e não produzem nada de extraordinário. Por mais de duas décadas envolvido nesse meio pude perceber que grande parte dos clichês gospels são como um “abracadabra” que os mágicos antigos usavam para ludibriar os incautos. Ou a senha “abre-te sésamo” que Ali-Babá utilizava em “As Mil e uma Noites” para abrir a porta automaticamente do esconderijo do tesouro que os 40 ladrões roubavam. O grande problema é que os 40 se multiplicaram em milhares.

Quando um pregador cita algumas palavras, parece que o raciocínio dos fieis fica embotado. E o que este disser a partir da palavra-senha, será quase que a voz do próprio Deus falando. Como se fosse proibido pensar. Deixe-me ser mais claro. Houve época que a palavra mais citada era “tremendo”. O culto é “tremendo”; a revelação agora é “tremenda”; louvor “tremendo”, etc.

Outro tempo a palavra-senha foi “Deus purinho”. Quando o que se falava era “Deus purinho” não se questionava mais nada. Mesmo que o que se dizia não tinha nada de Deus e muito menos de puro. Outra palavra-frase muito dita, inclusive ainda hoje, é: “coisa grande”. Isso é grande, e o que se escuta depois, geralmente enfeitado com algum arrepio ou emoção alterada, também não tem nada de grande, é só mais uma “coisa”.

Esses clichês são utilizados em vários momentos e nas mais variadas denominações para produzir, em muitos casos, um clima de espiritualidade aparente. Verdadeiro pavoneamento do suposto profeta. Em tempos recentes, em alguns grupos, a palavra-chave agora é “forte”. Culto “forte”; oração “forte”; pregação “forte”. Isso e aquilo é muito “forte” igreja – é o que dizem. Pastor “forte”; profeta “forte”; missionário “forte”. São os halterofilistas da fé. Paulo, ao contrário, se gloriava nas fraquezas (2Coríntios 12.9).

Alguns, para justificar certa autoridade e espiritualidade, pregam aos berros, como se o grito fosse transformar heresia em verdade. Dizer mentiras aos berros não a torna mais crível. Gritar não vai fazer com que a heresia dita se transforme em verdade. Uma heresia será sempre uma heresia, seja dita em qualquer tom.

Saiba: não é proibido pensar. Não me leve a mal. Digo isso com tristeza no coração por ver o povo de Deus sendo enganado com discursos rasos e cheios de promessas vãs que não tem nada a ver com o evangelho de Jesus. Nenhuma dessas coisas se encontra nos lábios do Senhor e muito menos na boca dos apóstolos da Igreja primitiva.

Que saudade dos crentes bereanos que examinavam as Escrituras mesmo ouvindo um baluarte da fé como o apóstolo Paulo: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, porquanto, receberam a mensagem com vívido interesse, e dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras, com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade” (Atos 17.11). Estes eram mais nobres porque examinavam as Escrituras e não se impressionavam com qualquer oratória. Leia a Palavra e não se deixe enganar.

O apóstolo Pedro também advertiu que nos últimos tempos: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias...” (2Pedro 2.1-3). Percebe? O apóstolo Pedro adverte sobre essas pessoas cuja única finalidade é arrancar dinheiro dos fiéis. Portanto, já estamos todos avisados.

Pare e pense enquanto você pode. Tremendo (e não soberbo) ficou Isaías, e todo aquele que reconhece a grandeza do Eterno, ao se ter a visão daquele que é Santo, Santo, Santo. Grande é Cristo que foi crucificado, morto e sepultado por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para a nossa justificação. Forte é o nosso Deus em cuja presença só podemos nos humilhar, o adorar, chorar, lamentar nossas misérias e dizer como o publicano: “Tem misericórdia de mim que sou pecador” (Lucas 18.13). 



Soli Deo Gloria Nunc Et Semper (Somente a Deus damos a Glória, agora e sempre). 

Pr. Antônio Pereira Jr.

(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br