quarta-feira, 26 de outubro de 2016

FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


“Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem”. (Efésios 4.29 – KJV)


Você soube o que aconteceu com fulano? (...) 

Se você ficou curioso sobre o que eu poderia dizer a partir da pergunta acima, pode ser que você seja uma pessoa que se agrada em saber as agruras e os pecados dos outros e possivelmente se deleite com isso. Quando falamos mal de alguém é porque nos julgamos melhores do que aquele alguém que estamos falando. Nos sentimos bem pois, afinal, não foi a gente que possivelmente praticou algum pecado. Você julga-se bom. Quase sem pecados. Afinal, como disse o filósofo Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”.

Seria mesmo verdade que o mal está no outro?

Quem fala mal do outro tem que estar numa posição privilegiada. Ou então é apenas pura inveja do objeto da conversa. Vi esses dias uma frase que me chamou a atenção. Dizia assim: “Você não pode julgar as pessoas só porque elas pecam de uma forma diferente da sua”. Achei muito interessante e verdadeiro. Afinal, quem não peca, quem não erra? Já disse Jesus: “Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra” (João 8.7).

No entanto, é verdade também que há pessoas que são venenosas – você conhece alguém assim? As palavras que saem da boca de muitas pessoas são puro veneno. São pessoas que não conseguem falar bem de ninguém. Só veem os defeitos e os ampliam com suas palavras carregadas de ódio disfarçado de “minha opinião”.  Onde “ser venenoso” transformou-se hoje em “ser sincero”.

As pessoas esquecem de uma verdade inexorável: as palavras ferem. E como ferem. Às vezes criam feridas que outros levam para o resto de suas vidas. 

O apóstolo Paulo nos adverte, em sua epístola aos Efésios, que da nossa boca não deveria sair nada “torpe”. A palavra “torpe” aqui, em grego, é “sapros”, que é utilizada para árvores podres que produzem frutos igualmente podres. São pessoas cujas conversas enegrecem a alma, nem sempre a do objeto de detração, mas, com certeza, daqueles que dialogam diabolicamente com aquele sorriso disfarçado nos lábios.

O que Paulo recomenda é que se faça justamente o contrário. As palavras que deveriam sair de nossas bocas deveriam ser para a edificação, ou seja, para o crescimento das pessoas e não para destruí-las. Palavras de ânimo. Cheias de misericórdia e amor. Quando tratamos as pessoas assim estamos praticando o Evangelho de Jesus. Caso contrário, seremos semelhantes aos fariseus, religiosos cheios de razão e nenhum espírito de perdão e graça.

Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12.34). Já pensou sobre isso? Quando falo mal de alguém estou apenas expondo o próprio mal que há em mim. Se somos de fato cristãos pensaremos duas vezes antes de falar de alguém. Ao invés de usar as palavras como espada na vida dos outros, nossas palavras devem ser cheias de consolo e graça. O apóstolo lembra-nos que devemos usá-las de forma boa, edificante, no tempo certo e cheias da graça de Cristo. Como estamos precisando de pessoas assim hoje em dia. A decisão é sempre nossa. A decisão de como usar a língua é sua. Nesse sentido, ou seremos sábios ou tolos como diz Provérbios 12.18: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina”. Noutra versão diz assim: As palavras do tagarela ferem como espada de dois gumes, todavia a língua dos sábios promove a cura”.

Não coloque lenha nas fogueiras dos outros, você pode ser o único que se queimará. A calúnia e difamação além de ser pecado é um crime. O apóstolo Tiago nos adverte: Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tiago 3.6). Lembre-se do que disse também o sábio Salomão: “Sem lenha o fogo se apaga, sem o caluniador encerra-se a briga” (Pv 26.20).

A sua língua tem ferido ou trazido cura aos seus ouvintes? Responda sinceramente: se você pudesse engolir suas palavras, elas te nutririam ou te envenenariam?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

OS IDIOTAS DE CRISTO



OS IDIOTAS DE CRISTO

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. 
(Atos 4.13)

Muitos líderes, hoje em dia, têm colocado sobre si uma áurea de espiritualidade tão grande quanto à soberba deles. Alguns se colocam em pedestais quase intransponíveis. São pessoas que gostam dos primeiros lugares; das ovações de crentes idólatras; de pavoneamento sem fim para deleite de um grupo religioso que quanto maior, melhor. Acham-se até participantes de uma classe "especial" de ungidos, diferente dos outros menos abastados colegas de ministério.

As palavras do apóstolo Paulo em 2Coríntios 11.30-31 soam quase como uma blasfêmia. Ele disse: “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”. Quem já viu se gloriar em fraquezas? No mundo gospel atual isso é inconcebível. Um pastor é um “homem de Deus”; um ser superpoderoso; um “ungido” que vai solucionar todos os seus problemas; alguém que só conta vitórias e feitos extraordinários – pelo menos é isso que muitos pensam.

Contudo, creio que Deus escolhe os mais improváveis e indignos para serem pastores. Os incapacitados de si mesmo para serem capacitados por Ele. Ele escolhe não os “melhores”, mas geralmente os indignos.

Deus ama usar aqueles que são considerados despreparados e desprezíveis. Ele não está atrás, necessariamente, de pessoas de boa aparência; ou de boa oratória (eloquência não faz o pregador); ou aquele que tem muito dinheiro; ou o que tem muitos talentos; pelo contrário, Paulo vai dizer o seguinte: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1Coríntios 1.26-29).

Para alguns, ser um simples pastor de almas já não dá muito status. Alguns já nem querem mais esse título, preferem algo maior, grandioso, que chame mais a atenção. Que traga holofotes sobre si. Que impressionem os "crentes" deste século ávidos por novidades. Alguns se intitulam de apóstolo, iluminado, ungido com uma unção especial, paipóstolo – porque apóstolo já está ficando sem graça. O que virá depois? Seria: "pascanjo" (uma mistura de pastor e arcanjo); "apostobin" (uma mistura de apóstolo e querubim)? Não foi isso que aprendemos dos verdadeiros servos de Deus. Por exemplo:

– Moisés alegava não ser digno, pois nem sequer sabia falar.
– Isaías se achava muito impuro.
– Amós, apenas um boieiro.
– João, não se achava digno de amarrar as alparcas do Senhor.
– Lutero, se referia a si próprio como um “saco de vermes”.

Verifica-se sempre na vida dos verdadeiros homens de Deus a questão da humildade, uma palavra pouco praticada na vida de muitos líderes. Sundar Singh, o chamado "apóstolo dos pés sangrentos", contou certa vez uma história:

– Um lixeiro converteu-se ao Cristianismo, tornou-se testemunha de seu Salvador. Quem o ouvia, comentava: "Este homem possui algo que ainda não temos". Um transeunte, certa vez, perguntou: "Por que ouvem com tanto respeito um lixeiro?" Ele mesmo respondeu: "Quando meu Salvador ia para Jerusalém montado num jumento, o povo trouxe capas e as colocou sob seus pés. Não sob os pés de Cristo, mas sob as patas do jumento. Por que fazer isso a um animal?

– É que nele vinha montado o Rei dos reis, Senhor dos senhores. Desde o momento em que Cristo o deixou, ninguém nunca mais pensou naquele jumento: Foi honrado somente enquanto Cristo o cavalgou”. Que assim seja em nossas vidas! 


Em Atos 4.13 a palavra grega para “incultos” é “idiotes” que significa, aqui, “sem instrução”; “simples cidadão”; “homem do povo”. Mário Sérgio Cortella no livro: “Política para não ser idiota”, lembra que a palavra grega “idiotes” quer dizer, a pessoa que só enxerga a si mesmo, aquele que só vive a vida privada, que recusa se envolver com a vida política. Ela é a origem da palavra “idiota”. Percebe? Não tem o sentido como nós a usamos hoje, de forma pejorativa, como alguém sem razão ou inteligência, um estúpido.

Então, Pedro e João foram chamados de idiotas. Os idiotas de Cristo. Eram homens do povo. Nesse sentido eu também quero ser chamado de idiota, você não? Aqueles que vivem no meio do povo simples. Não nos palácios dos reis e imperadores deste mundo pecaminoso. Claro que Cristo usa homens sábios e inteligentes como foi o apóstolo Paulo e muitos outros. Mas eles também se consideravam indignos de tal honra. O que importava não era o título que recebiam, aqueles homens haviam estado com Jesus e foi isso que fez a diferença na vida deles. Cristo é aquele que trabalha com os “idiotes” para fazê-los vasos de honra. Lembra-se do jumentinho? Interessante é que a única vez que Jesus disse que precisava de alguém, esse alguém foi um jumento (Mc 11.2-3).

Você foi chamado de idiota por seguir a Cristo ou coisa parecida? O que fazer? Passe tempo com Jesus, aos seus pés, recebendo as instruções para a vida eterna e ele transformará tua alma e tua vida para sempre. Queira apenas estar com Jesus, no fim das contas “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (Lc 10.42) Escolha, pois, a melhor parte.

Não importa quão pequenino você pareça ser, o importante é o Cristo gigantesco que você leva dentro de si, na tua vida, na tua família e na tua igreja. Mesmo que alguém diga que você é um idiota, não reclame, chamaram assim também com Pedro. “Idiota de Cristo”, eis um título interessante que os pregadores de hoje não querem ter.

Paulo estava certo quando disse: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém...”. (Romanos 12:3).




Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A GANÂNCIA HUMANA

A GANÂNCIA HUMANA

A ganância humana não tem limites. Gandhi certa vez disse que: “na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”. O desejo de possuir, de ter, de amealhar é um pecado que hoje é tido como virtude. Quem consegue juntar muito mais do que necessita é tido como uma pessoa a ser imitada e reverenciada. Biografias são escritas e palestras são desejadas.

Quanto mais alguém tem, mais deseja ter. Quanto mais se junta, mais se quer juntar. A grande questão é: para quê? Tudo isso não seria vaidade, ou seja, coisa vã, passageira? Quem falou isso foi um homem que foi considerado, talvez, o mais rico que já existiu: Salomão. Ele afirmou: “Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade” (Eclesiastes 5.10).

Algumas pessoas acumulam porque o TER ficou mais importante do que o SER. Não que o ter seja ruim por si só, não sou idiota. Se eu puder ter um carro, uma casa, uma cama melhor, terei com prazer. Não sou a favor da falsa espiritualidade que prega o não ter como obtenção do favor do Eterno. Não é isso que estou advogando. Millôr Fernandes dizia, e eu concordo com ele, que: O importante é ter sem que o ter te tenha”.

Um coração ganancioso se transforma em um ser idólatra, pois começa a adorar aquilo que tem e isso toma o primeiro lugar na vida, fazendo com que se despreze aquilo que é mais valioso. O apóstolo Paulo nos diz que: “... o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se atormentaram em meio a muitos sofrimentos” (1Timóteo 6.10). Percebe? Não é o dinheiro em si, é o amor excessivo a ele. O amor ao dinheiro faz com que deixemos de amar o imperecível para fazer-nos devotar nossa veneração aquilo que pode até ser visível, palpável, contudo, passageiro.

Quantos filhos são infelizes porque seus pais não têm tempo para eles porque vivem trabalhando o tempo todo para dar “o melhor” para sua família? Os pais, não entendem que a maioria das coisas que traz felicidade a um filho não pode ser comprado. Valores como: amizade, amor, carinho e tempo, não são vendidos nas prateleiras de um shopping.

Quem está no leito da morte se arrepende, não porque gostava de juntar mais um milhão, mas sim por não ter dado amor as pessoas próximas enquanto tinham oportunidade. Pare um pouco para pensar antes que seja tarde demais. Todos vamos morrer, quer sejamos pobres ou ricos.

O que você tem feito com os bens e posses que Deus tem te dado? A insensatez humana é achar que vai viver para sempre. Fazer planos como se a morte nunca chegasse. O apóstolo Tiago nos adverte: Agora, prestai atenção, vós que aclamais: ‘Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá nos estabeleceremos por um ano, negociaremos e obteremos grande lucro’. Contudo, vós não tendes o poder de saber o que acontecerá no dia de amanhã. Que é a vossa vida? Sois, simplesmente, como a neblina que aparece por algum tempo e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis afirmar: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’. Entretanto, estais agora vos orgulhando das vossas capacidades. E toda vanglória como essa é maligna” (Tiago 4.13-16).

Jesus também advertiu na parábola do rico insensato: “Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’ Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus” (Lucas 12.20-21). Em outras palavras: se você morrer hoje de que valeu acumular tantos bens? Para Deus você é pobre, cego e nu.

Quantos milhões poderás levar para encontrar-se com o Eterno? Se o Senhor te chamar hoje para a prestação de contas, como está a tua alma? Você tem usado aquilo que Deus tem lhe dado para o bem do próximo, para que a sociedade melhore? Tem um velho ditado que sempre é bom lembrar: “caixão não tem gavetas”. Ou uma frase que eu li em outro lugar que diz mais ou menos assim: “Tem pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que a única coisa que tem é o dinheiro”.


  Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O CRISTÃO E A POLÍTICA

O CRISTÃO E A POLÍTICA



Toda campanha política é a mesma ladainha: prometem o que muitas vezes não podem cumprir; salvadores da pátria são erguidos aos montes; pessoas são iludidas com esmolas; a poluição sonora chega a níveis insuportáveis; e mantras são introduzidos nas mentes dos cidadãos sem o consentimento deles. Enfim, como disse Giuseppe di Lampedusa, em seu livro, “O Leopardo”: “Algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Nessa avalanche de personagens e promessas, o cristão fica bombardeado com tanta informação. O que fazer? Quais os critérios que precisamos avaliar? Sabemos pela Palavra que Deus é quem "remove reis e estabelece reis" (Daniel 2:21) e podemos descansar em saber que o "Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer" (Daniel 4:17).  Além disso, a Palavra ainda nos ensina que: “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12).

Será, então, que igreja é lugar de política? Para respondermos essa pergunta é preciso responder outra: o que é política? O vocábulo política vem do grego, “polis”, “cidade”. A política, pois, procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Em suma: política é tudo que diz respeito ao bem comum da cidade, da “polis”. Portanto, o que discutimos numa igreja para o bem da cidade é fazer política. Infelizmente alguns pastores confundem política com partidarismo. Ou política com politicagem. Aristóteles já afirmava que o homem é um ser político. O homem pode ser apartidário, mas nunca apolítico.

Política é a busca do bem comum. Por isso, a política tem sempre a ver com a sociedade e com a vida das pessoas e tudo o que nos afligem: os salários; o preço do pão; as passagens de ônibus; as prestações da casa própria; o sistema escolar; o posto de saúde, etc. Nada do que é social está fora da política. Nesse sentido, as igrejas também estão dentro da vida política de uma cidade ou nação. Poderíamos então dividir as pessoas com relação a esse assunto da seguinte forma: 1) As alienadas, que acreditam poder ficar fora das questões políticas; 2) As conscientizadas, que deve ser o nosso ideal; 3) E as engajadas, as que se envolvem diretamente em fazer política.

Por isso é preciso que você reformule sua forma de pensar política. Existem ainda algumas concepções erradas, tais como: “Política é pecado”; “Política é coisa do diabo”; “O cristão não deve participar de política”, o que é impossível pois vivemos numa polis;  “Toda pessoa que se envolve com política é corrupta”, esse tipo de afirmação é igual com a de que todo padre é pedófilo e todo pastor é ladrão, como também não é verdade que “Todo crente é um bom político”; “A política é mundana e não serve para os crentes”, isso é desconhecer totalmente os ensinamentos bíblicos e históricos. Mas o pior erro é que alguns líderes ainda trocam os votos de sua igreja por favores. Isso sim é fazer uma má política.

Na contramão existiram e existem homens de Deus que exerceram com dignidade um papel político em seu tempo e honraram ao Soberano Senhor: José, Moisés, Josué, Gideão, Davi, Salomão, Josafá, Ezequias, Josias, Daniel, Neemias. O que se pode inferir é que é sim possível exercer uma boa política sem deixar-se corromper com o “canto da sereia”.

Você então poderia perguntar: quais os princípios que um cristão deveria observar quanto a sua participação na política? Permita-me colocar alguns princípios gerais:

  • O povo de Deus precisa ter critérios claros na escolha de seus representantes– Dt 17:14-20. Pessoas que não se dobrem diante da sedução do PODER E DO DINHEIRO.
  •  O povo de Deus não deve ser omisso, mas influenciar os líderes nas questões políticas – Dt 28:13.
  • A atitude de omissão não corresponde aos princípios de Deus nem à expectativa de Deus.
  •  O cristão preparado está em vantagem para governar – Pv 28:5; 26:1.
  • O cristão não pode associar-se com pessoas inescrupulosas – Sl 94:20; Pv 25:26.
  • O povo de Deus precisa votar em representantes que amem a justiça – Pv 31:8,9.
  • O povo não está trabalhando em favor do político, mas o político em favor do povo.
  • O político precisa olhar com especial atenção para os pobres e necessitados, ou seja, precisa ter uma política social humana e justa.
  • O povo de Deus deve votar em pessoas que defendam os princípios cristãos à luz do Evangelho.


Saiba de uma coisa: ou você é político ou você é um idiota. Calma, entenda antes de me atirar pedras. A palavra idiota, “Idiotés”, no grego arcaico, era quem ficava preocupado consigo mesmo; e a palavra político, “Politikos”, era quem se preocupava com a justiça de todos. Não se pode fazer cidadania sem política. Todos fazemos política, inclusive se omitindo. Eu, particularmente, sou contra o voto branco ou nulo. Os brasileiros lutaram muito para ter o direito ao voto. Se não podemos mudar a todos, pelo menos temos alguma chance de mudança. Lembre-se do que já disse Platão: “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Ou como disse o pastor Martin Luther King: O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons”.


  Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br