terça-feira, 29 de novembro de 2016

RIR É FUNDAMENTAL


RIR É FUNDAMENTAL


“(...) Tempo de rir” Eclesiastes 3.4


Ser cristão é ser alegre. A religiosidade é que faz as pessoas ficarem chatas e horrivelmente intragáveis. Conheço muitas assim. Jesus também conviveu com muita gente assim. Já reparou que as pessoas que foram mais repreendidas por Jesus foram os religiosos, aqueles que se achavam mais santos que os outros? Sobre Cristo se diz que: “...Deus, o teu Deus, te escolheu e ungiu com óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros” (Hebreus 1.9). Óleo de alegria só o Espírito Santo dá. Quem não tem não pode ser visceralmente alegre. Infelizmente acho que muitos estão precisando desse óleo nas igrejas. 

A alegria em Cristo deve ser vista além das quatro paredes de um templo. No momento do culto cantamos: “a alegria do Senhor a nossa força é”. Mas que alegria é essa que só dura até o fim de um culto no domingo? Se Cristo habita em nossos corações, então devemos demonstrar isso no dia a dia. A alegria na alma transborda para os lábios. É impossível não sorrir. Até em momentos que nunca imaginamos. Já me deu vontade de rir em momentos constrangedores. Para mim sorrir é fundamental. Ou como já disse Charles Chaplin: “Um dia sem rir é um dia desperdiçado”. 

O riso, na história, sempre foi incompreendido, e até hoje o é, principalmente, no mundo evangélico. Para muitos ser “crente” é ser sempre aquele cara chato que acha que tudo é pecado e fica constrangido com a alegria alheia. Nas obras de Filebo, na República de Platão e também na Poética de Aristóteles já se encontram comentários sobre o riso. Platão diz que o risível é como um vício. Para ele, o riso e o risível seriam prazeres falsos, onde só os medíocres vivem rindo, pois entendia que o riso os afasta de buscar o prazer da verdade filosófica. Na Idade Média, em geral, o riso foi condenado. Era sempre sinal de fraqueza. Lembra do filme “O nome da rosa”?

Muitos pais da Igreja condenaram-no sob qualquer aspecto. Por isso, para a Igreja, um cristão não deveria rir, à semelhança do Mestre. O riso teria aparecido na história cristã, segundo pensavam, quando Adão pecou, sendo assim uma fraqueza humana. Não sei se é verdade, mas dizem que Martinho Lutero não achava assim... Ele havia dito que: “Se é proibido rir no céu, não quero ir para lá”. Regra geral, o riso demorou para ser reconhecido como algo benéfico. No entanto, Salomão já sabia que “o coração alegre é como o bom remédio” (Provérbios 17.22). O riso é terapêutico. Faz bem para a alma. 

Rir não é pecado. Muitos homens de Deus gostavam de rir. Charles Spurgeon, por exemplo, conhecido como o príncipe dos pregadores, era muito bem-humorado. Vez por outra, como pregador, prefiro fazer o povo sorrir que dormir. Algumas pregações têm efeito sonífero. Derrubam qualquer um. São verdadeiros calmantes verbais. Depois de 5 minutos ouvindo já estamos no mundo de Morfeu. 

Já escrevi no meu livro “Tudo tem um tempo determinado” que detesto gente chata. Como eu disse: “não é por nada não, é mais porque gente chata me consome a alma”. Não me acrescentam em nada. Quero conviver sempre com pessoas que me acrescentem alguma coisa boa. Mas esse tipo não me traz alegria alguma. Nem faço questão de falar com pessoas assim. Se não me dirigirem a palavra melhor ainda. Menos uma nuvem negra no meu dia de sol. Também trocar farpas com gente chata não vale a pena. A vida é muito curta para ficar desperdiçando com o veneno dos outros. Essas sanguessugas da alegria. Seres intragáveis. Claro, ficar chato uma vez perdida é até normal, o problema é ser chato 24 horas por dia. 

Gente alegre é diferente. É um bálsamo para a alma. Um alivio para o coração. Uma pessoa de bem com a vida rir de seus próprios defeitos. Nos dias nublados enxergam além das nuvens escuras. Reconhecem suas imperfeições. Sabem que nessa vida nem tudo tem que ser visceral, duro e sério. Coloque óleo da alegria em sua vida enferrujada. Já disse e vou repetir até o dia que eu morrer: detesto gente chata. Portanto, enquanto o ponto final não chega:


Sorria

Sorriso ou pranto?
É vírgula ou ponto?
Se bem ou mal,
Sorria sempre,
Pois por enquanto,
Aquele ponto,
Não é o final.



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DEUS É MAIS SIMPLES QUE AS RELIGIÕES


DEUS É MAIS SIMPLES QUE AS RELIGIÕES


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”
(Mt 11.28-30).



“Deus é mais simples que as religiões”, disse o poeta Mário Quintana, que não se considerava um religioso, embora fosse criado nos moldes do catolicismo. Eu particularmente acho que ele poderia ser agnóstico, não um ateu propriamente dito. Agnóstico é aquele que pode até acreditar na existência de Deus, embora não tenha certeza que de fato Ele exista. Literalmente falando um agnóstico é aquele que não tem o conhecimento necessário sobre a certeza da existência de uma divindade superior (um não conhecimento), pois “gnose” significa conhecimento. Em certo sentido eu concordo com a frase. Geralmente as religiões complicam tudo. 

Deus é simples, não no sentindo de ser simplista ou cuja constituição se pode conhecer plenamente. Não dá para dissecarmos a Deus como se faz com um cadáver humano para que se conheça seus pormenores. Deus é infinitamente Ele. Só Ele é o que é. Nesse sentido Ele é altamente complexo. Impossível a concepção pela mente humana. Como disse Santo Agostinho: “O finito não pode conhecer o infinito”. 

Deus é simples no sentido de se deixar conhecer. E nesse “deixar-se conhecer”, que conhecemos dEle já nos é suficiente. Sem barganhas, sem sacrifícios e sem teorizações filosóficas. Em contrapartida a religião exige normas, regras sobre-humanas, leis impraticáveis. É preciso cumprir exaustivamente os sacrifícios, oferendas e exigências das divindades mal-humoradas. 

Em Jesus tudo isso fica em segundo plano. As exigências do Deus-Pai foram cumpridas pelo Deus-Filho. É coisa de Deus não de homens. Nenhum homem poderia cumprir as exigências do Deus Eterno. E Cristo o nosso substituto pede pouca coisa, aliás, uma só coisa: que se creia nEle. Por isso o seu jugo é suave e seu fardo é leve. 

Um jugo, se você não sabe, é tipo uma peça de madeira que se colocava no pescoço dos animais. Geralmente eram dois bois ou outros animais fortes. Se fazia assim para que se controlasse o arado onde se fazia os sulcos no terreno, preparando-o para a plantação. O jugo desigual seria colocar a peça em dois animais de espécies diferente. Um boi e um cavalo, por exemplo. O que era proibido pela Lei (Deuteronômio 22.10). 

O jugo de Jesus é suave porque não carregamos o fardo da vida sozinhos. Ele sempre está conosco para nos ajudar. O alivio vem dEle. Todo descanso para a alma cansada só pode vir dEle. A religião nua e crua ao invés de aliviar a carga, aumenta o sofrimento do ser humano porque ela é quase sempre desumana. Essa é a diferença de Jesus e da religião. 

O fardo da religião é pesado. E como é pesado. O apóstolo Paulo sabia disso. Ele era um fariseu insensível. Um religioso que matava em nome de Deus. Um líder religioso que não conhecia a Graça, o amor e o perdão de Deus. Até que teve um encontro com o Mestre dos mestres. No caminho de Damasco (Atos 9) ele descobriu que servir a Jesus é uma coisa, servir a religião é outra totalmente diferente. Ele tentava viver perfeitamente. Era sincero no que fazia. Tantas exigências para que se viva uma vida intocável, pura e perfeita. Mas como um imperfeito pode viver perfeitamente?

A religião sufoca, mata, oprime... A religião escraviza, Cristo liberta. A religião entristece, Cristo dá alegria. A religião reprime, Cristo dá paz. A maioria das pessoas têm fé em algo, mas é preciso ter fé em alguém. É nisso que as religiões erram. O algo é efêmero, o alguém tem que ser Eterno. O algo é fraco, frágil, pueril. O alguém deve ser Todo-poderoso e imortal. 

Mas também não podemos colocar nossa fé em qualquer alguém. Esse alguém tem que ser Deus-Cristo, do contrário, colocar a fé em homens ou na religião vazia é outro grande erro que não se deve cometer. Hoje as pessoas estão crendo em falsos apóstolos, profetas, bispos e líderes falíveis. Colocar a fé na religião é colocar a fé em algo. Crer em Jesus é colocar a fé em alguém que não pode mentir. É esse alguém que merece ser adorado e amado com todas as nossas forças. Você está colocando sua fé em algo ou em alguém? Lembre-se do que Ele disse: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”. João 3.36 (KJV). 



Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


FALAR MAL É SEMPRE UM MAL


“Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem”. (Efésios 4.29 – KJV)


Você soube o que aconteceu com fulano? (...) 

Se você ficou curioso sobre o que eu poderia dizer a partir da pergunta acima, pode ser que você seja uma pessoa que se agrada em saber as agruras e os pecados dos outros e possivelmente se deleite com isso. Quando falamos mal de alguém é porque nos julgamos melhores do que aquele alguém que estamos falando. Nos sentimos bem pois, afinal, não foi a gente que possivelmente praticou algum pecado. Você julga-se bom. Quase sem pecados. Afinal, como disse o filósofo Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”.

Seria mesmo verdade que o mal está no outro?

Quem fala mal do outro tem que estar numa posição privilegiada. Ou então é apenas pura inveja do objeto da conversa. Vi esses dias uma frase que me chamou a atenção. Dizia assim: “Você não pode julgar as pessoas só porque elas pecam de uma forma diferente da sua”. Achei muito interessante e verdadeiro. Afinal, quem não peca, quem não erra? Já disse Jesus: “Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra” (João 8.7).

No entanto, é verdade também que há pessoas que são venenosas – você conhece alguém assim? As palavras que saem da boca de muitas pessoas são puro veneno. São pessoas que não conseguem falar bem de ninguém. Só veem os defeitos e os ampliam com suas palavras carregadas de ódio disfarçado de “minha opinião”.  Onde “ser venenoso” transformou-se hoje em “ser sincero”.

As pessoas esquecem de uma verdade inexorável: as palavras ferem. E como ferem. Às vezes criam feridas que outros levam para o resto de suas vidas. 

O apóstolo Paulo nos adverte, em sua epístola aos Efésios, que da nossa boca não deveria sair nada “torpe”. A palavra “torpe” aqui, em grego, é “sapros”, que é utilizada para árvores podres que produzem frutos igualmente podres. São pessoas cujas conversas enegrecem a alma, nem sempre a do objeto de detração, mas, com certeza, daqueles que dialogam diabolicamente com aquele sorriso disfarçado nos lábios.

O que Paulo recomenda é que se faça justamente o contrário. As palavras que deveriam sair de nossas bocas deveriam ser para a edificação, ou seja, para o crescimento das pessoas e não para destruí-las. Palavras de ânimo. Cheias de misericórdia e amor. Quando tratamos as pessoas assim estamos praticando o Evangelho de Jesus. Caso contrário, seremos semelhantes aos fariseus, religiosos cheios de razão e nenhum espírito de perdão e graça.

Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12.34). Já pensou sobre isso? Quando falo mal de alguém estou apenas expondo o próprio mal que há em mim. Se somos de fato cristãos pensaremos duas vezes antes de falar de alguém. Ao invés de usar as palavras como espada na vida dos outros, nossas palavras devem ser cheias de consolo e graça. O apóstolo lembra-nos que devemos usá-las de forma boa, edificante, no tempo certo e cheias da graça de Cristo. Como estamos precisando de pessoas assim hoje em dia. A decisão é sempre nossa. A decisão de como usar a língua é sua. Nesse sentido, ou seremos sábios ou tolos como diz Provérbios 12.18: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina”. Noutra versão diz assim: As palavras do tagarela ferem como espada de dois gumes, todavia a língua dos sábios promove a cura”.

Não coloque lenha nas fogueiras dos outros, você pode ser o único que se queimará. A calúnia e difamação além de ser pecado é um crime. O apóstolo Tiago nos adverte: Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tiago 3.6). Lembre-se do que disse também o sábio Salomão: “Sem lenha o fogo se apaga, sem o caluniador encerra-se a briga” (Pv 26.20).

A sua língua tem ferido ou trazido cura aos seus ouvintes? Responda sinceramente: se você pudesse engolir suas palavras, elas te nutririam ou te envenenariam?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

OS IDIOTAS DE CRISTO



OS IDIOTAS DE CRISTO

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. 
(Atos 4.13)

Muitos líderes, hoje em dia, têm colocado sobre si uma áurea de espiritualidade tão grande quanto à soberba deles. Alguns se colocam em pedestais quase intransponíveis. São pessoas que gostam dos primeiros lugares; das ovações de crentes idólatras; de pavoneamento sem fim para deleite de um grupo religioso que quanto maior, melhor. Acham-se até participantes de uma classe "especial" de ungidos, diferente dos outros menos abastados colegas de ministério.

As palavras do apóstolo Paulo em 2Coríntios 11.30-31 soam quase como uma blasfêmia. Ele disse: “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”. Quem já viu se gloriar em fraquezas? No mundo gospel atual isso é inconcebível. Um pastor é um “homem de Deus”; um ser superpoderoso; um “ungido” que vai solucionar todos os seus problemas; alguém que só conta vitórias e feitos extraordinários – pelo menos é isso que muitos pensam.

Contudo, creio que Deus escolhe os mais improváveis e indignos para serem pastores. Os incapacitados de si mesmo para serem capacitados por Ele. Ele escolhe não os “melhores”, mas geralmente os indignos.

Deus ama usar aqueles que são considerados despreparados e desprezíveis. Ele não está atrás, necessariamente, de pessoas de boa aparência; ou de boa oratória (eloquência não faz o pregador); ou aquele que tem muito dinheiro; ou o que tem muitos talentos; pelo contrário, Paulo vai dizer o seguinte: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1Coríntios 1.26-29).

Para alguns, ser um simples pastor de almas já não dá muito status. Alguns já nem querem mais esse título, preferem algo maior, grandioso, que chame mais a atenção. Que traga holofotes sobre si. Que impressionem os "crentes" deste século ávidos por novidades. Alguns se intitulam de apóstolo, iluminado, ungido com uma unção especial, paipóstolo – porque apóstolo já está ficando sem graça. O que virá depois? Seria: "pascanjo" (uma mistura de pastor e arcanjo); "apostobin" (uma mistura de apóstolo e querubim)? Não foi isso que aprendemos dos verdadeiros servos de Deus. Por exemplo:

– Moisés alegava não ser digno, pois nem sequer sabia falar.
– Isaías se achava muito impuro.
– Amós, apenas um boieiro.
– João, não se achava digno de amarrar as alparcas do Senhor.
– Lutero, se referia a si próprio como um “saco de vermes”.

Verifica-se sempre na vida dos verdadeiros homens de Deus a questão da humildade, uma palavra pouco praticada na vida de muitos líderes. Sundar Singh, o chamado "apóstolo dos pés sangrentos", contou certa vez uma história:

– Um lixeiro converteu-se ao Cristianismo, tornou-se testemunha de seu Salvador. Quem o ouvia, comentava: "Este homem possui algo que ainda não temos". Um transeunte, certa vez, perguntou: "Por que ouvem com tanto respeito um lixeiro?" Ele mesmo respondeu: "Quando meu Salvador ia para Jerusalém montado num jumento, o povo trouxe capas e as colocou sob seus pés. Não sob os pés de Cristo, mas sob as patas do jumento. Por que fazer isso a um animal?

– É que nele vinha montado o Rei dos reis, Senhor dos senhores. Desde o momento em que Cristo o deixou, ninguém nunca mais pensou naquele jumento: Foi honrado somente enquanto Cristo o cavalgou”. Que assim seja em nossas vidas! 


Em Atos 4.13 a palavra grega para “incultos” é “idiotes” que significa, aqui, “sem instrução”; “simples cidadão”; “homem do povo”. Mário Sérgio Cortella no livro: “Política para não ser idiota”, lembra que a palavra grega “idiotes” quer dizer, a pessoa que só enxerga a si mesmo, aquele que só vive a vida privada, que recusa se envolver com a vida política. Ela é a origem da palavra “idiota”. Percebe? Não tem o sentido como nós a usamos hoje, de forma pejorativa, como alguém sem razão ou inteligência, um estúpido.

Então, Pedro e João foram chamados de idiotas. Os idiotas de Cristo. Eram homens do povo. Nesse sentido eu também quero ser chamado de idiota, você não? Aqueles que vivem no meio do povo simples. Não nos palácios dos reis e imperadores deste mundo pecaminoso. Claro que Cristo usa homens sábios e inteligentes como foi o apóstolo Paulo e muitos outros. Mas eles também se consideravam indignos de tal honra. O que importava não era o título que recebiam, aqueles homens haviam estado com Jesus e foi isso que fez a diferença na vida deles. Cristo é aquele que trabalha com os “idiotes” para fazê-los vasos de honra. Lembra-se do jumentinho? Interessante é que a única vez que Jesus disse que precisava de alguém, esse alguém foi um jumento (Mc 11.2-3).

Você foi chamado de idiota por seguir a Cristo ou coisa parecida? O que fazer? Passe tempo com Jesus, aos seus pés, recebendo as instruções para a vida eterna e ele transformará tua alma e tua vida para sempre. Queira apenas estar com Jesus, no fim das contas “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (Lc 10.42) Escolha, pois, a melhor parte.

Não importa quão pequenino você pareça ser, o importante é o Cristo gigantesco que você leva dentro de si, na tua vida, na tua família e na tua igreja. Mesmo que alguém diga que você é um idiota, não reclame, chamaram assim também com Pedro. “Idiota de Cristo”, eis um título interessante que os pregadores de hoje não querem ter.

Paulo estava certo quando disse: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém...”. (Romanos 12:3).




Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A GANÂNCIA HUMANA

A GANÂNCIA HUMANA

A ganância humana não tem limites. Gandhi certa vez disse que: “na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”. O desejo de possuir, de ter, de amealhar é um pecado que hoje é tido como virtude. Quem consegue juntar muito mais do que necessita é tido como uma pessoa a ser imitada e reverenciada. Biografias são escritas e palestras são desejadas.

Quanto mais alguém tem, mais deseja ter. Quanto mais se junta, mais se quer juntar. A grande questão é: para quê? Tudo isso não seria vaidade, ou seja, coisa vã, passageira? Quem falou isso foi um homem que foi considerado, talvez, o mais rico que já existiu: Salomão. Ele afirmou: “Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade” (Eclesiastes 5.10).

Algumas pessoas acumulam porque o TER ficou mais importante do que o SER. Não que o ter seja ruim por si só, não sou idiota. Se eu puder ter um carro, uma casa, uma cama melhor, terei com prazer. Não sou a favor da falsa espiritualidade que prega o não ter como obtenção do favor do Eterno. Não é isso que estou advogando. Millôr Fernandes dizia, e eu concordo com ele, que: O importante é ter sem que o ter te tenha”.

Um coração ganancioso se transforma em um ser idólatra, pois começa a adorar aquilo que tem e isso toma o primeiro lugar na vida, fazendo com que se despreze aquilo que é mais valioso. O apóstolo Paulo nos diz que: “... o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se atormentaram em meio a muitos sofrimentos” (1Timóteo 6.10). Percebe? Não é o dinheiro em si, é o amor excessivo a ele. O amor ao dinheiro faz com que deixemos de amar o imperecível para fazer-nos devotar nossa veneração aquilo que pode até ser visível, palpável, contudo, passageiro.

Quantos filhos são infelizes porque seus pais não têm tempo para eles porque vivem trabalhando o tempo todo para dar “o melhor” para sua família? Os pais, não entendem que a maioria das coisas que traz felicidade a um filho não pode ser comprado. Valores como: amizade, amor, carinho e tempo, não são vendidos nas prateleiras de um shopping.

Quem está no leito da morte se arrepende, não porque gostava de juntar mais um milhão, mas sim por não ter dado amor as pessoas próximas enquanto tinham oportunidade. Pare um pouco para pensar antes que seja tarde demais. Todos vamos morrer, quer sejamos pobres ou ricos.

O que você tem feito com os bens e posses que Deus tem te dado? A insensatez humana é achar que vai viver para sempre. Fazer planos como se a morte nunca chegasse. O apóstolo Tiago nos adverte: Agora, prestai atenção, vós que aclamais: ‘Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá nos estabeleceremos por um ano, negociaremos e obteremos grande lucro’. Contudo, vós não tendes o poder de saber o que acontecerá no dia de amanhã. Que é a vossa vida? Sois, simplesmente, como a neblina que aparece por algum tempo e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis afirmar: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’. Entretanto, estais agora vos orgulhando das vossas capacidades. E toda vanglória como essa é maligna” (Tiago 4.13-16).

Jesus também advertiu na parábola do rico insensato: “Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’ Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus” (Lucas 12.20-21). Em outras palavras: se você morrer hoje de que valeu acumular tantos bens? Para Deus você é pobre, cego e nu.

Quantos milhões poderás levar para encontrar-se com o Eterno? Se o Senhor te chamar hoje para a prestação de contas, como está a tua alma? Você tem usado aquilo que Deus tem lhe dado para o bem do próximo, para que a sociedade melhore? Tem um velho ditado que sempre é bom lembrar: “caixão não tem gavetas”. Ou uma frase que eu li em outro lugar que diz mais ou menos assim: “Tem pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que a única coisa que tem é o dinheiro”.


  Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O CRISTÃO E A POLÍTICA

O CRISTÃO E A POLÍTICA



Toda campanha política é a mesma ladainha: prometem o que muitas vezes não podem cumprir; salvadores da pátria são erguidos aos montes; pessoas são iludidas com esmolas; a poluição sonora chega a níveis insuportáveis; e mantras são introduzidos nas mentes dos cidadãos sem o consentimento deles. Enfim, como disse Giuseppe di Lampedusa, em seu livro, “O Leopardo”: “Algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Nessa avalanche de personagens e promessas, o cristão fica bombardeado com tanta informação. O que fazer? Quais os critérios que precisamos avaliar? Sabemos pela Palavra que Deus é quem "remove reis e estabelece reis" (Daniel 2:21) e podemos descansar em saber que o "Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer" (Daniel 4:17).  Além disso, a Palavra ainda nos ensina que: “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12).

Será, então, que igreja é lugar de política? Para respondermos essa pergunta é preciso responder outra: o que é política? O vocábulo política vem do grego, “polis”, “cidade”. A política, pois, procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Em suma: política é tudo que diz respeito ao bem comum da cidade, da “polis”. Portanto, o que discutimos numa igreja para o bem da cidade é fazer política. Infelizmente alguns pastores confundem política com partidarismo. Ou política com politicagem. Aristóteles já afirmava que o homem é um ser político. O homem pode ser apartidário, mas nunca apolítico.

Política é a busca do bem comum. Por isso, a política tem sempre a ver com a sociedade e com a vida das pessoas e tudo o que nos afligem: os salários; o preço do pão; as passagens de ônibus; as prestações da casa própria; o sistema escolar; o posto de saúde, etc. Nada do que é social está fora da política. Nesse sentido, as igrejas também estão dentro da vida política de uma cidade ou nação. Poderíamos então dividir as pessoas com relação a esse assunto da seguinte forma: 1) As alienadas, que acreditam poder ficar fora das questões políticas; 2) As conscientizadas, que deve ser o nosso ideal; 3) E as engajadas, as que se envolvem diretamente em fazer política.

Por isso é preciso que você reformule sua forma de pensar política. Existem ainda algumas concepções erradas, tais como: “Política é pecado”; “Política é coisa do diabo”; “O cristão não deve participar de política”, o que é impossível pois vivemos numa polis;  “Toda pessoa que se envolve com política é corrupta”, esse tipo de afirmação é igual com a de que todo padre é pedófilo e todo pastor é ladrão, como também não é verdade que “Todo crente é um bom político”; “A política é mundana e não serve para os crentes”, isso é desconhecer totalmente os ensinamentos bíblicos e históricos. Mas o pior erro é que alguns líderes ainda trocam os votos de sua igreja por favores. Isso sim é fazer uma má política.

Na contramão existiram e existem homens de Deus que exerceram com dignidade um papel político em seu tempo e honraram ao Soberano Senhor: José, Moisés, Josué, Gideão, Davi, Salomão, Josafá, Ezequias, Josias, Daniel, Neemias. O que se pode inferir é que é sim possível exercer uma boa política sem deixar-se corromper com o “canto da sereia”.

Você então poderia perguntar: quais os princípios que um cristão deveria observar quanto a sua participação na política? Permita-me colocar alguns princípios gerais:

  • O povo de Deus precisa ter critérios claros na escolha de seus representantes– Dt 17:14-20. Pessoas que não se dobrem diante da sedução do PODER E DO DINHEIRO.
  •  O povo de Deus não deve ser omisso, mas influenciar os líderes nas questões políticas – Dt 28:13.
  • A atitude de omissão não corresponde aos princípios de Deus nem à expectativa de Deus.
  •  O cristão preparado está em vantagem para governar – Pv 28:5; 26:1.
  • O cristão não pode associar-se com pessoas inescrupulosas – Sl 94:20; Pv 25:26.
  • O povo de Deus precisa votar em representantes que amem a justiça – Pv 31:8,9.
  • O povo não está trabalhando em favor do político, mas o político em favor do povo.
  • O político precisa olhar com especial atenção para os pobres e necessitados, ou seja, precisa ter uma política social humana e justa.
  • O povo de Deus deve votar em pessoas que defendam os princípios cristãos à luz do Evangelho.


Saiba de uma coisa: ou você é político ou você é um idiota. Calma, entenda antes de me atirar pedras. A palavra idiota, “Idiotés”, no grego arcaico, era quem ficava preocupado consigo mesmo; e a palavra político, “Politikos”, era quem se preocupava com a justiça de todos. Não se pode fazer cidadania sem política. Todos fazemos política, inclusive se omitindo. Eu, particularmente, sou contra o voto branco ou nulo. Os brasileiros lutaram muito para ter o direito ao voto. Se não podemos mudar a todos, pelo menos temos alguma chance de mudança. Lembre-se do que já disse Platão: “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Ou como disse o pastor Martin Luther King: O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons”.


  Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
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segunda-feira, 27 de junho de 2016

É PROIBIDO PENSAR?



É PROIBIDO PENSAR?



“Todo evangélico é alienado e idiota”; “todo crente é imbecil”; “todo cristão é ignorante” – pelo menos é isso que muita gente pensa. Quantas frases como essas eu já escutei durante minha vida. As pessoas dizem as coisas mais absurdas sem o mínimo de bom senso. Será que todo evangélico é um ser que não pensa? Logicamente que não. Nem todo religioso é ignorante por ser religioso, como também, nem todo que se julga racional é inteligente de fato. Não podemos generalizar. Como disse certa vez o filósofo Mário Sérgio Cortella: “Religião não é coisa de gente tonta. Religião é coisa de gente, só que tem gente tonta em todo lugar”. 

Mas, precisamos dar a mão à palmatória. Muitos, não todos, se comportam como se fosse realmente proibido pensar. E, nesses casos, as acusações são verdadeiras. Muitos cristãos são zelosos em sua fé, sinceros em sua prática, mas falta-lhes o entendimento. Muitos têm zelo sem conhecimento e outros, conhecimento sem zelo. Não é uma escolha, uma opção de este ou aquele, é preciso ter ambos. John Stott no livro “Crer é também pensar”, diz o seguinte: “Dou graças a Deus pelo zelo. Que jamais o conhecimento sem zelo tome o lugar do zelo sem conhecimento! O propósito de Deus inclui os dois: o zelo dirigido pelo conhecimento, e o conhecimento inflamado pelo zelo”.

Crer é também pensar. O cristão não precisa esconder sua razão e inteligência quando tratar de coisas relativas à sua crença. Muitos têm a fé como algo mítico ou um salto no escuro. Alguns comparam a história cristã com fábulas infantis. A fé cristã não está fundamentada em mitos e histórias fantasiosas. São fatos históricos, arqueológicos, antropológicos, geográficos e racionais.

No outro polo estão aqueles que se deixam levar por qualquer vento de doutrina, que não têm alicerçado sua fé na Rocha que é Cristo. O cantor João Alexandre numa música chamada “É proibido pensar”, expressa bem esse tipo de cristão. Para ele, são pessoas que estão sempre em busca de alguém para resolver seus problemas e que precisam se encaixar no sistema gospel atual. Buscam sempre as variações de um mesmo tema no afã de solucionar suas angústias existenciais. Nessas meras repetições. Buscam extravagantes “profetas”, querem reconstruir o que Jesus derrubou, misturando ritos judaicos com a Graça de Cristo ou nas palavras do hino: “ressuscitando a lei, pisando na graça”. Pessoas negociando com Deus para obtenção de bênçãos; buscando apenas o show da fé e milagres extraordinários. Devotam culto aos pastores e apóstolos que parecem clones do “líder-papa” imitando até mesmo o jeito de falar e suas expressões corporais. Ou seguem a mais um líder importado que dita as regras para escravizar os incautos. 

A boa notícia é que você não precisa ser como diz a letra da canção. Muitos cristãos na história deram provas cabais de que a inteligência não precisa estar divorciada da fé. Crer e pensar é definitivamente possível. Basta olharmos grandes personagens cristãos que, como disse Agostinho de Hipona (354-430), no sermão 43: “eu creio para compreender e compreendo para crer melhor” (intellige ut credas, crede ut intelligas). Homens como Jonathan Edwards (considerado um dos maiores pensadores dos EUA); Martin Luther King Jr (o mais jovem a conquistar um prêmio Nobel da paz); William Wilbeforce (foi membro do parlamento Britânico e que militou por 30 anos contra o tráfico negreiro e abolição da escravatura); Robert Boyle (considerado o fundador da química moderna), o inglês Isaac Newton (um dos maiores gênios da História); o apologista e filósofo contemporâneo William Lane Craig (já debateu com grandes ateus da atualidade); isso só pra citar alguns. A lista é imensa. 

Alguém com conhecimento sem Graça vira legalista e alguém com Graça sem conhecimento vira um fanático. Para os líderes em geral existe uma séria advertência na Palavra de Deus: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim...” Oséias 4.6. 

Existem evangélicos burros, políticos corruptos, padres pedófilos e pastores ladrões. Mas, nem todo evangélico é burro, nem todo político é corrupto, nem todo padre é pedófilo, nem todo pastor é ladrão, portanto, cuidado com as generalizações. 



Pr. Antônio Pereira Jr.

(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

segunda-feira, 13 de junho de 2016

É FORTE...


É FORTE...

Muitos cristãos se impressionam com qualquer coisa. Os modismos evangélicos são como ondas na praia, vem e vão e não produzem nada de extraordinário. Por mais de duas décadas envolvido nesse meio pude perceber que grande parte dos clichês gospels são como um “abracadabra” que os mágicos antigos usavam para ludibriar os incautos. Ou a senha “abre-te sésamo” que Ali-Babá utilizava em “As Mil e uma Noites” para abrir a porta automaticamente do esconderijo do tesouro que os 40 ladrões roubavam. O grande problema é que os 40 se multiplicaram em milhares.

Quando um pregador cita algumas palavras, parece que o raciocínio dos fieis fica embotado. E o que este disser a partir da palavra-senha, será quase que a voz do próprio Deus falando. Como se fosse proibido pensar. Deixe-me ser mais claro. Houve época que a palavra mais citada era “tremendo”. O culto é “tremendo”; a revelação agora é “tremenda”; louvor “tremendo”, etc.

Outro tempo a palavra-senha foi “Deus purinho”. Quando o que se falava era “Deus purinho” não se questionava mais nada. Mesmo que o que se dizia não tinha nada de Deus e muito menos de puro. Outra palavra-frase muito dita, inclusive ainda hoje, é: “coisa grande”. Isso é grande, e o que se escuta depois, geralmente enfeitado com algum arrepio ou emoção alterada, também não tem nada de grande, é só mais uma “coisa”.

Esses clichês são utilizados em vários momentos e nas mais variadas denominações para produzir, em muitos casos, um clima de espiritualidade aparente. Verdadeiro pavoneamento do suposto profeta. Em tempos recentes, em alguns grupos, a palavra-chave agora é “forte”. Culto “forte”; oração “forte”; pregação “forte”. Isso e aquilo é muito “forte” igreja – é o que dizem. Pastor “forte”; profeta “forte”; missionário “forte”. São os halterofilistas da fé. Paulo, ao contrário, se gloriava nas fraquezas (2Coríntios 12.9).

Alguns, para justificar certa autoridade e espiritualidade, pregam aos berros, como se o grito fosse transformar heresia em verdade. Dizer mentiras aos berros não a torna mais crível. Gritar não vai fazer com que a heresia dita se transforme em verdade. Uma heresia será sempre uma heresia, seja dita em qualquer tom.

Saiba: não é proibido pensar. Não me leve a mal. Digo isso com tristeza no coração por ver o povo de Deus sendo enganado com discursos rasos e cheios de promessas vãs que não tem nada a ver com o evangelho de Jesus. Nenhuma dessas coisas se encontra nos lábios do Senhor e muito menos na boca dos apóstolos da Igreja primitiva.

Que saudade dos crentes bereanos que examinavam as Escrituras mesmo ouvindo um baluarte da fé como o apóstolo Paulo: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, porquanto, receberam a mensagem com vívido interesse, e dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras, com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade” (Atos 17.11). Estes eram mais nobres porque examinavam as Escrituras e não se impressionavam com qualquer oratória. Leia a Palavra e não se deixe enganar.

O apóstolo Pedro também advertiu que nos últimos tempos: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias...” (2Pedro 2.1-3). Percebe? O apóstolo Pedro adverte sobre essas pessoas cuja única finalidade é arrancar dinheiro dos fiéis. Portanto, já estamos todos avisados.

Pare e pense enquanto você pode. Tremendo (e não soberbo) ficou Isaías, e todo aquele que reconhece a grandeza do Eterno, ao se ter a visão daquele que é Santo, Santo, Santo. Grande é Cristo que foi crucificado, morto e sepultado por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para a nossa justificação. Forte é o nosso Deus em cuja presença só podemos nos humilhar, o adorar, chorar, lamentar nossas misérias e dizer como o publicano: “Tem misericórdia de mim que sou pecador” (Lucas 18.13). 



Soli Deo Gloria Nunc Et Semper (Somente a Deus damos a Glória, agora e sempre). 

Pr. Antônio Pereira Jr.

(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

sexta-feira, 15 de abril de 2016

DEPOIS DO PRANTO, ME APRONTO, ME APRUMO.




DEPOIS DO PRANTO, ME APRONTO, ME APRUMO.


Já chorou hoje? Essa semana? Ou você é daqueles que não choram com facilidade? Eu sei, confessar que se chora não é muito animador porque denota, para alguns, reconhecer sua fraqueza e fragilidade. Mas às vezes é inevitável. Mesmo sem querer vem aquele nó na garganta. Aquela vontade de molhar os olhos de dentro para fora. Não é assim?

Choramos pelas mais variadas razões: quando estamos alegres, tristes, com dor ou raiva. Choramos quando estamos apaixonados ou com saudades. As razões são as mais diversas. E as vezes choramos sem razão alguma. É apenas a alma querendo algum alívio. O que pouca gente sabe é que sempre produzimos lágrimas que servem para lubrificar os olhos. Elas existem para que possamos enxergar melhor. Não é uma boa metáfora para a vida? Só enxerga melhor aquele que passa pelas tempestades da vida, que sabem o que é chorar. Afinal, o céu fica mais lindo depois de um temporal.  

Quem chora não quer explicações científicas, quer só ficar no seu canto esperando que por algum encanto um sorriso logo apareça. Choramos porque choramos e daí? O choro é o escape da alma. É bom chorar, e se for de alegria, melhor ainda. Somos náufragos no oceano das lágrimas, como disse Cecília Meireles:

“O choro vem perto dos olhos para que a dor transborde e caia.
O choro vem quase chorando, como a onda que toca na praia.
Descem dos céus ordens augustas e o mar leva a onda para o centro.
O choro foge sem vestígios, mas deixando náufragos dentro!”

Como náufragos no mar de nossos sentimentos muitas vezes nos sentimos sós, abandonados. No alto-mar de nossas dores e angústias parece que somos as únicas criaturas da terra que não tem alegria. É preciso entender que as tempestades são inevitáveis! Mas, não duram para sempre. Já escrevi em outro texto que nos dias de chuva o sol não deixa de existir, nossos olhos é que não conseguem, por enquanto, ver além.

O que me consola é saber que aquele que é Soberano, Deus e Senhor soube o que era chorar. No verso mais curto do Novo Testamento está a declaração que nos consola: Jesus chorou” (João 11.35). O Mestre dos mestres, como homem mostrou-se sensível às dores dos outros. Chorou diante da morte de um amigo querido. Chorou mostrando sua humanidade, que não era um super-homem como muitos líderes hoje querem se mostrar. Chorou para que todos nós saibamos que faz parte da vida chorar.

Se eu choro é sinal que estou vivo, e se estou vivo toda lágrima pode converter-se em riso. Paulo sabia que apesar de todas as lágrimas que derramamos, não estamos sós. Deus é o Deus de toda consolação (II Coríntios 1.3-4). Ou como diz o salmista: “... O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30.5). Só quem sabe chorar aos pés de Jesus pode escutar: “A tua fé te salvou. Vai em paz” (Lucas 7.36-50).

Chore muito, mas não fique chorando para sempre. Ter um período de luto faz bem para a alma. No entanto, não se deve ficar assim para sempre. Se isso acontece, vira-se depressão. E você começa a morrer também. Acredito sim que tem angústia que só sai pela via das lágrimas. Não dá pra guardar dentro do peito. Isso adoece a alma. Mas lembre-se: “Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas” (Rabindranath Tagore).

Jesus chorou... Ainda bem!

As lágrimas sempre nos acompanham. Quando nascemos, choramos; quando morremos, outros choram por nós. Mas eu sou duro na queda. Não vou chorar hoje...

Onde está mesmo aquele lenço que escondi?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

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sexta-feira, 8 de abril de 2016



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terça-feira, 15 de março de 2016

OS ESPINHOS DA VIDA


OS ESPINHOS DA VIDA

"E para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne... Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
(2 Coríntios 12.7-8).



Diferentemente do que prega a Teologia da Prosperidade, todos nós estamos sujeitos ao sofrimento e a dor. O fato é que ninguém gosta de sofrer, nem eu. Não advogo uma vida de sofrimento. Se pudesse viveria sempre sossegado, dormindo numa rede e tomando água de coco. Mas não posso ser utópico. Em algumas igrejas o que se prega é a falsa teologia do “pare de sofrer”. Todos sabemos por experiência própria que na vida, quer queiramos quer não, haverá espinhos. Nem tudo são flores. Cristo nunca prometeu flores sem dores. Ele mesmo disse: “No mundo tereis aflições” (João 16.33).

No entanto, alguns sofrimentos nos causam bem. A dor que achamos ser uma maldição, se formos olhar com outro prisma, veremos que pode ser redundado em bênção. Talvez você se pergunte: Como assim? Será que no sofrimento posso tirar algo valioso para minha vida? 

Deixe-me citar apenas dois fatos importantes:
(1)             Experiências com Deus não implica em ausência de crises. Grandes homens de Deus sofreram muito apesar de serem consagrados, santos e dedicados ao Eterno. Um deles foi o apóstolo Paulo. Jesus disse que Paulo seria para Ele um instrumento escolhido... E eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9.16).

(2)            Às vezes Deus permite que as aflições nos atinjam porque tem um propósito definido. No caso de Paulo, o espinho em sua carne servia para mantê-lo mais humilde: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar” (2Coríntios 12.7).

Não sei qual o propósito do seu sofrimento, mas uma coisa eu sei, Deus não é sádico. Ele não se alegra pelo sofrimento imposto, mas sim, pelo crescimento que o sofrimento pode trazer para os afligidos. Hoje vivemos a alegria “facebookiana”. Quase ninguém posta fotos tristes, angustiado ou chorando. Como se na vida não existissem dores. No entanto, no chão da vida, quem nunca ficou triste, angustiado ou chorou? Mas falar ou postar nossas fraquezas não pega bem. As pessoas querem nos ver (e nós mesmos) como exemplos de seres humanos de uma dimensão superior, alguém que não sofre, que não chora por nada, um vencedor em todas as batalhas.

O apóstolo Paulo, apesar de ser um homem excepcional, era homem sujeito as mesmas angústias e dores como todos nós. Aliás, não sofremos nem dez por cento do que ele sofreu. Basta ler 2Coríntios 11.23-33. Já que a dor é inevitável e o sofrimento é opcional, como disse Carlos Drummond de Andrade, basta-nos aprender as lições que essas dores nos deixam.

O que Paulo aprendeu?
Primeiro, que a dor existe para nos manter mais humildes. Somos soberbos, cheios de nós mesmos, achamos que somos os donos da verdade. Deus vem e nos mostra, através da dor, que não passamos de meros humanos e mortais. É sempre bom saber que somos apenas humanos. O sofrimento expurga o orgulho. Já disse John Vance Cheney: “A alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas”.

Segundo, a dor existe para nos aproximar mais de Deus. O que o apóstolo faz nessa hora? Pede para Deus afastar a dor. Não somos assim também? Pedimos para Deus nos afastar o cálice, a dor, o espinho da carne, mas é através dele que crescemos, que amadurecemos, que nos refugiamos no Altíssimo. Como alguém já disse: Algumas vezes Deus precisa derrubar-nos de costas para que olhemos para cima”.

Terceiro, quando Deus não tira a dor, nos dá Graça para suportarmos. “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” (2Coríntios 12.9-10).

A graça de Deus te basta? A diferença não é ter uma religião, é conhecer a Graça que nos consola. Assim como um pai ensina seu filho através da dor, assim é nosso Pai celestial. No entanto, Ele nos dá a maior Graça para suportarmos. Termino com a frase de J. Blanchard: Dor e sofrimento não são necessariamente sinais da ira de Deus; podem ser exatamente o contrário”.

Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br