quinta-feira, 11 de maio de 2017

A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


A BALEIA NOSSA DE CADA DIA


"Eu, porém, clamo a Deus e o SENHOR me salvará! De tarde, de manhã e ao meio-dia, lamento angustiado, e Ele ouve a minha súplica”. 
(Salmo 55.16-17 - KJV)


Não, não quero falar das baleias esse incrível mamífero dos mares (pois é, baleia não é peixe), sejam elas azuis, cinzas ou de qualquer outra cor. Baleia azul, no caso é um jogo de desafios, supostamente criado na Rússia e que se espalhou pelo mundo. Muito se tem falado sobre esse jogo. Vários jovens e adolescentes estão sendo aliciados para cumprir as tarefas deste jogo da morte, pois o último “desafio” é tirar a própria vida. 

Alguns apontam os pais como culpados – com certeza os pais têm sua parcela de culpa em alguns casos, mas não em todos. Outros culpam a tecnologia, como se ela, em si mesma, fosse capaz de levar alguém a tirar sua própria vida. Outros culpam os próprios jovens e adolescentes. Afinal, essa geração conectada vive desconectada da realidade e se tornando cada vez mais superficial. Penso que ainda não chegamos ao cerne da questão.

Qual é o culpado então? 

Parece que se descobrirmos o culpado, quem sabe, poderíamos prendê-lo e tudo voltaria ao normal – alguns pensam. São os pais os culpados? A tecnologia? O jogo em si? Os jovens e adolescentes que adoram desafios sem se preocuparem com as consequências? Penso que, na verdade, muitos se matam diariamente muito antes de qualquer jogo – em média uma pessoa se mata por minuto no mundo. Buscamos um bode expiatório para colocar a carga de todas as responsabilidades. 

Na verdade, existe uma baleia azul em cada coração, tanto dos pais quanto nos filhos. Uma baleia enorme chamada: vazio existencial. Ou você pode chamar de qualquer outro nome. O fato é que ela existe dentro de cada ser humano, independente dele ser criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso. Alguns chamam de falta de Deus (embora que quem tem Deus também pensa em morrer), outros, de propósito na vida. Enfim, não importa o nome, o importante é detectar essa baleia na alma, antes que ela engula o teu ser.

Muitos, na Bíblia inclusive, já pensaram em tirar a própria vida. Há pelo menos três personagens que pediram para si a morte: Elias (1Reis 19.4); Jó (Jó 7.15) e Jonas (Jonas 4.3). Elias, por exemplo, pensou que não tinha mais o que fazer. A falta de propósito desanima qualquer um, com ou sem baleia azul. Para mim, em alguns casos, aqueles que querem morrer é simplesmente porque estão exaustos de não viver. Aí vem a ansiedade, depressão, jogos e outros males atuais que impulsionam esse desejo.

O apóstolo Paulo disse certa vez: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipense 1.21). Não que ele desejasse a morte como fuga de sua vida. Ele entendia que sua vida estava nas mãos de Deus e se Ele quisesse o apóstolo poderia ainda viver para continuar abençoando o povo. Por isso ele disse nos versículos seguintes: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne”. (Versos 23-24). 

Muitos só querem uma desculpa para dar vazão a alguma coisa que lhes traga algum alivio. A dor na alma é muito grande causada por diversos fatores como: abandono, depressão, falta de significado, sofrimentos diversos causados por ele mesmo ou por outros, medos diversos, enfim, as baleias são infindáveis.

Não procure baleia alguma, conheça o cordeiro. Troque a baleia pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Se você está sobrecarregado e cansado da existência Ele te diz o seguinte: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

Entregue os seus problemas a Cristo. Faça o que diz o apóstolo Pedro: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5.6-7). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sábado, 15 de abril de 2017

VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?



VOCÊ É DISCÍPULO DE QUEM?


Você é discípulo de quem? A maioria das pessoas que se dizem discípulos de Jesus, na verdade não o é. Eles seguem a uma organização, denominação ou ao homem, quer seja ele pastor, apóstolo, bispo ou algum líder surtado.

Ser discípulo de Jesus é saber que não há barganhas a fazer. É relacionamento e não adesão. É conhecer uma pessoa e não uma ideia ou promessas vãs. Não é frequentar a igreja enquanto o pastor ou líder me servirá como aquele que satisfará as minhas demandas e quando ele as deixar de fazê-lo eu procurar outro líder que assim o faça. As demandas religiosas são infindáveis. Ou então, quando eu não ter o que penso que mereço das mãos dele, vou em busca do meu próximo salvador.

Em Jesus não temos demandas religiosas, temos obediência em Graça, não pelo que Ele pode nos dar, mas por quem Ele é. Graça não é auto justificação. É reconhecimento que das mãos dEle recebemos amor, perdão e misericórdia.

Quem ainda não aprendeu a ser discípulo quer sempre juízo. Quer que o fogo caia do céu na cabeça dos inimigos. Quer sempre ser o maior. Quer os primeiros lugares. Ambiciona títulos e cargos. Corta orelhas. Pensa saber, sem saber o que se deve saber. Julga sem medo de ser julgado. Aponta dedos. Acha-se superior aos demais pecadores. Bate no peito e se orgulha da justiça própria. Nada é mais farisaico do que isso.

O discípulo é humilde, perdoador e misericordioso. Porque sabe que se não o for não receberá misericórdia. Ele não procura o pináculo do templo, mas anda aonde os pecadores estão, pois se identifica com eles. Eles têm o mesmo cheiro. Sabe das mesmas limitações. Reconhece que é pó, cinza, nada. E é consciente que apesar dessa nulidade Jesus lhe ama incondicionalmente.

O fruto do Evangelho é sempre amor, misericórdia e paz. O que passar disso é religiosidade. Se o mensageiro traz sempre a espada, pode ter certeza de que não é discípulo de Jesus. Um coração cheio de Jesus é um coração cheio de amor. Do contrário, é um coração religioso. E esse tipo de religiosidade ao invés de trazer vida, traz sempre morte, desprezo e ódio. O discípulo reconhece que só há um Senhor que pode julgar e esse não é ele.

Um membro sempre espera que suas necessidades sejam atendidas. Sempre estão à procura do afago de seu pastor ou líder. E quando este deixa de afagá-lo, logo é tido com um ser imprestável. Saiba de uma coisa: líderes são falhos e sempre vão nos decepcionar em algum momento. Mas a alma de um membro de igreja é sempre insaciável. O discípulo verdadeiro estimula a outros para que sirvam, sem ter a necessidade de ser servido. Um membro só pensa em si mesmo. Já o discípulo pensa nos outros. Um membro sempre vai achar que na igreja tem muita hipocrisia e pecados, mas não reconhece a hipocrisia e os pecados dele mesmo. Afinal, errado é sempre o outro. Ele e sempre a vítima sedenta de afagos e reconhecimentos.

Quando um discípulo está longe de sua congregação, lamenta, pois não consegue viver sem ter comunhão com os outros. O membro pode viver a vida toda sem ir para o templo. Prefere comungar com ninguém. Sua igreja é sua casa. Afinal, ele carrega um “Puff almofadado” e não uma cruz. A igreja é só um lugar que ele vai quando lhe dá vontade ou quando suas expectativas são supridas. Um lugar onde ele pode receber tudo, sem fazer ou contribuir com nada.

Um membro tenta limpar-se para ser digno de Jesus. Um discípulo reconhece a sua sujeira e sabe que não tem poder em si mesmo para limpar-se, a não ser pelo sangue de Jesus, e só pode dizer como o apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15 – NVI).

Jesus certa vez disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). Ainda disse mais: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15.12-13). “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros"(João 15.17).

O que enche seu coração? É amor, Graça e misericórdia? Ou é ódio, justiça e condenação? Responda sinceramente: você é discípulo de quem? 


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 30 de março de 2017

O AMOR PARA QUEM ERRA



O AMOR PARA QUEM ERRA



Geralmente quem acerta, quem chega em primeiro, quem é sempre vencedor, é sempre amado, admirado, idolatrado. Quando você está no topo nunca ficará sem admiradores, sem tapas nas costas e sem abraços vazios. Os fãs adoram idolatrar seu igual. Muitas vezes por ele está no lugar que se deseja estar. Ou simplesmente porque precisamos de alguém para nos espelharmos. Para que sirva de modelo, um padrão para ser alcançado ou simplesmente contemplado. Fazendo isso nos esquecemos de quão medíocre somos. Ou de quão vazio a alma humana é. Gostamos dos holofotes, se não for em nós, que pelo menos seja no outro. Contemplamos o espelho do nosso ego. É fácil amar os vencedores.

Difícil é amar quem erra, quem comete falhas, quem chega por último. Quem reconhece suas limitações e pecados. Àquele que frustra suas expectativas. Quem tem a consciência de que é pó. De, apesar de tanto se esforçar, nunca chegará em primeiro lugar na competição da vida, na corrida dos que querem ser sempre ovacionados. Muito difícil tentar satisfazer as expectativas dos outros, pelo simples fato de viver pelo outro e não por si mesmo. Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado? 

Os homens só amam quem lhes dá alegria e supre todas as suas expectativas. E geralmente as expectativas são irreais. No mínimo, inatingíveis. Exige-se muito de quem só pode dar pouco. Mas o pouco é insuficiente. Sempre será insuficiente. Sempre querem mais e mais. São sanguessugas da alma alheia. E se você fizer noventa e nove por cento, mas errar em um por cento, isso já basta para ser vituperado, massacrado e julgado sem apelações. Ou como diria o grande poeta Augusto dos Anjos: “Somente a Ingratidão – esta pantera – foi tua companheira inseparável! (...) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

O julgamento humano geralmente é imperfeito. É como um cego que julga um surdo por este não poder ouvir. O que a gente não percebe é que as necessidades dos outros são infindáveis. Se você tentar suprir a todos sempre, sua alma é que morrerá de inanição. E quando você tenta agradar a todo mundo, no final, você sempre será o mais prejudicado.

Ainda bem que o amor de Deus é diferente. Deus nos ama apesar de quem somos e dos erros que cometemos. Ele sabe que somos pó. Ele sabe que somos humanos. Ele sabe que nunca seremos cem por cento em nada. Somos eternamente seres contraditórios. Somos dualidades. Como o sol e a lua. O dia e a noite. Em todos nós tem coisas boas e ruins. Cada cristão é ao mesmo tempo santo e pecador. Ora acertamos, ora erramos. Mesmo assim somos metades quem se completam. Errar é condição humana. Só Deus não erra. Só Ele é perfeito. O amor dEle é aquilo que nos faz andar no chão da vida, pisando nas flores e espinhos que aparecem em cada esquina. E em cada momento Ele está segurando em nossas mãos e nos oferecendo seu colo para podermos descansar. Sem julgamentos, sem pressões, sem condenações impostas. Como um pai carinhoso que, apesar das falhas dos filhos, sabe o que é amar incondicionalmente. Ainda bem...



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br