quinta-feira, 11 de maio de 2017

A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


"Eu, porém, clamo a Deus e o SENHOR me salvará! De tarde, de manhã e ao meio-dia, lamento angustiado, e Ele ouve a minha súplica”. 
(Salmo 55.16-17 - KJV)


Não, não quero falar das baleias esse incrível mamífero dos mares (pois é, baleia não é peixe), sejam elas azuis, cinzas ou de qualquer outra cor. Baleia azul, no caso é um jogo de desafios, supostamente criado na Rússia e que se espalhou pelo mundo. Muito se tem falado sobre esse jogo. Vários jovens e adolescentes estão sendo aliciados para cumprir as tarefas deste jogo da morte, pois o último “desafio” é tirar a própria vida. 

Alguns apontam os pais como culpados – com certeza os pais têm sua parcela de culpa em alguns casos, mas não em todos. Outros culpam a tecnologia, como se ela, em si mesma, fosse capaz de levar alguém a tirar sua própria vida. Outros culpam os próprios jovens e adolescentes. Afinal, essa geração conectada vive desconectada da realidade e se tornando cada vez mais superficial. Penso que ainda não chegamos ao cerne da questão.

Qual é o culpado então? 

Parece que se descobrirmos o culpado, quem sabe, poderíamos prendê-lo e tudo voltaria ao normal – alguns pensam. São os pais os culpados? A tecnologia? O jogo em si? Os jovens e adolescentes que adoram desafios sem se preocuparem com as consequências? Penso que, na verdade, muitos se matam diariamente muito antes de qualquer jogo – em média uma pessoa se mata por minuto no mundo. Buscamos um bode expiatório para colocar a carga de todas as responsabilidades. 

Na verdade, existe uma baleia azul em cada coração, tanto dos pais quanto nos filhos. Uma baleia enorme chamada: vazio existencial. Ou você pode chamar de qualquer outro nome. O fato é que ela existe dentro de cada ser humano, independente dele ser criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso. Alguns chamam de falta de Deus (embora que quem tem Deus também pensa em morrer), outros, de propósito na vida. Enfim, não importa o nome, o importante é detectar essa baleia na alma, antes que ela engula o teu ser.

Muitos, na Bíblia inclusive, já pensaram em tirar a própria vida. Há pelo menos três personagens que pediram para si a morte: Elias (1Reis 19.4); Jó (Jó 7.15) e Jonas (Jonas 4.3). Elias, por exemplo, pensou que não tinha mais o que fazer. A falta de propósito desanima qualquer um, com ou sem baleia azul. Para mim, em alguns casos, aqueles que querem morrer é simplesmente porque estão exaustos de não viver. Aí vem a ansiedade, depressão, jogos e outros males atuais que impulsionam esse desejo.

O apóstolo Paulo disse certa vez: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipense 1.21). Não que ele desejasse a morte como fuga de sua vida. Ele entendia que sua vida estava nas mãos de Deus e se Ele quisesse o apóstolo poderia ainda viver para continuar abençoando o povo. Por isso ele disse nos versículos seguintes: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne”. (Versos 23-24). 

Muitos só querem uma desculpa para dar vazão a alguma coisa que lhes traga algum alivio. A dor na alma é muito grande causada por diversos fatores como: abandono, depressão, falta de significado, sofrimentos diversos causados por ele mesmo ou por outros, medos diversos, enfim, as baleias são infindáveis.

Não procure baleia alguma, conheça o cordeiro. Troque a baleia pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se você está sobrecarregado e cansado da existência Ele te diz o seguinte: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

Entregue os seus problemas a Cristo. Faça o que diz o apóstolo Pedro: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5.6-7). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sábado, 15 de abril de 2017

VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?



VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?


Você é discípulo de quem? A maioria das pessoas que se dizem discípulos de Jesus, na verdade não o é. Eles seguem a uma organização, denominação ou ao homem, quer seja ele pastor, apóstolo, bispo ou algum líder surtado.

Ser discípulo de Jesus é saber que não há barganhas a fazer. É relacionamento e não adesão. É conhecer uma pessoa e não uma ideia ou promessas vãs. Não é frequentar a igreja enquanto o pastor ou líder me servirá como aquele que satisfará as minhas demandas e quando ele as deixar de fazê-lo eu procurar outro líder que assim o faça. As demandas religiosas são infindáveis. Ou então, quando eu não ter o que penso que mereço das mãos dele, vou em busca do meu próximo salvador.

Em Jesus não temos demandas religiosas, temos obediência em Graça, não pelo que Ele pode nos dar, mas por quem Ele é. Graça não é auto justificação. É reconhecimento que das mãos dEle recebemos amor, perdão e misericórdia.

Quem ainda não aprendeu a ser discípulo quer sempre juízo. Quer que o fogo caia do céu na cabeça dos inimigos. Quer sempre ser o maior. Quer os primeiros lugares. Ambiciona títulos e cargos. Corta orelhas. Pensa saber, sem saber o que se deve saber. Julga sem medo de ser julgado. Aponta dedos. Acha-se superior aos demais pecadores. Bate no peito e se orgulha da justiça própria. Nada é mais farisaico do que isso.

O discípulo é humilde, perdoador e misericordioso. Porque sabe que se não o for não receberá misericórdia. Ele não procura o pináculo do templo, mas anda aonde os pecadores estão, pois se identifica com eles. Eles têm o mesmo cheiro. Sabe das mesmas limitações. Reconhece que é pó, cinza, nada. E é consciente que apesar dessa nulidade Jesus lhe ama incondicionalmente.

O fruto do Evangelho é sempre amor, misericórdia e paz. O que passar disso é religiosidade. Se o mensageiro traz sempre a espada, pode ter certeza de que não é discípulo de Jesus. Um coração cheio de Jesus é um coração cheio de amor. Do contrário, é um coração religioso. E esse tipo de religiosidade ao invés de trazer vida, traz sempre morte, desprezo e ódio. O discípulo reconhece que só há um Senhor que pode julgar e esse não é ele.

Um membro sempre espera que suas necessidades sejam atendidas. Sempre estão à procura do afago de seu pastor ou líder. E quando este deixa de afagá-lo, logo é tido com um ser imprestável. Saiba de uma coisa: líderes são falhos e sempre vão nos decepcionar em algum momento. Mas a alma de um membro de igreja é sempre insaciável. O discípulo verdadeiro estimula a outros para que sirvam, sem ter a necessidade de ser servido. Um membro só pensa em si mesmo. Já o discípulo pensa nos outros. Um membro sempre vai achar que na igreja tem muita hipocrisia e pecados, mas não reconhece a hipocrisia e os pecados dele mesmo. Afinal, errado é sempre o outro. Ele e sempre a vítima sedenta de afagos e reconhecimentos.

Quando um discípulo está longe de sua congregação, lamenta, pois não consegue viver sem ter comunhão com os outros. O membro pode viver a vida toda sem ir para o templo. Prefere comungar com ninguém. Sua igreja é sua casa. Afinal, ele carrega um “Puff almofadado” e não uma cruz. A igreja é só um lugar que ele vai quando lhe dá vontade ou quando suas expectativas são supridas. Um lugar onde ele pode receber tudo, sem fazer ou contribuir com nada.

Um membro tenta limpar-se para ser digno de Jesus. Um discípulo reconhece a sua sujeira e sabe que não tem poder em si mesmo para limpar-se, a não ser pelo sangue de Jesus, e só pode dizer como o apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15 – NVI).

Jesus certa vez disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). Ainda disse mais: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15.12-13). “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros"(João 15.17).

O que enche seu coração? É amor, Graça e misericórdia? Ou é ódio, justiça e condenação? Responda sinceramente: você é discípulo de quem? 


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 30 de março de 2017

O AMOR PARA QUEM ERRA



O AMOR PARA QUEM ERRA



Geralmente quem acerta, quem chega em primeiro, quem é sempre vencedor, é sempre amado, admirado, idolatrado. Quando você está no topo nunca ficará sem admiradores, sem tapas nas costas e sem abraços vazios. Os fãs adoram idolatrar seu igual. Muitas vezes por ele está no lugar que se deseja estar. Ou simplesmente porque precisamos de alguém para nos espelharmos. Para que sirva de modelo, um padrão para ser alcançado ou simplesmente contemplado. Fazendo isso nos esquecemos de quão medíocre somos. Ou de quão vazio a alma humana é. Gostamos dos holofotes, se não for em nós, que pelo menos seja no outro. Contemplamos o espelho do nosso ego. É fácil amar os vencedores.

Difícil é amar quem erra, quem comete falhas, quem chega por último. Quem reconhece suas limitações e pecados. Àquele que frustra suas expectativas. Quem tem a consciência de que é pó. De, apesar de tanto se esforçar, nunca chegará em primeiro lugar na competição da vida, na corrida dos que querem ser sempre ovacionados. Muito difícil tentar satisfazer as expectativas dos outros, pelo simples fato de viver pelo outro e não por si mesmo. Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado? 

Os homens só amam quem lhes dá alegria e supre todas as suas expectativas. E geralmente as expectativas são irreais. No mínimo, inatingíveis. Exige-se muito de quem só pode dar pouco. Mas o pouco é insuficiente. Sempre será insuficiente. Sempre querem mais e mais. São sanguessugas da alma alheia. E se você fizer noventa e nove por cento, mas errar em um por cento, isso já basta para ser vituperado, massacrado e julgado sem apelações. Ou como diria o grande poeta Augusto dos Anjos: “Somente a Ingratidão – esta pantera – foi tua companheira inseparável! (...) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

O julgamento humano geralmente é imperfeito. É como um cego que julga um surdo por este não poder ouvir. O que a gente não percebe é que as necessidades dos outros são infindáveis. Se você tentar suprir a todos sempre, sua alma é que morrerá de inanição. E quando você tenta agradar a todo mundo, no final, você sempre será o mais prejudicado.

Ainda bem que o amor de Deus é diferente. Deus nos ama apesar de quem somos e dos erros que cometemos. Ele sabe que somos pó. Ele sabe que somos humanos. Ele sabe que nunca seremos cem por cento em nada. Somos eternamente seres contraditórios. Somos dualidades. Como o sol e a lua. O dia e a noite. Em todos nós tem coisas boas e ruins. Cada cristão é ao mesmo tempo santo e pecador. Ora acertamos, ora erramos. Mesmo assim somos metades quem se completam. Errar é condição humana. Só Deus não erra. Só Ele é perfeito. O amor dEle é aquilo que nos faz andar no chão da vida, pisando nas flores e espinhos que aparecem em cada esquina. E em cada momento Ele está segurando em nossas mãos e nos oferecendo seu colo para podermos descansar. Sem julgamentos, sem pressões, sem condenações impostas. Como um pai carinhoso que, apesar das falhas dos filhos, sabe o que é amar incondicionalmente. Ainda bem...



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br


terça-feira, 29 de novembro de 2016

RIR É FUNDAMENTAL


RIR É FUNDAMENTAL


“(...) Tempo de rir” Eclesiastes 3.4


Ser cristão é ser alegre. A religiosidade é que faz as pessoas ficarem chatas e horrivelmente intragáveis. Conheço muitas assim. Jesus também conviveu com muita gente assim. Já reparou que as pessoas que foram mais repreendidas por Jesus foram os religiosos, aqueles que se achavam mais santos que os outros? Sobre Cristo se diz que: “...Deus, o teu Deus, te escolheu e ungiu com óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros” (Hebreus 1.9). Óleo de alegria só o Espírito Santo dá. Quem não tem não pode ser visceralmente alegre. Infelizmente acho que muitos estão precisando desse óleo nas igrejas. 

A alegria em Cristo deve ser vista além das quatro paredes de um templo. No momento do culto cantamos: “a alegria do Senhor a nossa força é”. Mas que alegria é essa que só dura até o fim de um culto no domingo? Se Cristo habita em nossos corações, então devemos demonstrar isso no dia a dia. A alegria na alma transborda para os lábios. É impossível não sorrir. Até em momentos que nunca imaginamos. Já me deu vontade de rir em momentos constrangedores. Para mim sorrir é fundamental. Ou como já disse Charles Chaplin: “Um dia sem rir é um dia desperdiçado”. 

O riso, na história, sempre foi incompreendido, e até hoje o é, principalmente, no mundo evangélico. Para muitos ser “crente” é ser sempre aquele cara chato que acha que tudo é pecado e fica constrangido com a alegria alheia. Nas obras de Filebo, na República de Platão e também na Poética de Aristóteles já se encontram comentários sobre o riso. Platão diz que o risível é como um vício. Para ele, o riso e o risível seriam prazeres falsos, onde só os medíocres vivem rindo, pois entendia que o riso os afasta de buscar o prazer da verdade filosófica. Na Idade Média, em geral, o riso foi condenado. Era sempre sinal de fraqueza. Lembra do filme “O nome da rosa”?

Muitos pais da Igreja condenaram-no sob qualquer aspecto. Por isso, para a Igreja, um cristão não deveria rir, à semelhança do Mestre. O riso teria aparecido na história cristã, segundo pensavam, quando Adão pecou, sendo assim uma fraqueza humana. Não sei se é verdade, mas dizem que Martinho Lutero não achava assim... Ele havia dito que: “Se é proibido rir no céu, não quero ir para lá”. Regra geral, o riso demorou para ser reconhecido como algo benéfico. No entanto, Salomão já sabia que “o coração alegre é como o bom remédio” (Provérbios 17.22). O riso é terapêutico. Faz bem para a alma. 

Rir não é pecado. Muitos homens de Deus gostavam de rir. Charles Spurgeon, por exemplo, conhecido como o príncipe dos pregadores, era muito bem-humorado. Vez por outra, como pregador, prefiro fazer o povo sorrir que dormir. Algumas pregações têm efeito sonífero. Derrubam qualquer um. São verdadeiros calmantes verbais. Depois de 5 minutos ouvindo já estamos no mundo de Morfeu. 

Já escrevi no meu livro “Tudo tem um tempo determinado” que detesto gente chata. Como eu disse: “não é por nada não, é mais porque gente chata me consome a alma”. Não me acrescentam em nada. Quero conviver sempre com pessoas que me acrescentem alguma coisa boa. Mas esse tipo não me traz alegria alguma. Nem faço questão de falar com pessoas assim. Se não me dirigirem a palavra melhor ainda. Menos uma nuvem negra no meu dia de sol. Também trocar farpas com gente chata não vale a pena. A vida é muito curta para ficar desperdiçando com o veneno dos outros. Essas sanguessugas da alegria. Seres intragáveis. Claro, ficar chato uma vez perdida é até normal, o problema é ser chato 24 horas por dia. 

Gente alegre é diferente. É um bálsamo para a alma. Um alivio para o coração. Uma pessoa de bem com a vida rir de seus próprios defeitos. Nos dias nublados enxergam além das nuvens escuras. Reconhecem suas imperfeições. Sabem que nessa vida nem tudo tem que ser visceral, duro e sério. Coloque óleo da alegria em sua vida enferrujada. Já disse e vou repetir até o dia que eu morrer: detesto gente chata. Portanto, enquanto o ponto final não chega:


Sorria

Sorriso ou pranto?
É vírgula ou ponto?
Se bem ou mal,
Sorria sempre,
Pois por enquanto,
Aquele ponto,
Não é o final.



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DEUS É MAIS SIMPLES QUE AS RELIGIÕES


DEUS É MAIS SIMPLES QUE AS RELIGIÕES


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”
(Mt 11.28-30).



“Deus é mais simples que as religiões”, disse o poeta Mário Quintana, que não se considerava um religioso, embora fosse criado nos moldes do catolicismo. Eu particularmente acho que ele poderia ser agnóstico, não um ateu propriamente dito. Agnóstico é aquele que pode até acreditar na existência de Deus, embora não tenha certeza que de fato Ele exista. Literalmente falando um agnóstico é aquele que não tem o conhecimento necessário sobre a certeza da existência de uma divindade superior (um não conhecimento), pois “gnose” significa conhecimento. Em certo sentido eu concordo com a frase. Geralmente as religiões complicam tudo. 

Deus é simples, não no sentindo de ser simplista ou cuja constituição se pode conhecer plenamente. Não dá para dissecarmos a Deus como se faz com um cadáver humano para que se conheça seus pormenores. Deus é infinitamente Ele. Só Ele é o que é. Nesse sentido Ele é altamente complexo. Impossível a concepção pela mente humana. Como disse Santo Agostinho: “O finito não pode conhecer o infinito”. 

Deus é simples no sentido de se deixar conhecer. E nesse “deixar-se conhecer”, que conhecemos dEle já nos é suficiente. Sem barganhas, sem sacrifícios e sem teorizações filosóficas. Em contrapartida a religião exige normas, regras sobre-humanas, leis impraticáveis. É preciso cumprir exaustivamente os sacrifícios, oferendas e exigências das divindades mal-humoradas. 

Em Jesus tudo isso fica em segundo plano. As exigências do Deus-Pai foram cumpridas pelo Deus-Filho. É coisa de Deus não de homens. Nenhum homem poderia cumprir as exigências do Deus Eterno. E Cristo o nosso substituto pede pouca coisa, aliás, uma só coisa: que se creia nEle. Por isso o seu jugo é suave e seu fardo é leve. 

Um jugo, se você não sabe, é tipo uma peça de madeira que se colocava no pescoço dos animais. Geralmente eram dois bois ou outros animais fortes. Se fazia assim para que se controlasse o arado onde se fazia os sulcos no terreno, preparando-o para a plantação. O jugo desigual seria colocar a peça em dois animais de espécies diferente. Um boi e um cavalo, por exemplo. O que era proibido pela Lei (Deuteronômio 22.10). 

O jugo de Jesus é suave porque não carregamos o fardo da vida sozinhos. Ele sempre está conosco para nos ajudar. O alivio vem dEle. Todo descanso para a alma cansada só pode vir dEle. A religião nua e crua ao invés de aliviar a carga, aumenta o sofrimento do ser humano porque ela é quase sempre desumana. Essa é a diferença de Jesus e da religião. 

O fardo da religião é pesado. E como é pesado. O apóstolo Paulo sabia disso. Ele era um fariseu insensível. Um religioso que matava em nome de Deus. Um líder religioso que não conhecia a Graça, o amor e o perdão de Deus. Até que teve um encontro com o Mestre dos mestres. No caminho de Damasco (Atos 9) ele descobriu que servir a Jesus é uma coisa, servir a religião é outra totalmente diferente. Ele tentava viver perfeitamente. Era sincero no que fazia. Tantas exigências para que se viva uma vida intocável, pura e perfeita. Mas como um imperfeito pode viver perfeitamente?

A religião sufoca, mata, oprime... A religião escraviza, Cristo liberta. A religião entristece, Cristo dá alegria. A religião reprime, Cristo dá paz. A maioria das pessoas têm fé em algo, mas é preciso ter fé em alguém. É nisso que as religiões erram. O algo é efêmero, o alguém tem que ser Eterno. O algo é fraco, frágil, pueril. O alguém deve ser Todo-poderoso e imortal. 

Mas também não podemos colocar nossa fé em qualquer alguém. Esse alguém tem que ser Deus-Cristo, do contrário, colocar a fé em homens ou na religião vazia é outro grande erro que não se deve cometer. Hoje as pessoas estão crendo em falsos apóstolos, profetas, bispos e líderes falíveis. Colocar a fé na religião é colocar a fé em algo. Crer em Jesus é colocar a fé em alguém que não pode mentir. É esse alguém que merece ser adorado e amado com todas as nossas forças. Você está colocando sua fé em algo ou em alguém? Lembre-se do que Ele disse: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”. João 3.36 (KJV). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


“Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem”. (Efésios 4.29 – KJV)


Você soube o que aconteceu com fulano? (...) 

Se você ficou curioso sobre o que eu poderia dizer a partir da pergunta acima, pode ser que você seja uma pessoa que se agrada em saber as agruras e os pecados dos outros e possivelmente se deleite com isso. Quando falamos mal de alguém é porque nos julgamos melhores do que aquele alguém que estamos falando. Nos sentimos bem pois, afinal, não foi a gente que possivelmente praticou algum pecado. Você julga-se bom. Quase sem pecados. Afinal, como disse o filósofo Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”.

Seria mesmo verdade que o mal está no outro?

Quem fala mal do outro tem que estar numa posição privilegiada. Ou então é apenas pura inveja do objeto da conversa. Vi esses dias uma frase que me chamou a atenção. Dizia assim: “Você não pode julgar as pessoas só porque elas pecam de uma forma diferente da sua”. Achei muito interessante e verdadeiro. Afinal, quem não peca, quem não erra? Já disse Jesus: “Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra” (João 8.7).

No entanto, é verdade também que há pessoas que são venenosas – você conhece alguém assim? As palavras que saem da boca de muitas pessoas são puro veneno. São pessoas que não conseguem falar bem de ninguém. Só veem os defeitos e os ampliam com suas palavras carregadas de ódio disfarçado de “minha opinião”.  Onde “ser venenoso” transformou-se hoje em “ser sincero”.

As pessoas esquecem de uma verdade inexorável: as palavras ferem. E como ferem. Às vezes criam feridas que outros levam para o resto de suas vidas. 

O apóstolo Paulo nos adverte, em sua epístola aos Efésios, que da nossa boca não deveria sair nada “torpe”. A palavra “torpe” aqui, em grego, é “sapros”, que é utilizada para árvores podres que produzem frutos igualmente podres. São pessoas cujas conversas enegrecem a alma, nem sempre a do objeto de detração, mas, com certeza, daqueles que dialogam diabolicamente com aquele sorriso disfarçado nos lábios.

O que Paulo recomenda é que se faça justamente o contrário. As palavras que deveriam sair de nossas bocas deveriam ser para a edificação, ou seja, para o crescimento das pessoas e não para destruí-las. Palavras de ânimo. Cheias de misericórdia e amor. Quando tratamos as pessoas assim estamos praticando o Evangelho de Jesus. Caso contrário, seremos semelhantes aos fariseus, religiosos cheios de razão e nenhum espírito de perdão e graça.

Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12.34). Já pensou sobre isso? Quando falo mal de alguém estou apenas expondo o próprio mal que há em mim. Se somos de fato cristãos pensaremos duas vezes antes de falar de alguém. Ao invés de usar as palavras como espada na vida dos outros, nossas palavras devem ser cheias de consolo e graça. O apóstolo lembra-nos que devemos usá-las de forma boa, edificante, no tempo certo e cheias da graça de Cristo. Como estamos precisando de pessoas assim hoje em dia. A decisão é sempre nossa. A decisão de como usar a língua é sua. Nesse sentido, ou seremos sábios ou tolos como diz Provérbios 12.18: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina”. Noutra versão diz assim: As palavras do tagarela ferem como espada de dois gumes, todavia a língua dos sábios promove a cura”.

Não coloque lenha nas fogueiras dos outros, você pode ser o único que se queimará. A calúnia e difamação além de ser pecado é um crime. O apóstolo Tiago nos adverte: Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tiago 3.6). Lembre-se do que disse também o sábio Salomão: “Sem lenha o fogo se apaga, sem o caluniador encerra-se a briga” (Pv 26.20).

A sua língua tem ferido ou trazido cura aos seus ouvintes? Responda sinceramente: se você pudesse engolir suas palavras, elas te nutririam ou te envenenariam?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

OS IDIOTAS DE CRISTO



OS IDIOTAS DE CRISTO

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. 
(Atos 4.13)

Muitos líderes, hoje em dia, têm colocado sobre si uma áurea de espiritualidade tão grande quanto à soberba deles. Alguns se colocam em pedestais quase intransponíveis. São pessoas que gostam dos primeiros lugares; das ovações de crentes idólatras; de pavoneamento sem fim para deleite de um grupo religioso que quanto maior, melhor. Acham-se até participantes de uma classe "especial" de ungidos, diferente dos outros menos abastados colegas de ministério.

As palavras do apóstolo Paulo em 2Coríntios 11.30-31 soam quase como uma blasfêmia. Ele disse: “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”. Quem já viu se gloriar em fraquezas? No mundo gospel atual isso é inconcebível. Um pastor é um “homem de Deus”; um ser superpoderoso; um “ungido” que vai solucionar todos os seus problemas; alguém que só conta vitórias e feitos extraordinários – pelo menos é isso que muitos pensam.

Contudo, creio que Deus escolhe os mais improváveis e indignos para serem pastores. Os incapacitados de si mesmo para serem capacitados por Ele. Ele escolhe não os “melhores”, mas geralmente os indignos.

Deus ama usar aqueles que são considerados despreparados e desprezíveis. Ele não está atrás, necessariamente, de pessoas de boa aparência; ou de boa oratória (eloquência não faz o pregador); ou aquele que tem muito dinheiro; ou o que tem muitos talentos; pelo contrário, Paulo vai dizer o seguinte: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1Coríntios 1.26-29).

Para alguns, ser um simples pastor de almas já não dá muito status. Alguns já nem querem mais esse título, preferem algo maior, grandioso, que chame mais a atenção. Que traga holofotes sobre si. Que impressionem os "crentes" deste século ávidos por novidades. Alguns se intitulam de apóstolo, iluminado, ungido com uma unção especial, paipóstolo – porque apóstolo já está ficando sem graça. O que virá depois? Seria: "pascanjo" (uma mistura de pastor e arcanjo); "apostobin" (uma mistura de apóstolo e querubim)? Não foi isso que aprendemos dos verdadeiros servos de Deus. Por exemplo:

– Moisés alegava não ser digno, pois nem sequer sabia falar.
– Isaías se achava muito impuro.
– Amós, apenas um boieiro.
– João, não se achava digno de amarrar as alparcas do Senhor.
– Lutero, se referia a si próprio como um “saco de vermes”.

Verifica-se sempre na vida dos verdadeiros homens de Deus a questão da humildade, uma palavra pouco praticada na vida de muitos líderes. Sundar Singh, o chamado "apóstolo dos pés sangrentos", contou certa vez uma história:

– Um lixeiro converteu-se ao Cristianismo, tornou-se testemunha de seu Salvador. Quem o ouvia, comentava: "Este homem possui algo que ainda não temos". Um transeunte, certa vez, perguntou: "Por que ouvem com tanto respeito um lixeiro?" Ele mesmo respondeu: "Quando meu Salvador ia para Jerusalém montado num jumento, o povo trouxe capas e as colocou sob seus pés. Não sob os pés de Cristo, mas sob as patas do jumento. Por que fazer isso a um animal?

– É que nele vinha montado o Rei dos reis, Senhor dos senhores. Desde o momento em que Cristo o deixou, ninguém nunca mais pensou naquele jumento: Foi honrado somente enquanto Cristo o cavalgou”. Que assim seja em nossas vidas! 


Em Atos 4.13 a palavra grega para “incultos” é “idiotes” que significa, aqui, “sem instrução”; “simples cidadão”; “homem do povo”. Mário Sérgio Cortella no livro: “Política para não ser idiota”, lembra que a palavra grega “idiotes” quer dizer, a pessoa que só enxerga a si mesmo, aquele que só vive a vida privada, que recusa se envolver com a vida política. Ela é a origem da palavra “idiota”. Percebe? Não tem o sentido como nós a usamos hoje, de forma pejorativa, como alguém sem razão ou inteligência, um estúpido.

Então, Pedro e João foram chamados de idiotas. Os idiotas de Cristo. Eram homens do povo. Nesse sentido eu também quero ser chamado de idiota, você não? Aqueles que vivem no meio do povo simples. Não nos palácios dos reis e imperadores deste mundo pecaminoso. Claro que Cristo usa homens sábios e inteligentes como foi o apóstolo Paulo e muitos outros. Mas eles também se consideravam indignos de tal honra. O que importava não era o título que recebiam, aqueles homens haviam estado com Jesus e foi isso que fez a diferença na vida deles. Cristo é aquele que trabalha com os “idiotes” para fazê-los vasos de honra. Lembra-se do jumentinho? Interessante é que a única vez que Jesus disse que precisava de alguém, esse alguém foi um jumento (Mc 11.2-3).

Você foi chamado de idiota por seguir a Cristo ou coisa parecida? O que fazer? Passe tempo com Jesus, aos seus pés, recebendo as instruções para a vida eterna e ele transformará tua alma e tua vida para sempre. Queira apenas estar com Jesus, no fim das contas “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (Lc 10.42) Escolha, pois, a melhor parte.

Não importa quão pequenino você pareça ser, o importante é o Cristo gigantesco que você leva dentro de si, na tua vida, na tua família e na tua igreja. Mesmo que alguém diga que você é um idiota, não reclame, chamaram assim também com Pedro. “Idiota de Cristo”, eis um título interessante que os pregadores de hoje não querem ter.

Paulo estava certo quando disse: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém...”. (Romanos 12:3).




Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
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