sábado, 15 de abril de 2017

VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?



VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?


Você é discípulo de quem? A maioria das pessoas que se dizem discípulos de Jesus, na verdade não o é. Eles seguem a uma organização, denominação ou ao homem, quer seja ele pastor, apóstolo, bispo ou algum líder surtado.

Ser discípulo de Jesus é saber que não há barganhas a fazer. É relacionamento e não adesão. É conhecer uma pessoa e não uma ideia ou promessas vãs. Não é frequentar a igreja enquanto o pastor ou líder me servirá como aquele que satisfará as minhas demandas e quando ele as deixar de fazê-lo eu procurar outro líder que assim o faça. As demandas religiosas são infindáveis. Ou então, quando eu não ter o que penso que mereço das mãos dele, vou em busca do meu próximo salvador.

Em Jesus não temos demandas religiosas, temos obediência em Graça, não pelo que Ele pode nos dar, mas por quem Ele é. Graça não é auto justificação. É reconhecimento que das mãos dEle recebemos amor, perdão e misericórdia.

Quem ainda não aprendeu a ser discípulo quer sempre juízo. Quer que o fogo caia do céu na cabeça dos inimigos. Quer sempre ser o maior. Quer os primeiros lugares. Ambiciona títulos e cargos. Corta orelhas. Pensa saber, sem saber o que se deve saber. Julga sem medo de ser julgado. Aponta dedos. Acha-se superior aos demais pecadores. Bate no peito e se orgulha da justiça própria. Nada é mais farisaico do que isso.

O discípulo é humilde, perdoador e misericordioso. Porque sabe que se não o for não receberá misericórdia. Ele não procura o pináculo do templo, mas anda aonde os pecadores estão, pois se identifica com eles. Eles têm o mesmo cheiro. Sabe das mesmas limitações. Reconhece que é pó, cinza, nada. E é consciente que apesar dessa nulidade Jesus lhe ama incondicionalmente.

O fruto do Evangelho é sempre amor, misericórdia e paz. O que passar disso é religiosidade. Se o mensageiro traz sempre a espada, pode ter certeza de que não é discípulo de Jesus. Um coração cheio de Jesus é um coração cheio de amor. Do contrário, é um coração religioso. E esse tipo de religiosidade ao invés de trazer vida, traz sempre morte, desprezo e ódio. O discípulo reconhece que só há um Senhor que pode julgar e esse não é ele.

Um membro sempre espera que suas necessidades sejam atendidas. Sempre estão à procura do afago de seu pastor ou líder. E quando este deixa de afagá-lo, logo é tido com um ser imprestável. Saiba de uma coisa: líderes são falhos e sempre vão nos decepcionar em algum momento. Mas a alma de um membro de igreja é sempre insaciável. O discípulo verdadeiro estimula a outros para que sirvam, sem ter a necessidade de ser servido. Um membro só pensa em si mesmo. Já o discípulo pensa nos outros. Um membro sempre vai achar que na igreja tem muita hipocrisia e pecados, mas não reconhece a hipocrisia e os pecados dele mesmo. Afinal, errado é sempre o outro. Ele e sempre a vítima sedenta de afagos e reconhecimentos.

Quando um discípulo está longe de sua congregação, lamenta, pois não consegue viver sem ter comunhão com os outros. O membro pode viver a vida toda sem ir para o templo. Prefere comungar com ninguém. Sua igreja é sua casa. Afinal, ele carrega um “Puff almofadado” e não uma cruz. A igreja é só um lugar que ele vai quando lhe dá vontade ou quando suas expectativas são supridas. Um lugar onde ele pode receber tudo, sem fazer ou contribuir com nada.

Um membro tenta limpar-se para ser digno de Jesus. Um discípulo reconhece a sua sujeira e sabe que não tem poder em si mesmo para limpar-se, a não ser pelo sangue de Jesus, e só pode dizer como o apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15 – NVI).

Jesus certa vez disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). Ainda disse mais: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15.12-13). “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros"(João 15.17).

O que enche seu coração? É amor, Graça e misericórdia? Ou é ódio, justiça e condenação? Responda sinceramente: você é discípulo de quem? 


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 30 de março de 2017

O AMOR PARA QUEM ERRA



O AMOR PARA QUEM ERRA



Geralmente quem acerta, quem chega em primeiro, quem é sempre vencedor, é sempre amado, admirado, idolatrado. Quando você está no topo nunca ficará sem admiradores, sem tapas nas costas e sem abraços vazios. Os fãs adoram idolatrar seu igual. Muitas vezes por ele está no lugar que se deseja estar. Ou simplesmente porque precisamos de alguém para nos espelharmos. Para que sirva de modelo, um padrão para ser alcançado ou simplesmente contemplado. Fazendo isso nos esquecemos de quão medíocre somos. Ou de quão vazio a alma humana é. Gostamos dos holofotes, se não for em nós, que pelo menos seja no outro. Contemplamos o espelho do nosso ego. É fácil amar os vencedores.

Difícil é amar quem erra, quem comete falhas, quem chega por último. Quem reconhece suas limitações e pecados. Àquele que frustra suas expectativas. Quem tem a consciência de que é pó. De, apesar de tanto se esforçar, nunca chegará em primeiro lugar na competição da vida, na corrida dos que querem ser sempre ovacionados. Muito difícil tentar satisfazer as expectativas dos outros, pelo simples fato de viver pelo outro e não por si mesmo. Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado? 

Os homens só amam quem lhes dá alegria e supre todas as suas expectativas. E geralmente as expectativas são irreais. No mínimo, inatingíveis. Exige-se muito de quem só pode dar pouco. Mas o pouco é insuficiente. Sempre será insuficiente. Sempre querem mais e mais. São sanguessugas da alma alheia. E se você fizer noventa e nove por cento, mas errar em um por cento, isso já basta para ser vituperado, massacrado e julgado sem apelações. Ou como diria o grande poeta Augusto dos Anjos: “Somente a Ingratidão – esta pantera – foi tua companheira inseparável! (...) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

O julgamento humano geralmente é imperfeito. É como um cego que julga um surdo por este não poder ouvir. O que a gente não percebe é que as necessidades dos outros são infindáveis. Se você tentar suprir a todos sempre, sua alma é que morrerá de inanição. E quando você tenta agradar a todo mundo, no final, você sempre será o mais prejudicado.

Ainda bem que o amor de Deus é diferente. Deus nos ama apesar de quem somos e dos erros que cometemos. Ele sabe que somos pó. Ele sabe que somos humanos. Ele sabe que nunca seremos cem por cento em nada. Somos eternamente seres contraditórios. Somos dualidades. Como o sol e a lua. O dia e a noite. Em todos nós tem coisas boas e ruins. Cada cristão é ao mesmo tempo santo e pecador. Ora acertamos, ora erramos. Mesmo assim somos metades quem se completam. Errar é condição humana. Só Deus não erra. Só Ele é perfeito. O amor dEle é aquilo que nos faz andar no chão da vida, pisando nas flores e espinhos que aparecem em cada esquina. E em cada momento Ele está segurando em nossas mãos e nos oferecendo seu colo para podermos descansar. Sem julgamentos, sem pressões, sem condenações impostas. Como um pai carinhoso que, apesar das falhas dos filhos, sabe o que é amar incondicionalmente. Ainda bem...



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br