quinta-feira, 25 de abril de 2019

AS DUAS FÊMEAS



AS DUAS FÊMEAS* 



No dia 16 de junho de 1927 meu amigo Vilar a conheceu. A primeira fêmea se fez apresentar. Ela era uma criança que ora se travestia de mulher, ora de idosa. Era bela, mas sua beleza nem todos sabiam apreciar. Vilar era um jovem paraibano de cabeça grande, inteligência gigantesca e ideias grandiosas. Um sertanejo de alma e coração. Um homem alto, braços compridos, pernas longas e voz fraca. Criado junto aos cabritos, vacas e pés de Juazeiros e Umbuzeiros no cariri paraibano. A primeira fêmea Vilar amou com todas as suas forças, celebrou-a com paixão, mas a segunda fêmea lhe marcou como se marca um gado, para sempre. 

As duas fêmeas são contraditórias. Para conhecer a segunda é preciso conhecer a primeira. A primeira é desejada, amada, porém, muitas vezes incompreendida. Mal apreciada até pela maioria dos seres humanos. Traz em sim mesma, momentos de alegrias indizíveis, como também, tristezas inesquecíveis. A primeira nem sempre se conhece, mas, uma vez conhecendo-a, será inevitável conhecer a segunda. É um mal irremediável, como Vilar gostava de chamá-la. A primeira ele conheceu muito bem e viveu um caso de amor e paixão. Ela é quase sempre celebrada com alegria; já a segunda, quase sempre é ornada com tristeza, dor e lágrimas. 

Vilar tinha uma vida alegre, confortável e prazerosa até que, aos três anos de idade ele conheceu a segunda fêmea. Não foi apresentado a ela. Apenas a viu de longe. Ela veio de forma traiçoeira, ingrata até. Ela tinha se enamorada do seu progenitor. Sem aviso prévio o abraçou sem pena, o seduziu e o levou para longe do seu lar. Ela foi traiçoeira, não mandou aviso, nem teve pena do pequeno Vilar que a partir desse momento nunca mais veria seu provedor lhe dá um abraço e um beijo de boa noite. Nunca mais ouviria sua voz nem escutaria suas histórias. Desde este fatídico dia Vilar odiou a segunda fêmea com ódio mortal. 

Essa segunda fêmea Vilar ficou sabendo, anos depois, que seu nome era Caetana, “a terrível”. Conhecida antigamente como “a indesejável”. Ele a viu como uma jovem moça vestida com um manto negro, rubro e amarelo. De um olhar inocente, porém, sedutor. Dentes de coral. Peitos fascinantes e esquisitos. Na mão direita trazia uma cascavel, e na esquerda a cobra coral. Na fronte uma coroa e um gavião. Nas espátulas as asas deslumbrantes. Uma figura inesquecível, misteriosa e fascinante ao mesmo tempo. 

Caetana era uma sedutora. Tanto de homens como de mulheres. Não respeita credo, condição social ou qualquer tipo de convenções humanas. Ela era uma metamorfose ambulante que se transformava de acordo com a necessidade. Um camaleão cheio de beleza e horror. Um misto de tudo que é repugnante e ao mesmo tempo hipnotizante como uma cobra cascavel. Vilar a temeu e a amou durante o resto de sua vida, sabendo que um dia estaria cara a cara com ela. Ela era a cobra venenosa e ele a presa frágil e insegura. Todos nós o somos. 

No luar do sertão a beleza de Caetana era insuportável. Todos os dias Vilar, mesmo sem o saber, a carregava no pensamento. Nas regiões mais abissais do seu ser ela estava presente. Mesmo odiando-a ele não resistia à ideia de um dia se encontrarem. Apesar dela acabar com sua família e deixar sua progenitora uma pessoa triste e necessitada de amor, Vilar a desejava. Não sabia como era esse sentimento. Ora via-se apaixonado, ora odiando-a cada vez mais. 

Todas as manhãs, sob o sol do sertão, durante anos, Vilar olhava o horizonte. Ouvia o canto da sua graúna triste presa na gaiola. Era assim que ele se sentia. Ficava na janela de sua casa, na fazenda, na esperança de ver seu velho pai de volta para lhe dar aquele abraço tão desejado. Mas ele não veio. Nunca veio. Dia após dia, ano após ano esse desejo estranho lhe apertava o peito. Ou, quem sabe, para contemplar o rosto de Caetana que tanto lhe marcara desde a infância. Ele não sabia ao certo. Só o que imaginava era se um dia ainda veria o rosto de seu querido pai cuja mulher arrancara de seu convívio em sua tenra idade. O que lhe restou foi apenas o canto de pássaros tristes, o sol do seu sertão, alguns bons e velhos amigos e uma saudade enorme que lhe ardia o peito e lhe esmagava a alma. Mal conseguia falar sobre o assunto que as lágrimas teimavam em rolar de sua face, agora, já envelhecida pelo correr dos anos. 

Uma noite dessas, no dia 23 de julho para ser mais exato, a segunda fêmea finalmente lhe aparece. Era Caetana, a jovem moça, a segunda fêmea que enegrecera o amor da primeira. Vilar sem querer (ou seria querendo?), finalmente a encontrou. Ela lhe segurou pela mão, lhe deu um beijo na boca, não disse uma palavra e o levou para sempre. Queria tanto poder ouvir mais histórias suas. Adoraria pode lhe dar um abraço de despedida. Sorrir com ele. Brincar com meu velho amigo. Dizer-lhe o quanto sou grato pela sua existência. O mundo não será igual sem ele. Principalmente o Nordeste... e com ele o sertão. 

Que falta ele faz...

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*Um dos contos do meu livro: "Morangos Ingratos". Inédito, não publicado. 
Este, em homenagem a Ariano Suassuna.
Contato: Antônio Pereira Jr. 

oapologista@yahoo.com.br



segunda-feira, 18 de março de 2019

A CONDIÇÃO DE SERVO


A CONDIÇÃO DE SERVO 

“Então, Josué disse a todo o povo [de Israel]: ( … ) Escolhei hoje a quem sirvais; ( … ) porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. (Josué 24:2, 15)


Servir ao Senhor é uma realidade ou apenas uma desculpa esfarrapada dita da boca para fora? Nós, como cristãos, estamos de fato servindo ao Senhor? Ou qualquer aniversário, festa, compromissos pessoais, lazer, oportunidade de ganhar dinheiro ou qualquer outra coisa é mais importante do que adorar a Deus na beleza de Sua Santidade? Sempre falamos entusiasticamente quando lemos Josué 24, “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”; mas, até que ponto isso é uma verdade prática?

O que precisamos entender é que o serviço é algo que não podemos escapar. Somos salvos para servir. E servimos, mesmo sem perceber. A questão não é se vamos servir é a quem servirmos. Ou servimos a Deus e o seu Reino ou serviremos a nós mesmos. Simples assim. Não há escapatória. A realidade é que na maior parte do tempo servimos a nós mesmos, ou não é verdade? Nossos planos, projetos, tempo, dedicação é, quase sempre, para alimentar o Narciso que existe em cada um de nós.

Alguns dizem: “Não sirvo aos homens, sirvo a Deus”. Ora, à luz do Evangelho só servimos a Deus se servirmos as pessoas. E principalmente na igreja, independentemente de quem seja o líder, você deve em tudo trazer glória para Deus. Não há como divorciar isso. Quem é de Deus mostra o amor para com os outros, do contrário, será apenas um religioso tentando disfarçar seu orgulho e prepotência. Responda para si mesmo: você está horando a Deus com suas atitudes com seu próximo?

Paul Tripp já disse que: “Nossa vida é moldada pela batalha entre o reino de Deus e o nosso reino pessoal”. Não queremos, na maioria das vezes, submeter aos desejos e às necessidades de outros. O problema que surge é que não podemos obedecer a Deus e aos nossos interesses ao mesmo tempo. "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro (...)”. Mateus 6:24.

A verdade é que sempre serviremos aquele que tiver a primazia no coração. Se, por exemplo, num domingo à noite escolhemos ficar em casa ao invés de adorar a Deus (Claro, tirando aqueles que não podem ir por enfermidade, trabalho ou outra situação justificável) isso é sinal de que Ele não é primazia para nós. Buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, como jesus falou não tem lá tanta importância se posso ficar com a consciência tranquila no meu doce lar. Mas o chamado de cada cristão, do verdadeiro cristão, é servir a Deus como resposta de gratidão pela Graça do Evangelho. Quem são os servos na igreja que realmente estão servindo? E o mais importante: quais as suas motivações? Alguns gostam mesmo é da “apresentação” e “pavoneamento” público. Se não for para “me apresentar” por que devo ir – alguns pensam.

Penso que há uma imensa necessidade de pessoas para servir na igreja pelas razões certas. Deus não precisa, à priori, de ótimos músicos, excelentes pregadores, cantores afinadíssimos ou oficiais simpáticos, embora tudo isso seja necessário. Deus chama principalmente servos que sirvam por gratidão e amor sem olhar para si mesmos como Narciso embebido e apaixonado pela própria imagem. Afinal, o resultado de todo pavoneamento é a morte.

John Stott perguntava: “Quando os cristãos retomariam o ministério de todos os santos, no qual cada cristão exerce seus dons para ministrar aos outros”? Só há um objetivo no serviço: glorificar a Deus e engrandecer o Evangelho para o benefício dos outros. E se você é líder de algum departamento ou grupo, seu serviço é de maior importância e responsabilidade. Como querer que os seus liderados sirvam a Deus se você mesmo não tem o mesmo compromisso no Reino? Acho que devemos aprender com o Mestre que disse: “Porquanto quem é o maior: o que está reclinado à mesa, ou o que serve? Porventura, não é o que está reclinado à mesa? Contudo, entre vós, Eu Sou como aquele que serve” (Lucas 22.27).

Devemos ser mais importantes que nosso Senhor? Que Deus nos ajude. “Soli Deo Gloria Nunc Et Semper” (Somente a Deus damos a Glória, agora e sempre).

Vosso conservo: 
Pr. Antônio Pereira Jr. 
oapologista@yahoo.com.br

terça-feira, 31 de julho de 2018

VOCÊ É A POESIA DE DEUS



VOCÊ É A POESIA DE DEUS

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. 
Efésios 2:10


Amo poesias. Há quem não goste e até mesmo repudia um cristão apreciar poesias. Como se fosse pecado gostar do que é belo, daquilo que faz a alma sonhar. Religiosos chatos, pessoas intragáveis. Querem impor sua ideia de santidade àqueles que já são livres. Ou parafraseando Nietzsche: E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. Detesto gente assim. Sinceramente, detesto do fundo da minha alma. Pecado detestar? Sim, confesso aqui meu pecado. Não sou perfeito. Muitas coisas eu detesto. Porém, acho mais pecado querer ser juiz da alma alheia. Gente que coa um mosquito e engole um camelo. 

Quem me conhece bem sabe que escrevo e leio vários gêneros. Mas é na poesia que me deleito. Na poesia me entrego de corpo e alma. Já escrevi um livro inteiro de poesias o “Gotas da Alma”. Tenho mais de 400 poesias inéditas esperando serem publicadas. Os poemas mostram geralmente o que é de mais belo dentro de nós. Eles traduzem sentimentos, sonhos, desejos e experiências vividas ou utópicas. Expõe de alguma forma a alma humana que não se acostuma com o trivial, com a monotonia e a realidade crua e nua. É querer sempre um morango gostoso mesmo que ainda não o tenha, mas que você deseja ter e como deseja.  

Amo Drummond, T. S. Eliot, Fernando Pessoa, Augustos dos Anjos, Florbela Espanca, dentre tantos. São escritores maravilhosos. No entanto, existe um poeta que está acima de todos eles: Deus. Isso mesmo, Deus é o maior de todos os poetas. Não está acreditando? Deixe-me explicar melhor. Em Efésios 2.10 existe a palavra feitura. Muitos não sabem o que ela significa ou pelo menos nunca teve a curiosidade de saber. No grego, a palavra “feitura” é “poiema”, e significava “manufatura”, “trabalho”, “obra de arte”, “poema”. Ela vem do verbo “poieo”, que é o mesmo que “poema ou poesia” ou aquilo que é fabricado, um projeto de um artesão. Ela foi usada para designar uma obra de arte poética.

Os cristãos são, portanto, poemas de Deus. O Eterno é o poeta e você é o poema, escrito por Ele para Seu deleite. Assim como um poeta se deleita em ver sua linda poesia, assim também é Deus quando olha para você. O mais incrível é que Ele se deleita em você mesmo sabendo o quando você é falho e imperfeito. Isso é o que chamamos de amor Ágape. Esse tipo de amor é ilimitado. Ele nos olha com um amor incondicional. É esse tipo de amor que o apóstolo Paulo fala que não tem fim, que jamais acaba. Concordo com Philip Yancey quando ele diz no seu livro “Maravilhosa Graça” que: Não há nada que você possa fazer para Deus te amar mais; e não há nada que você possa fazer para Deus te amar menos".

Não temos motivo para nos sentirmos tristes ou nos sentirmos diminuídos, cheios de autocomiseração. Você tem um Deus que te ama, que te entende, que te conhece, que cuida de você em qualquer situação. Se Deus é de fato seu pai, então você não está mais debaixo da ira dEle. Você está debaixo de Sua Graça, do Seu amor e da Sua misericórdia. Você é "Feitura de Deus" e nada pode mudar isso. A poesia foi escrita antes da fundação do mundo. E a tinta usada foi o sangue de Jesus. Sem Ele não passaríamos de rascunho sujo nas mãos do Diabo. Esse poema não depende do mérito humano, nunca dependeu, é sempre Graça de um Deus que nos ama apesar de sermos miseráveis pecadores. 

Não somos completos, perfeitos e acabados. Somos um poema reeditado todos os dias pelas mãos do hábil Poeta. Significando que a vida tem rima. Ela tem sentido. E ela pode ter mais sabor, mais beleza, apesar dos riscos a arranhaduras na alma. Não somos obras do acaso, da evolução. Somos obras de Deus! Somos uma linda poesia que saiu das mãos do Poeta Criador. Costumo dizer que poesia não se explica. Ou toca ou não toca. Ou ilumina a alma, ou não. Não há explicações, há sensações. Não tente explicar nada, apenas sinta e creia no amor de Deus por você. Portanto, você, poema de Deus, como está hoje? Sua alma está poesia?  


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

terça-feira, 31 de outubro de 2017

OS "SOLAS" DA REFORMA PROTESTANTE


Os “Solas” da Reforma Protestante

“Porém enviou profetas entre eles, para os reconduzir ao SENHOR, os quais protestaram contra eles; mas eles não deram ouvidos”, 2Cr 24.19.


De onde vem o termo “protestante”? Recebemos o nome de protestantes pelo fato de Lutero, na época, ter conseguido poderosos aliados entre a nobreza e a alta burguesia, que o auxiliaram a difundir sua doutrina pelo norte da Alemanha, pela Suécia, pela Dinamarca e pela Noruega. Foram esses aliados que, em 1529, protestaram contra a preservação das medidas tomadas pelo imperador Clemente 7º contra Lutero, que impediam cada Estado de adotar sua própria religião.

A partir desse protesto é que se difundiu o nome “protestante” para designar os cristãos “não católicos”. A luta de Lutero, e de outros reformadores, não foi apenas contra as indulgências, mas para que houvesse um retorno à Palavra. A meu ver, esse mesmo clamor deve ser levantado nos dias hodiernos. Hoje, os protestantes não protestam mais. Calam-se diante dos erros e aplaudem os espetáculos eclesiásticos à semelhança das antigas indulgências.

A Igreja está – a semelhança dos tempos da Reforma Protestante – vivendo algumas crises. Gostaria de citar apenas duas:

1. CRISE DE IDENTIDADE – A primeira crise é a Crise de Identidade. Dentro da salada de mensagens que se ouve hoje uma pergunta nos intriga: o que é ser cristão nos dias hodiernos? Temos grandes dificuldades de identificar quem é cristão de fato e aqueles que estão só preocupados com seu bolso, cujo deus é o seu ventre. Urge cumprir o papel para qual o qual estamos neste mundo – sermos sal e luz. Temos hoje um grande desafio: crescer sem perder a identidade.

2. CRISE DOUTRINÁRIA – A segunda é a Crise Doutrinária. Prega-se de tudo, menos a Bíblia. Os púlpitos estão recheados de mensagens de auto-ajuda e psicologia divorciada de Bíblia. O que os homens necessitam não é de auto-ajuda e sim da ajuda do Alto. Por isso, é necessária uma auto-avaliação daquilo que os Reformadores tinham por saúde da Igreja: a sã doutrina. Uma Igreja sem a sã doutrina está doente e a ponto de sucumbir, definhar e morrer.

Onde poderíamos encontrar um resumo da sã doutrina? Respondo: nos “Solas” da Reforma Protestante. No entanto, os Solas da Reforma estão sendo substituídos na igreja de hoje. Ai é que se vê o impacto negativo que isso provoca.

Para que possamos entender isso de maneira mais clara precisamos conhecer alguns princípios defendidos pelos reformadores, que, infelizmente, são desconhecidos daqueles que se dizem protestantes hoje. O que são os Solas da Reforma? Poderíamos resumi-los nos seguintes:

SOLA SCRIPTURA: A Escritura Sagrada é a nossa única regra de fé e prática. Teoricamente é isso que um “protestante” clássico defende, no entanto, na prática não é o que se observa. “Somente a Bíblia” deveria significar que nada mais tem autoridade igual ou superior à da Palavra de Deus pra minha vida, quer seja a palavra de qualquer homem ou anjo, conforme: 2Tm 3.16-17; Ap 22.18-19 e Gl 1.8-9. Contudo, alguns dizem o seguinte: “eu sei que a Bíblia diz isso, mas eu tive uma revelação de Deus”. Ou, “não importa o que a Bíblia diz, o que importa é o que meu líder abençoado falou”. Mesmo que o “que ele falou” vá de encontro a Verdade.

Todo verdadeiro avivamento trouxe um retorno à Palavra. É preciso que nós mesmos nos alimentemos de alimento sólido que encontramos, não nas “novas revelações”, mas nas antigas doutrinas da Graça, como diz-nos o escritor aos hebreus: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento” – Hb 5.12.

É preciso entender que as experiências não estão acima das Escrituras, por mais extraordinárias que pareçam ser. O povo de Deus no decorrer da história sempre teve experiências com o Senhor – tanto boas quanto ruins –, no entanto, nenhuma delas é maior do que a Palavra Revelada, aliás, a Bíblia já nos adverte que devemos examinar as experiências pela Palavra e não o contrário – 1Jo 4.1. Quantas superstições e heresias antibíblicas têm penetrado nas igrejas que rejeitam esse importante princípio de “Sola Escriptura”?

SOLA GRATIA: Somente pela Graça é que somos salvos. Nossa salvação se dá somente pela graça de Deus. Não existe nem mesmo uma centelha de bondade no homem que tenha movido o criador a salvá-lo – Rm 3.10-20 e Tt 3.3-7. Para herdar o Reino dos Céus temos que ser “pobres em espírito”. Ou seja, somos tão pobres (ptochos em grego, significa aquele que não tem nada, miserável, mendigo) que nada temos para oferecer a Deus em troca de nossa salvação. Isso é justamente o oposto daquilo que muitas igrejas pregam hoje. Salvação não é conquistada por barganha. É por pura Graça de Deus. "E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça", Rm 11.6.

Hoje, prega-se que o homem precisa cooperar com a salvação. Fazendo correntes, sacrifícios, e barganhas com o Criador. Isso acontece tanto na Igreja católica como em algumas que se dizem evangélicas. Ou seja, você é salvo pelo seu esforço. Você conseguirá sua bênção se fizer algo pra Deus. Não há maior engano quanto a esse assunto. Efésios 2.8 é muito claro: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie”.

SOLA FIDE: O único meio pelo qual o homem pode se achegar a Deus é mediante a fé no sacrifício perfeito e substitutivo de Jesus Cristo. Obra, objeto ou pessoa alguma pode tomar o lugar da fé em Deus – Rm 1.17 e Ef 2:8. Hoje, o povo crer que se pode chegar a Deus através de amuletos abençoados. Criou-se um fetichismo evangélico, onde os objetos têm um poder inerente que vai trazer bênçãos sem fim – isso semelhante ao misticismo da Idade Média, tão combatido pelos reformadores. Homens no passado e no presente: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles...”, Fp 3.19.

SOLUS CHRISTUS: O único objeto da fé é Jesus Cristo. Ele é o salvador dos homens, o único caminho que nos leva a Deus. Qualquer outro tipo de mediação entre Deus e os homens que não seja por Jesus é invenção de mentes contaminadas pelo erro – At 4.12. Hoje, para muitos, Jesus Cristo não é mais o único caminho. É preciso crer na Igreja, no apóstolo ou no bispo ungido. È preciso Cristo voltar a ser o centro da pregação, do culto e da vida, para que a igreja chegue à maturidade: “Desejando afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”, 1Pd 2.2.

SOLI DEO GLORIA: Somente a Deus pertence toda a glória. Nada deve ser atribuído a nós ou a qualquer outro ser celestial, humano, vivo ou morto ou ordenança de igreja alguma a não ser a própria pessoa de Cristo. Tudo vem de Deus por Cristo. “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém”, Jd 25. Hoje, os holofotes estão direcionados ao homem (Pastores, cantores, crentes etc). O “show da fé” nas igrejas tomou o lugar da Glória de Deus.

Como disse Charles Spurgeon certa vez: “A apatia está por toda à parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”. Isso foi escrito a mais de cem anos. O que diria Spurgeon se vivesse hoje?


Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior

oapologista@yahoo.com.br

sábado, 7 de outubro de 2017

FILHOS: A OBEDIÊNCIA E PROMESSA NA ESFERA DO PACTO



FILHOS: A OBEDIÊNCIA E PROMESSA NA ESFERA DO PACTO


A vontade de Deus é que devamos obediência e respeito a todos os homens investidos de autoridade, especialmente aos nosso pais (a única exceção é quando os homens quebrarem os princípios da palavra, daí não somos obrigados a obedecer conforme ao que ensinou o apóstolo Pedro em Atos 5.29). A família, no entanto, apesar de ser uma instituição divina, não está isenta da falta de obediência de alguns. Os pais, desde cedo, devem exercer autoridade sobre os filhos. Lembrando que autoridade não é autoritarismo imposto. A Bíblia diz que há uma relação de obediência dos filhos em concordância com as obrigações paternas colocadas por Deus, ordenando que os pais também não podem ficar provocando à ira dos filhos (Ef 6.1,2).

A sociedade moderna tem sofrido enormes e profundas alterações, muitas delas de forma negativa dentro da família. O relacionamento familiar está cada vez mais difícil de lidar. Como família do Pacto devemos observar o que a Palavra diz para que possamos ser, senão uma família perfeita (embora seja impossível uma família que não cometa erros), sejamos uma família feliz e abençoada. Quero convidá-lo a examinar comigo, embora de forma sucinta, o que podemos aprender sobre esse importante assunto da obediência dos filhos na esfera do Novo Pacto.


I – O PARADIGMA DA FAMÍLIA MODERNA

Como falamos na introdução, hoje em dia é um grande desafio viver em família. Mas quando não o foi? Não se fazem mais filhos como antigamente – já ouviu isso alguma vez? Pode até ser, mas também não se fazem mais pais como antigamente. Para o bem e para o mal todas as gerações tiveram suas exigências. Ser pai numa sociedade pluralista e relativista como a nossa é um grande desafio, bem como, ser filho nessa época requer também suas agruras e preocupações. Segundo Hernandes Dias Lopes, por exemplo:

Quando Paulo escrever essa carta aos efésios, estava em vigência no Império Romano o regime do ‘pater postestas’. O pai tinha direito absoluto sobre o filho: podia casá-lo, divorciá-lo, escravizá-lo, vende-lo, rejeitá-lo, prendê-lo e até mesmo matá-lo (Hernandes Dias Lopes – Comentário aos Efésios – Igreja, a noiva gloriosa de Cristo. p. 161).

Já imaginou os pais com essa autoridade nos dias hodiernos? Claro que hoje em dia um outro extremo se estabeleceu: quem manda agora são os filhos. Eles é que determinam horários, preferências e regras gerais. Esta geração, talvez, seja a mais desobediente de todas – claro que estou exagerando, mas em muitos casos o é. Nada novo, pois o apóstolo Paulo já advertiu que nos últimos dias haverá homens: “amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães...” (2Tm 3.2).

Paulo, em Efésios 6, ensina que quem é de Cristo vai de contramão ao sistema mundano que troca a obediência por rebeldia. Um filho genuinamente convertido tem que ser obediente e saber honrar seus pais. E essa transformação só quem faz é o Evangelho. Um filho obediente com certeza será um espelho para àqueles que estão debaixo do jugo do pecado e das imposições sociais que estão fora dos princípios cristãos.

Para se ter uma ideia da seriedade com que Deus trata a questão da obediência dos filhos, a penalidade aplicada a um filho desobediente e rebelde na Antiga Aliança, era a morte (Deuteronômio 21:18-21). E se um filho amaldiçoasse ou batesse em seus pais deveria ser morto por apedrejamento (Êxodo 21:15, 17; Levítico 20:9). Se você é filho, agradeça a Deus por ter nascido no tempo da Graça.


II – EXISTEM DEVERES PARA OS FILHOS

No entanto, embora não estejamos vivendo a rigidez da Lei com relação à desobediência dos filhos, aprendemos com Paulo que não podemos fazer sempre o que queremos. Nem sempre gostamos do ônus, mas sempre queremos os bônus. Existem deveres dos filhos com relação aos pais. Por mais que os filhos não gostem, é um ensinamento bíblico claro.

Primeiro, é um princípio do Evangelho: “sede obedientes aos pais no Senhor” (6.1). Os filhos devem obedecer aos pais porque são, em primeiro lugar, servos de Cristo. Segundo, o filho deve obedecer aos seus pais: “pois isso é justo” (6.1). Calvino diz que: “O preceito: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’, compreende todos os deveres pelos quais a afeição sincera e o respeito dos filhos a seus pais podem ser expressos” (João Calvino – Comentário aos Efésios. p. 179). Lembrando-nos que a desobediência é um sinal de uma sociedade decadente. Terceiro, porque está de acordo com a vontade de Deus expressa na Lei: “este é o primeiro mandamento com promessa” (6,2-3). Quarto, quem honra pai e mãe tem a promessa de longevidade: para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra". (6.3).

O termo que Paulo usa em Efésios para “filhos” é “tekna”, plural de “teknon”. Fala do descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta carta, mas só em somente em 6.4 sugere criança ou adolescente. No entanto, pode se referir a filhos em qualquer idade. Em suma, pessoas que deve assumir a responsabilidade diante de Deus e de Sua Palavra (Ef 6.1). Pela graça de Deus um filho pode, auxiliado pelo Espírito Santo, ser exemplo de obediência em qualquer família.


III – FILHOS, HONRAI!

A honra para com os pais é um mandamento. Não é uma concessão. É dever dos filhos honrarem seus pais. O apóstolo Paulo escreveu: "Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra" (Efésios 6:2-3). Mas, o que significa honrar aos pais? A palavra grega “honrar”, significa valorizar ou considerar altamente, ter em grande estima. Alguém pode obedecer sem ter os pais em grande estima, ou apenas para obter alguma vantagem. Os pais erram e nem sempre são dignos de serem honrados. Mas, para o filho da Aliança isso é o de menos. Ele honra aos pais independente dos erros destes. Honrando aos pais eles estarão horando a Deus. Os filhos honram a seus pais, nas coisas simples do dia-a-dia, como ajudar nas tarefas do lar, por exemplo. Mas também nas coisas mais complexas, como ser o cuidador dos pais quanto estes estiverem mais velhos conforme nos diz Provérbios 23.22: “Ouve a teu pai, que te gerou e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer". Ou seja, a honra deve ser por toda a vida. Como disse, só há um limite nessa obediência: se os pais quererem coisas que desagradam a Deus. Daí o filho não é obrigado a obedecer por causa da autoridade maior sobre eles.

Honrar também significa ajudar financeiramente, conforme nos diz o apóstolo Paulo, usando a palavra honra num sentido financeiro: Trate adequadamente as viúvas que são realmente necessitadas. Mas se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus”. E o verso 8 ainda diz:  Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. (1 Timóteo 5:3-4, 8).

O texto de Efésios é muito importante para uma vida de obediência: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo" (Efésios 6.1). Como já falei a obediência tem uma razão: “É justo”. Nunca esqueça disso. Paulo na epístola aos colossenses vai dizer: "Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor" (Colossenses 3:20). E Salomão em provérbios exorta: "Filho meu, ouve o ensino do teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço" (Provérbios 1:8-9). O que nos chama a atenção é que a obediência tem que partir também de uma consciência dos filhos com relação aos pais, mas também dos pais com relação aos filhos. É uma via de mão dupla. Não se obedece apenas por obrigação ou imposição. Ela vem por ter a consciência do Evangelho e do Deus a quem servirmos. Ou seja, os filhos também têm vontades que precisam ser reconhecidas. E os pais também devem proporcionar um ambiente de amor e carinho. Não os provocando à ira.

Por fim, na explicação da pergunta 54 do catecismo menor de Westminster, “Que exige o quinto mandamento?”, o autor (não identificado) diz o seguinte:

O quinto mandamento exige a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores ou iguais” (Ef 5.21,22; 6.1, 5, 9; Rm 13. 1; 12. 10). Pais, no entendimento escriturístico e em consonância com a cultura de Israel, não são exclusivamente os genitores, mas todos os que exercem algum tipo de autoridade sobre a nova geração, especialmente a moral e a espiritual. Governar, no sistema patriarcal e em regime teocrático, significava exercer o poder paternal e sacerdotal sobre o clã. Foi, certamente, firmados em tal princípio que os teólogos de Westminster ampliaram o conceito de paternidade para que sua abrangência incluísse quaisquer autoridades superiores, por natureza, por vocação e por ofício, aos comandados. O governo ditatorial é incompatível com o patriarcal; o primeiro é imposto, o segundo emerge com a família, o clã medular, fonte de origem, base preservadora e força mantenedora da tribo. O chefe de estado e seus ministros, administradores da “família Dei”, todos os ancestrais, sacerdotes, líderes tribais e familiares eram considerados pais por ordenação divina e, como tais, respeitados, acatados e estimados.

Já o catecismo de Heidelberg traz a seguinte resposta para a pergunta 104, “o que Deus exige no quinto mandamento”? E a resposta é a seguinte:

R. Devo prestar toda honra, amor e fidelidade a meu pai e a minha mãe e a todos os meus superiores; devo submeter-me à sua boa instrução e disciplina com a devida obediência (1), e também ter paciência com seus defeitos (2); porque Deus nos quer governar pelas mãos deles (3). (1) Êx 21.17; Pv 1.8; 4.1; 15.20; 20.20; Rm 13.1; Ef 5.22; 6.1-2, 5; Cl 3.18, 20, 22. (2) Pv 23.22; 1Pe 2.18. (3) Mt 22.21; Rm 13.2, 4; Ef 6.4; Cl 3.20.


Ou seja, além da obediência os filhos também têm que ter paciência para com os defeitos dos pais. Nenhum pai é perfeito, mas suas imperfeições não podem ser desculpa para a desobediência. Por fim, Jesus é o nosso grande exemplo de obediência. Ainda que fosse o Verbo encarnado Ele foi submisso a seus pais humanos. Ele os honrou em todas as formas (Lucas 2.51). E uma das grandes verdades é que um filho que obedece, honra a seus pais, tendo Jesus como modelo principal, têm vidas mais felizes e, o mais importante, estão agradando a Deus!


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


"Eu, porém, clamo a Deus e o SENHOR me salvará! De tarde, de manhã e ao meio-dia, lamento angustiado, e Ele ouve a minha súplica”. 
(Salmo 55.16-17 - KJV)


Não, não quero falar das baleias esse incrível mamífero dos mares (pois é, baleia não é peixe), sejam elas azuis, cinzas ou de qualquer outra cor. Baleia azul, no caso é um jogo de desafios, supostamente criado na Rússia e que se espalhou pelo mundo. Muito se tem falado sobre esse jogo. Vários jovens e adolescentes estão sendo aliciados para cumprir as tarefas deste jogo da morte, pois o último “desafio” é tirar a própria vida. 

Alguns apontam os pais como culpados – com certeza os pais têm sua parcela de culpa em alguns casos, mas não em todos. Outros culpam a tecnologia, como se ela, em si mesma, fosse capaz de levar alguém a tirar sua própria vida. Outros culpam os próprios jovens e adolescentes. Afinal, essa geração conectada vive desconectada da realidade e se tornando cada vez mais superficial. Penso que ainda não chegamos ao cerne da questão.

Qual é o culpado então? 

Parece que se descobrirmos o culpado, quem sabe, poderíamos prendê-lo e tudo voltaria ao normal – alguns pensam. São os pais os culpados? A tecnologia? O jogo em si? Os jovens e adolescentes que adoram desafios sem se preocuparem com as consequências? Penso que, na verdade, muitos se matam diariamente muito antes de qualquer jogo – em média uma pessoa se mata por minuto no mundo. Buscamos um bode expiatório para colocar a carga de todas as responsabilidades. 

Na verdade, existe uma baleia azul em cada coração, tanto dos pais quanto nos filhos. Uma baleia enorme chamada: vazio existencial. Ou você pode chamar de qualquer outro nome. O fato é que ela existe dentro de cada ser humano, independente dele ser criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso. Alguns chamam de falta de Deus (embora que quem tem Deus também pensa em morrer), outros, de propósito na vida. Enfim, não importa o nome, o importante é detectar essa baleia na alma, antes que ela engula o teu ser.

Muitos, na Bíblia inclusive, já pensaram em tirar a própria vida. Há pelo menos três personagens que pediram para si a morte: Elias (1Reis 19.4); Jó (Jó 7.15) e Jonas (Jonas 4.3). Elias, por exemplo, pensou que não tinha mais o que fazer. A falta de propósito desanima qualquer um, com ou sem baleia azul. Para mim, em alguns casos, aqueles que querem morrer é simplesmente porque estão exaustos de não viver. Aí vem a ansiedade, depressão, jogos e outros males atuais que impulsionam esse desejo.

O apóstolo Paulo disse certa vez: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipense 1.21). Não que ele desejasse a morte como fuga de sua vida. Ele entendia que sua vida estava nas mãos de Deus e se Ele quisesse o apóstolo poderia ainda viver para continuar abençoando o povo. Por isso ele disse nos versículos seguintes: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne”. (Versos 23-24). 

Muitos só querem uma desculpa para dar vazão a alguma coisa que lhes traga algum alivio. A dor na alma é muito grande causada por diversos fatores como: abandono, depressão, falta de significado, sofrimentos diversos causados por ele mesmo ou por outros, medos diversos, enfim, as baleias são infindáveis.

Não procure baleia alguma, conheça o cordeiro. Troque a baleia pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se você está sobrecarregado e cansado da existência Ele te diz o seguinte: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

Entregue os seus problemas a Cristo. Faça o que diz o apóstolo Pedro: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5.6-7). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sábado, 15 de abril de 2017

VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?



VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?


Você é discípulo de quem? A maioria das pessoas que se dizem discípulos de Jesus, na verdade não o é. Eles seguem a uma organização, denominação ou ao homem, quer seja ele pastor, apóstolo, bispo ou algum líder surtado.

Ser discípulo de Jesus é saber que não há barganhas a fazer. É relacionamento e não adesão. É conhecer uma pessoa e não uma ideia ou promessas vãs. Não é frequentar a igreja enquanto o pastor ou líder me servirá como aquele que satisfará as minhas demandas e quando ele as deixar de fazê-lo eu procurar outro líder que assim o faça. As demandas religiosas são infindáveis. Ou então, quando eu não ter o que penso que mereço das mãos dele, vou em busca do meu próximo salvador.

Em Jesus não temos demandas religiosas, temos obediência em Graça, não pelo que Ele pode nos dar, mas por quem Ele é. Graça não é auto justificação. É reconhecimento que das mãos dEle recebemos amor, perdão e misericórdia.

Quem ainda não aprendeu a ser discípulo quer sempre juízo. Quer que o fogo caia do céu na cabeça dos inimigos. Quer sempre ser o maior. Quer os primeiros lugares. Ambiciona títulos e cargos. Corta orelhas. Pensa saber, sem saber o que se deve saber. Julga sem medo de ser julgado. Aponta dedos. Acha-se superior aos demais pecadores. Bate no peito e se orgulha da justiça própria. Nada é mais farisaico do que isso.

O discípulo é humilde, perdoador e misericordioso. Porque sabe que se não o for não receberá misericórdia. Ele não procura o pináculo do templo, mas anda aonde os pecadores estão, pois se identifica com eles. Eles têm o mesmo cheiro. Sabe das mesmas limitações. Reconhece que é pó, cinza, nada. E é consciente que apesar dessa nulidade Jesus lhe ama incondicionalmente.

O fruto do Evangelho é sempre amor, misericórdia e paz. O que passar disso é religiosidade. Se o mensageiro traz sempre a espada, pode ter certeza de que não é discípulo de Jesus. Um coração cheio de Jesus é um coração cheio de amor. Do contrário, é um coração religioso. E esse tipo de religiosidade ao invés de trazer vida, traz sempre morte, desprezo e ódio. O discípulo reconhece que só há um Senhor que pode julgar e esse não é ele.

Um membro sempre espera que suas necessidades sejam atendidas. Sempre estão à procura do afago de seu pastor ou líder. E quando este deixa de afagá-lo, logo é tido com um ser imprestável. Saiba de uma coisa: líderes são falhos e sempre vão nos decepcionar em algum momento. Mas a alma de um membro de igreja é sempre insaciável. O discípulo verdadeiro estimula a outros para que sirvam, sem ter a necessidade de ser servido. Um membro só pensa em si mesmo. Já o discípulo pensa nos outros. Um membro sempre vai achar que na igreja tem muita hipocrisia e pecados, mas não reconhece a hipocrisia e os pecados dele mesmo. Afinal, errado é sempre o outro. Ele e sempre a vítima sedenta de afagos e reconhecimentos.

Quando um discípulo está longe de sua congregação, lamenta, pois não consegue viver sem ter comunhão com os outros. O membro pode viver a vida toda sem ir para o templo. Prefere comungar com ninguém. Sua igreja é sua casa. Afinal, ele carrega um “Puff almofadado” e não uma cruz. A igreja é só um lugar que ele vai quando lhe dá vontade ou quando suas expectativas são supridas. Um lugar onde ele pode receber tudo, sem fazer ou contribuir com nada.

Um membro tenta limpar-se para ser digno de Jesus. Um discípulo reconhece a sua sujeira e sabe que não tem poder em si mesmo para limpar-se, a não ser pelo sangue de Jesus, e só pode dizer como o apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15 – NVI).

Jesus certa vez disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). Ainda disse mais: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15.12-13). “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros"(João 15.17).

O que enche seu coração? É amor, Graça e misericórdia? Ou é ódio, justiça e condenação? Responda sinceramente: você é discípulo de quem? 


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br