terça-feira, 31 de outubro de 2017

OS "SOLAS" DA REFORMA PROTESTANTE


Os “Solas” da Reforma Protestante

“Porém enviou profetas entre eles, para os reconduzir ao SENHOR, os quais protestaram contra eles; mas eles não deram ouvidos”, 2Cr 24.19.


De onde vem o termo “protestante”? Recebemos o nome de protestantes pelo fato de Lutero, na época, ter conseguido poderosos aliados entre a nobreza e a alta burguesia, que o auxiliaram a difundir sua doutrina pelo norte da Alemanha, pela Suécia, pela Dinamarca e pela Noruega. Foram esses aliados que, em 1529, protestaram contra a preservação das medidas tomadas pelo imperador Clemente 7º contra Lutero, que impediam cada Estado de adotar sua própria religião.

A partir desse protesto é que se difundiu o nome “protestante” para designar os cristãos “não católicos”. A luta de Lutero, e de outros reformadores, não foi apenas contra as indulgências, mas para que houvesse um retorno à Palavra. A meu ver, esse mesmo clamor deve ser levantado nos dias hodiernos. Hoje, os protestantes não protestam mais. Calam-se diante dos erros e aplaudem os espetáculos eclesiásticos à semelhança das antigas indulgências.

A Igreja está – a semelhança dos tempos da Reforma Protestante – vivendo algumas crises. Gostaria de citar apenas duas:

1. CRISE DE IDENTIDADE – A primeira crise é a Crise de Identidade. Dentro da salada de mensagens que se ouve hoje uma pergunta nos intriga: o que é ser cristão nos dias hodiernos? Temos grandes dificuldades de identificar quem é cristão de fato e aqueles que estão só preocupados com seu bolso, cujo deus é o seu ventre. Urge cumprir o papel para qual o qual estamos neste mundo – sermos sal e luz. Temos hoje um grande desafio: crescer sem perder a identidade.

2. CRISE DOUTRINÁRIA – A segunda é a Crise Doutrinária. Prega-se de tudo, menos a Bíblia. Os púlpitos estão recheados de mensagens de auto-ajuda e psicologia divorciada de Bíblia. O que os homens necessitam não é de auto-ajuda e sim da ajuda do Alto. Por isso, é necessária uma auto-avaliação daquilo que os Reformadores tinham por saúde da Igreja: a sã doutrina. Uma Igreja sem a sã doutrina está doente e a ponto de sucumbir, definhar e morrer.

Onde poderíamos encontrar um resumo da sã doutrina? Respondo: nos “Solas” da Reforma Protestante. No entanto, os Solas da Reforma estão sendo substituídos na igreja de hoje. Ai é que se vê o impacto negativo que isso provoca.

Para que possamos entender isso de maneira mais clara precisamos conhecer alguns princípios defendidos pelos reformadores, que, infelizmente, são desconhecidos daqueles que se dizem protestantes hoje. O que são os Solas da Reforma? Poderíamos resumi-los nos seguintes:

SOLA SCRIPTURA: A Escritura Sagrada é a nossa única regra de fé e prática. Teoricamente é isso que um “protestante” clássico defende, no entanto, na prática não é o que se observa. “Somente a Bíblia” deveria significar que nada mais tem autoridade igual ou superior à da Palavra de Deus pra minha vida, quer seja a palavra de qualquer homem ou anjo, conforme: 2Tm 3.16-17; Ap 22.18-19 e Gl 1.8-9. Contudo, alguns dizem o seguinte: “eu sei que a Bíblia diz isso, mas eu tive uma revelação de Deus”. Ou, “não importa o que a Bíblia diz, o que importa é o que meu líder abençoado falou”. Mesmo que o “que ele falou” vá de encontro a Verdade.

Todo verdadeiro avivamento trouxe um retorno à Palavra. É preciso que nós mesmos nos alimentemos de alimento sólido que encontramos, não nas “novas revelações”, mas nas antigas doutrinas da Graça, como diz-nos o escritor aos hebreus: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento” – Hb 5.12.

É preciso entender que as experiências não estão acima das Escrituras, por mais extraordinárias que pareçam ser. O povo de Deus no decorrer da história sempre teve experiências com o Senhor – tanto boas quanto ruins –, no entanto, nenhuma delas é maior do que a Palavra Revelada, aliás, a Bíblia já nos adverte que devemos examinar as experiências pela Palavra e não o contrário – 1Jo 4.1. Quantas superstições e heresias antibíblicas têm penetrado nas igrejas que rejeitam esse importante princípio de “Sola Escriptura”?

SOLA GRATIA: Somente pela Graça é que somos salvos. Nossa salvação se dá somente pela graça de Deus. Não existe nem mesmo uma centelha de bondade no homem que tenha movido o criador a salvá-lo – Rm 3.10-20 e Tt 3.3-7. Para herdar o Reino dos Céus temos que ser “pobres em espírito”. Ou seja, somos tão pobres (ptochos em grego, significa aquele que não tem nada, miserável, mendigo) que nada temos para oferecer a Deus em troca de nossa salvação. Isso é justamente o oposto daquilo que muitas igrejas pregam hoje. Salvação não é conquistada por barganha. É por pura Graça de Deus. "E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça", Rm 11.6.

Hoje, prega-se que o homem precisa cooperar com a salvação. Fazendo correntes, sacrifícios, e barganhas com o Criador. Isso acontece tanto na Igreja católica como em algumas que se dizem evangélicas. Ou seja, você é salvo pelo seu esforço. Você conseguirá sua bênção se fizer algo pra Deus. Não há maior engano quanto a esse assunto. Efésios 2.8 é muito claro: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie”.

SOLA FIDE: O único meio pelo qual o homem pode se achegar a Deus é mediante a fé no sacrifício perfeito e substitutivo de Jesus Cristo. Obra, objeto ou pessoa alguma pode tomar o lugar da fé em Deus – Rm 1.17 e Ef 2:8. Hoje, o povo crer que se pode chegar a Deus através de amuletos abençoados. Criou-se um fetichismo evangélico, onde os objetos têm um poder inerente que vai trazer bênçãos sem fim – isso semelhante ao misticismo da Idade Média, tão combatido pelos reformadores. Homens no passado e no presente: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles...”, Fp 3.19.

SOLUS CHRISTUS: O único objeto da fé é Jesus Cristo. Ele é o salvador dos homens, o único caminho que nos leva a Deus. Qualquer outro tipo de mediação entre Deus e os homens que não seja por Jesus é invenção de mentes contaminadas pelo erro – At 4.12. Hoje, para muitos, Jesus Cristo não é mais o único caminho. É preciso crer na Igreja, no apóstolo ou no bispo ungido. È preciso Cristo voltar a ser o centro da pregação, do culto e da vida, para que a igreja chegue à maturidade: “Desejando afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”, 1Pd 2.2.

SOLI DEO GLORIA: Somente a Deus pertence toda a glória. Nada deve ser atribuído a nós ou a qualquer outro ser celestial, humano, vivo ou morto ou ordenança de igreja alguma a não ser a própria pessoa de Cristo. Tudo vem de Deus por Cristo. “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém”, Jd 25. Hoje, os holofotes estão direcionados ao homem (Pastores, cantores, crentes etc). O “show da fé” nas igrejas tomou o lugar da Glória de Deus.

Como disse Charles Spurgeon certa vez: “A apatia está por toda à parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”. Isso foi escrito a mais de cem anos. O que diria Spurgeon se vivesse hoje?


Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior

oapologista@yahoo.com.br

sábado, 7 de outubro de 2017

FILHOS: A OBEDIÊNCIA E PROMESSA NA ESFERA DO PACTO



FILHOS: A OBEDIÊNCIA E PROMESSA NA ESFERA DO PACTO


A vontade de Deus é que devamos obediência e respeito a todos os homens investidos de autoridade, especialmente aos nosso pais (a única exceção é quando os homens quebrarem os princípios da palavra, daí não somos obrigados a obedecer conforme ao que ensinou o apóstolo Pedro em Atos 5.29). A família, no entanto, apesar de ser uma instituição divina, não está isenta da falta de obediência de alguns. Os pais, desde cedo, devem exercer autoridade sobre os filhos. Lembrando que autoridade não é autoritarismo imposto. A Bíblia diz que há uma relação de obediência dos filhos em concordância com as obrigações paternas colocadas por Deus, ordenando que os pais também não podem ficar provocando à ira dos filhos (Ef 6.1,2).

A sociedade moderna tem sofrido enormes e profundas alterações, muitas delas de forma negativa dentro da família. O relacionamento familiar está cada vez mais difícil de lidar. Como família do Pacto devemos observar o que a Palavra diz para que possamos ser, senão uma família perfeita (embora seja impossível uma família que não cometa erros), sejamos uma família feliz e abençoada. Quero convidá-lo a examinar comigo, embora de forma sucinta, o que podemos aprender sobre esse importante assunto da obediência dos filhos na esfera do Novo Pacto.


I – O PARADIGMA DA FAMÍLIA MODERNA

Como falamos na introdução, hoje em dia é um grande desafio viver em família. Mas quando não o foi? Não se fazem mais filhos como antigamente – já ouviu isso alguma vez? Pode até ser, mas também não se fazem mais pais como antigamente. Para o bem e para o mal todas as gerações tiveram suas exigências. Ser pai numa sociedade pluralista e relativista como a nossa é um grande desafio, bem como, ser filho nessa época requer também suas agruras e preocupações. Segundo Hernandes Dias Lopes, por exemplo:

Quando Paulo escrever essa carta aos efésios, estava em vigência no Império Romano o regime do ‘pater postestas’. O pai tinha direito absoluto sobre o filho: podia casá-lo, divorciá-lo, escravizá-lo, vende-lo, rejeitá-lo, prendê-lo e até mesmo matá-lo (Hernandes Dias Lopes – Comentário aos Efésios – Igreja, a noiva gloriosa de Cristo. p. 161).

Já imaginou os pais com essa autoridade nos dias hodiernos? Claro que hoje em dia um outro extremo se estabeleceu: quem manda agora são os filhos. Eles é que determinam horários, preferências e regras gerais. Esta geração, talvez, seja a mais desobediente de todas – claro que estou exagerando, mas em muitos casos o é. Nada novo, pois o apóstolo Paulo já advertiu que nos últimos dias haverá homens: “amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães...” (2Tm 3.2).

Paulo, em Efésios 6, ensina que quem é de Cristo vai de contramão ao sistema mundano que troca a obediência por rebeldia. Um filho genuinamente convertido tem que ser obediente e saber honrar seus pais. E essa transformação só quem faz é o Evangelho. Um filho obediente com certeza será um espelho para àqueles que estão debaixo do jugo do pecado e das imposições sociais que estão fora dos princípios cristãos.

Para se ter uma ideia da seriedade com que Deus trata a questão da obediência dos filhos, a penalidade aplicada a um filho desobediente e rebelde na Antiga Aliança, era a morte (Deuteronômio 21:18-21). E se um filho amaldiçoasse ou batesse em seus pais deveria ser morto por apedrejamento (Êxodo 21:15, 17; Levítico 20:9). Se você é filho, agradeça a Deus por ter nascido no tempo da Graça.


II – EXISTEM DEVERES PARA OS FILHOS

No entanto, embora não estejamos vivendo a rigidez da Lei com relação à desobediência dos filhos, aprendemos com Paulo que não podemos fazer sempre o que queremos. Nem sempre gostamos do ônus, mas sempre queremos os bônus. Existem deveres dos filhos com relação aos pais. Por mais que os filhos não gostem, é um ensinamento bíblico claro.

Primeiro, é um princípio do Evangelho: “sede obedientes aos pais no Senhor” (6.1). Os filhos devem obedecer aos pais porque são, em primeiro lugar, servos de Cristo. Segundo, o filho deve obedecer aos seus pais: “pois isso é justo” (6.1). Calvino diz que: “O preceito: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’, compreende todos os deveres pelos quais a afeição sincera e o respeito dos filhos a seus pais podem ser expressos” (João Calvino – Comentário aos Efésios. p. 179). Lembrando-nos que a desobediência é um sinal de uma sociedade decadente. Terceiro, porque está de acordo com a vontade de Deus expressa na Lei: “este é o primeiro mandamento com promessa” (6,2-3). Quarto, quem honra pai e mãe tem a promessa de longevidade: para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra". (6.3).

O termo que Paulo usa em Efésios para “filhos” é “tekna”, plural de “teknon”. Fala do descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta carta, mas só em somente em 6.4 sugere criança ou adolescente. No entanto, pode se referir a filhos em qualquer idade. Em suma, pessoas que deve assumir a responsabilidade diante de Deus e de Sua Palavra (Ef 6.1). Pela graça de Deus um filho pode, auxiliado pelo Espírito Santo, ser exemplo de obediência em qualquer família.


III – FILHOS, HONRAI!

A honra para com os pais é um mandamento. Não é uma concessão. É dever dos filhos honrarem seus pais. O apóstolo Paulo escreveu: "Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra" (Efésios 6:2-3). Mas, o que significa honrar aos pais? A palavra grega “honrar”, significa valorizar ou considerar altamente, ter em grande estima. Alguém pode obedecer sem ter os pais em grande estima, ou apenas para obter alguma vantagem. Os pais erram e nem sempre são dignos de serem honrados. Mas, para o filho da Aliança isso é o de menos. Ele honra aos pais independente dos erros destes. Honrando aos pais eles estarão horando a Deus. Os filhos honram a seus pais, nas coisas simples do dia-a-dia, como ajudar nas tarefas do lar, por exemplo. Mas também nas coisas mais complexas, como ser o cuidador dos pais quanto estes estiverem mais velhos conforme nos diz Provérbios 23.22: “Ouve a teu pai, que te gerou e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer". Ou seja, a honra deve ser por toda a vida. Como disse, só há um limite nessa obediência: se os pais quererem coisas que desagradam a Deus. Daí o filho não é obrigado a obedecer por causa da autoridade maior sobre eles.

Honrar também significa ajudar financeiramente, conforme nos diz o apóstolo Paulo, usando a palavra honra num sentido financeiro: Trate adequadamente as viúvas que são realmente necessitadas. Mas se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus”. E o verso 8 ainda diz:  Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. (1 Timóteo 5:3-4, 8).

O texto de Efésios é muito importante para uma vida de obediência: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo" (Efésios 6.1). Como já falei a obediência tem uma razão: “É justo”. Nunca esqueça disso. Paulo na epístola aos colossenses vai dizer: "Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor" (Colossenses 3:20). E Salomão em provérbios exorta: "Filho meu, ouve o ensino do teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço" (Provérbios 1:8-9). O que nos chama a atenção é que a obediência tem que partir também de uma consciência dos filhos com relação aos pais, mas também dos pais com relação aos filhos. É uma via de mão dupla. Não se obedece apenas por obrigação ou imposição. Ela vem por ter a consciência do Evangelho e do Deus a quem servirmos. Ou seja, os filhos também têm vontades que precisam ser reconhecidas. E os pais também devem proporcionar um ambiente de amor e carinho. Não os provocando à ira.

Por fim, na explicação da pergunta 54 do catecismo menor de Westminster, “Que exige o quinto mandamento?”, o autor (não identificado) diz o seguinte:

O quinto mandamento exige a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores ou iguais” (Ef 5.21,22; 6.1, 5, 9; Rm 13. 1; 12. 10). Pais, no entendimento escriturístico e em consonância com a cultura de Israel, não são exclusivamente os genitores, mas todos os que exercem algum tipo de autoridade sobre a nova geração, especialmente a moral e a espiritual. Governar, no sistema patriarcal e em regime teocrático, significava exercer o poder paternal e sacerdotal sobre o clã. Foi, certamente, firmados em tal princípio que os teólogos de Westminster ampliaram o conceito de paternidade para que sua abrangência incluísse quaisquer autoridades superiores, por natureza, por vocação e por ofício, aos comandados. O governo ditatorial é incompatível com o patriarcal; o primeiro é imposto, o segundo emerge com a família, o clã medular, fonte de origem, base preservadora e força mantenedora da tribo. O chefe de estado e seus ministros, administradores da “família Dei”, todos os ancestrais, sacerdotes, líderes tribais e familiares eram considerados pais por ordenação divina e, como tais, respeitados, acatados e estimados.

Já o catecismo de Heidelberg traz a seguinte resposta para a pergunta 104, “o que Deus exige no quinto mandamento”? E a resposta é a seguinte:

R. Devo prestar toda honra, amor e fidelidade a meu pai e a minha mãe e a todos os meus superiores; devo submeter-me à sua boa instrução e disciplina com a devida obediência (1), e também ter paciência com seus defeitos (2); porque Deus nos quer governar pelas mãos deles (3). (1) Êx 21.17; Pv 1.8; 4.1; 15.20; 20.20; Rm 13.1; Ef 5.22; 6.1-2, 5; Cl 3.18, 20, 22. (2) Pv 23.22; 1Pe 2.18. (3) Mt 22.21; Rm 13.2, 4; Ef 6.4; Cl 3.20.


Ou seja, além da obediência os filhos também têm que ter paciência para com os defeitos dos pais. Nenhum pai é perfeito, mas suas imperfeições não podem ser desculpa para a desobediência. Por fim, Jesus é o nosso grande exemplo de obediência. Ainda que fosse o Verbo encarnado Ele foi submisso a seus pais humanos. Ele os honrou em todas as formas (Lucas 2.51). E uma das grandes verdades é que um filho que obedece, honra a seus pais, tendo Jesus como modelo principal, têm vidas mais felizes e, o mais importante, estão agradando a Deus!


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


"Eu, porém, clamo a Deus e o SENHOR me salvará! De tarde, de manhã e ao meio-dia, lamento angustiado, e Ele ouve a minha súplica”. 
(Salmo 55.16-17 - KJV)


Não, não quero falar das baleias esse incrível mamífero dos mares (pois é, baleia não é peixe), sejam elas azuis, cinzas ou de qualquer outra cor. Baleia azul, no caso é um jogo de desafios, supostamente criado na Rússia e que se espalhou pelo mundo. Muito se tem falado sobre esse jogo. Vários jovens e adolescentes estão sendo aliciados para cumprir as tarefas deste jogo da morte, pois o último “desafio” é tirar a própria vida. 

Alguns apontam os pais como culpados – com certeza os pais têm sua parcela de culpa em alguns casos, mas não em todos. Outros culpam a tecnologia, como se ela, em si mesma, fosse capaz de levar alguém a tirar sua própria vida. Outros culpam os próprios jovens e adolescentes. Afinal, essa geração conectada vive desconectada da realidade e se tornando cada vez mais superficial. Penso que ainda não chegamos ao cerne da questão.

Qual é o culpado então? 

Parece que se descobrirmos o culpado, quem sabe, poderíamos prendê-lo e tudo voltaria ao normal – alguns pensam. São os pais os culpados? A tecnologia? O jogo em si? Os jovens e adolescentes que adoram desafios sem se preocuparem com as consequências? Penso que, na verdade, muitos se matam diariamente muito antes de qualquer jogo – em média uma pessoa se mata por minuto no mundo. Buscamos um bode expiatório para colocar a carga de todas as responsabilidades. 

Na verdade, existe uma baleia azul em cada coração, tanto dos pais quanto nos filhos. Uma baleia enorme chamada: vazio existencial. Ou você pode chamar de qualquer outro nome. O fato é que ela existe dentro de cada ser humano, independente dele ser criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso. Alguns chamam de falta de Deus (embora que quem tem Deus também pensa em morrer), outros, de propósito na vida. Enfim, não importa o nome, o importante é detectar essa baleia na alma, antes que ela engula o teu ser.

Muitos, na Bíblia inclusive, já pensaram em tirar a própria vida. Há pelo menos três personagens que pediram para si a morte: Elias (1Reis 19.4); Jó (Jó 7.15) e Jonas (Jonas 4.3). Elias, por exemplo, pensou que não tinha mais o que fazer. A falta de propósito desanima qualquer um, com ou sem baleia azul. Para mim, em alguns casos, aqueles que querem morrer é simplesmente porque estão exaustos de não viver. Aí vem a ansiedade, depressão, jogos e outros males atuais que impulsionam esse desejo.

O apóstolo Paulo disse certa vez: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipense 1.21). Não que ele desejasse a morte como fuga de sua vida. Ele entendia que sua vida estava nas mãos de Deus e se Ele quisesse o apóstolo poderia ainda viver para continuar abençoando o povo. Por isso ele disse nos versículos seguintes: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne”. (Versos 23-24). 

Muitos só querem uma desculpa para dar vazão a alguma coisa que lhes traga algum alivio. A dor na alma é muito grande causada por diversos fatores como: abandono, depressão, falta de significado, sofrimentos diversos causados por ele mesmo ou por outros, medos diversos, enfim, as baleias são infindáveis.

Não procure baleia alguma, conheça o cordeiro. Troque a baleia pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se você está sobrecarregado e cansado da existência Ele te diz o seguinte: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

Entregue os seus problemas a Cristo. Faça o que diz o apóstolo Pedro: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5.6-7). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sábado, 15 de abril de 2017

VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?



VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?


Você é discípulo de quem? A maioria das pessoas que se dizem discípulos de Jesus, na verdade não o é. Eles seguem a uma organização, denominação ou ao homem, quer seja ele pastor, apóstolo, bispo ou algum líder surtado.

Ser discípulo de Jesus é saber que não há barganhas a fazer. É relacionamento e não adesão. É conhecer uma pessoa e não uma ideia ou promessas vãs. Não é frequentar a igreja enquanto o pastor ou líder me servirá como aquele que satisfará as minhas demandas e quando ele as deixar de fazê-lo eu procurar outro líder que assim o faça. As demandas religiosas são infindáveis. Ou então, quando eu não ter o que penso que mereço das mãos dele, vou em busca do meu próximo salvador.

Em Jesus não temos demandas religiosas, temos obediência em Graça, não pelo que Ele pode nos dar, mas por quem Ele é. Graça não é auto justificação. É reconhecimento que das mãos dEle recebemos amor, perdão e misericórdia.

Quem ainda não aprendeu a ser discípulo quer sempre juízo. Quer que o fogo caia do céu na cabeça dos inimigos. Quer sempre ser o maior. Quer os primeiros lugares. Ambiciona títulos e cargos. Corta orelhas. Pensa saber, sem saber o que se deve saber. Julga sem medo de ser julgado. Aponta dedos. Acha-se superior aos demais pecadores. Bate no peito e se orgulha da justiça própria. Nada é mais farisaico do que isso.

O discípulo é humilde, perdoador e misericordioso. Porque sabe que se não o for não receberá misericórdia. Ele não procura o pináculo do templo, mas anda aonde os pecadores estão, pois se identifica com eles. Eles têm o mesmo cheiro. Sabe das mesmas limitações. Reconhece que é pó, cinza, nada. E é consciente que apesar dessa nulidade Jesus lhe ama incondicionalmente.

O fruto do Evangelho é sempre amor, misericórdia e paz. O que passar disso é religiosidade. Se o mensageiro traz sempre a espada, pode ter certeza de que não é discípulo de Jesus. Um coração cheio de Jesus é um coração cheio de amor. Do contrário, é um coração religioso. E esse tipo de religiosidade ao invés de trazer vida, traz sempre morte, desprezo e ódio. O discípulo reconhece que só há um Senhor que pode julgar e esse não é ele.

Um membro sempre espera que suas necessidades sejam atendidas. Sempre estão à procura do afago de seu pastor ou líder. E quando este deixa de afagá-lo, logo é tido com um ser imprestável. Saiba de uma coisa: líderes são falhos e sempre vão nos decepcionar em algum momento. Mas a alma de um membro de igreja é sempre insaciável. O discípulo verdadeiro estimula a outros para que sirvam, sem ter a necessidade de ser servido. Um membro só pensa em si mesmo. Já o discípulo pensa nos outros. Um membro sempre vai achar que na igreja tem muita hipocrisia e pecados, mas não reconhece a hipocrisia e os pecados dele mesmo. Afinal, errado é sempre o outro. Ele e sempre a vítima sedenta de afagos e reconhecimentos.

Quando um discípulo está longe de sua congregação, lamenta, pois não consegue viver sem ter comunhão com os outros. O membro pode viver a vida toda sem ir para o templo. Prefere comungar com ninguém. Sua igreja é sua casa. Afinal, ele carrega um “Puff almofadado” e não uma cruz. A igreja é só um lugar que ele vai quando lhe dá vontade ou quando suas expectativas são supridas. Um lugar onde ele pode receber tudo, sem fazer ou contribuir com nada.

Um membro tenta limpar-se para ser digno de Jesus. Um discípulo reconhece a sua sujeira e sabe que não tem poder em si mesmo para limpar-se, a não ser pelo sangue de Jesus, e só pode dizer como o apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15 – NVI).

Jesus certa vez disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). Ainda disse mais: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15.12-13). “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros"(João 15.17).

O que enche seu coração? É amor, Graça e misericórdia? Ou é ódio, justiça e condenação? Responda sinceramente: você é discípulo de quem? 


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 30 de março de 2017

O AMOR PARA QUEM ERRA



O AMOR PARA QUEM ERRA



Geralmente quem acerta, quem chega em primeiro, quem é sempre vencedor, é sempre amado, admirado, idolatrado. Quando você está no topo nunca ficará sem admiradores, sem tapas nas costas e sem abraços vazios. Os fãs adoram idolatrar seu igual. Muitas vezes por ele está no lugar que se deseja estar. Ou simplesmente porque precisamos de alguém para nos espelharmos. Para que sirva de modelo, um padrão para ser alcançado ou simplesmente contemplado. Fazendo isso nos esquecemos de quão medíocre somos. Ou de quão vazio a alma humana é. Gostamos dos holofotes, se não for em nós, que pelo menos seja no outro. Contemplamos o espelho do nosso ego. É fácil amar os vencedores.

Difícil é amar quem erra, quem comete falhas, quem chega por último. Quem reconhece suas limitações e pecados. Àquele que frustra suas expectativas. Quem tem a consciência de que é pó. De, apesar de tanto se esforçar, nunca chegará em primeiro lugar na competição da vida, na corrida dos que querem ser sempre ovacionados. Muito difícil tentar satisfazer as expectativas dos outros, pelo simples fato de viver pelo outro e não por si mesmo. Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado? 

Os homens só amam quem lhes dá alegria e supre todas as suas expectativas. E geralmente as expectativas são irreais. No mínimo, inatingíveis. Exige-se muito de quem só pode dar pouco. Mas o pouco é insuficiente. Sempre será insuficiente. Sempre querem mais e mais. São sanguessugas da alma alheia. E se você fizer noventa e nove por cento, mas errar em um por cento, isso já basta para ser vituperado, massacrado e julgado sem apelações. Ou como diria o grande poeta Augusto dos Anjos: “Somente a Ingratidão – esta pantera – foi tua companheira inseparável! (...) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

O julgamento humano geralmente é imperfeito. É como um cego que julga um surdo por este não poder ouvir. O que a gente não percebe é que as necessidades dos outros são infindáveis. Se você tentar suprir a todos sempre, sua alma é que morrerá de inanição. E quando você tenta agradar a todo mundo, no final, você sempre será o mais prejudicado.

Ainda bem que o amor de Deus é diferente. Deus nos ama apesar de quem somos e dos erros que cometemos. Ele sabe que somos pó. Ele sabe que somos humanos. Ele sabe que nunca seremos cem por cento em nada. Somos eternamente seres contraditórios. Somos dualidades. Como o sol e a lua. O dia e a noite. Em todos nós tem coisas boas e ruins. Cada cristão é ao mesmo tempo santo e pecador. Ora acertamos, ora erramos. Mesmo assim somos metades quem se completam. Errar é condição humana. Só Deus não erra. Só Ele é perfeito. O amor dEle é aquilo que nos faz andar no chão da vida, pisando nas flores e espinhos que aparecem em cada esquina. E em cada momento Ele está segurando em nossas mãos e nos oferecendo seu colo para podermos descansar. Sem julgamentos, sem pressões, sem condenações impostas. Como um pai carinhoso que, apesar das falhas dos filhos, sabe o que é amar incondicionalmente. Ainda bem...



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
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