quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

ENTÃO, É NATAL?

ENTÃO, É NATAL?



O Natal é uma época mágica. Na infância, ficávamos ansiosos para montar a árvore com os enfeites, bolas coloridas, embrulhar os presentes, ligar o pisca-pisca, enfim, um momento único que eu desejava que durasse para sempre. Isso é o que os filósofos chamam de felicidade: um momento que gostaríamos que durasse eternamente. Falava-se do “espírito” natalino que invadira o coração dos homens. A bondade era a principal nota tocada. Quando pensamos em Natal, as primeiras imagens que chegam a nossa mente é a da árvore de Natal cheia de enfeites com presentes maravilhosos, uma ceia farta esperando para ser religiosamente devorada, e a figura comercial do Papai Noel.
Então, é Natal?
Pensamos na bela decoração, nos belos hinos entoados nas grandes catedrais. Corais impecavelmente ensaiados com vozes perfeitamente divididas (Quando Jesus nasceu teve coral – dos anjos –, miríades do coral celestial, saudando ao Rei dos reis e Senhor dos senhores). Contudo, esse Natal aparente não é o verdadeiro Natal. O personagem principal do verdadeiro Natal não é Noel, ele não é, e nunca foi, o personagem principal do Natal verdadeiro. É Jesus de Nazaré, o único aniversariante que não foi convidado para a sua festa. Sim, porque a palavra Natal significa simplesmente “aniversário”.
O que é, de fato, o Natal? Natal é a encarnação da misericórdia. Aliás, misericórdia vem de duas palavras latinas “misere” e “cordia” (de onde vem a palavra coração) significando o seguinte: ter misericórdia é sentir a miséria do outro em seu coração. Na antiguidade significava o punhal que os cavaleiros traziam do lado direito e com que matavam o adversário derribado, a menos que este pedisse misericórdia. Foi isto que Deus fez em Cristo. Sentiu a nossa miséria em Seu coração, a ponto de enviar Seu próprio filho para morrer por nossos pecados. Pois, ele: “foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5).
Então, é Natal?
Natal é tempo da Graça de Deus derramada em nosso favor na “plenitude dos tempos”. O nosso Salvador, o nosso Redentor, o nosso Senhor nasceu. Hosana no mais alto dos céus. Deus se fez carne e visitou com misericórdia a terríveis pecadores como eu e você. Glória a Deus por isso. É tempo de sentir a miséria dos outros em nossos corações, assim como Jesus, e por isso, o Natal verdadeiro dura o ano inteiro, não é apenas a festa de dezembro.
Então, é Natal?
Natal é tempo de ação. Já dizia a música de Lennon: “Então é Natal, e o que você fez”? Cumpriu suas promessas feitas no começo do ano? Realizou os desejos idealizados no réveillon? O Natal só será Natal, de fato, quando nós, a Igreja do aniversariante, deixar de ser mesquinha e dividir o pão; quando valorizarmos mais as pessoas do que as coisas; quando deixarmos o amor falar mais alto do que o dinheiro; quando o templo do Espírito Santo for mais importante do que o templo de tijolos. Quando formos mais parecidos com Jesus... então, será Natal...
Será Natal, quando o Rei disser: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.
Um fato interessante do natal de Jesus é que não havia lugar para Ele na estalagem, mas, hoje, há lugar para Cristo em teu coração? No teu lar? No teu casamento? Na tua Igreja?
Então... é Natal?


Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br



quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

IGREJAS QUE PERDERAM A ALMA


IGREJAS QUE PERDERAM A ALMA



Estou indignado... Não que me surpreenda com alguma idiotice desse “mundo gospel”, mas soube esses dias que uma igreja neopentecostal estava vendendo água mineral abençoada por algum apóstolo surtado, com a promessa de prosperidade para quem adquirisse o objeto pelo valor mínimo de R$ 100,00. Não é de hoje que bizarrices acontecem em supostas igrejas evangélicas. Infelizmente, as pessoas não sabem separar o joio do trigo.
A troca do dinheiro pelas bênçãos de Deus, praticada na Idade Média, voltou com força total. A venda de indulgências é fichinha diante do que algumas igrejas hodiernas têm praticado. As práticas bizarras vão de venda de objetos “consagrados” a “unções” estranhas e antibíblicas. Penso que se os reformadores, como Lutero, Calvino, Zuínglio e tantos outros, estivessem vivos, já teriam tido um ataque do coração diante de tanta bobagem que é ensinada como se fosse o evangelho de Cristo.
Muitos estão usando o Sagrado para sugar até a última gota o sofrido dinheiro dos fiéis incautos e pessoas sem o mínimo de discernimento bíblico. Que andam em busca das bênçãos de Deus ao invés de buscarem o Deus das bênçãos – cujas bênçãos nem sempre significam prosperidade material. Hoje, as igrejas têm tirado os olhos do céu e os tem colocado na terra. Nos desejos hedonistas e nas necessidades humanas, contrariando o que o apóstolo Paulo ensinou: Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Colossenses 3.1-2).
Outras igrejas, ao invés de pregarem o evangelho puro inventaram coisas que nem na Idade Média se viu. Quando não é o exagero e mau uso dos dons espirituais, são invencionices de pastores megalomaníacos. Coisas como: decretar o que Deus nunca decretou; falsas profecias; atos proféticos supostamente baseados em textos do Antigo Testamento (e que não tem nenhuma base na Igreja Neo-testamentária); crenças em objetos para obtenção de bênçãos; idolatria a déspotas supostamente agraciados por Deus; enfim, a lista é enorme. Você pode estar se perguntando: “o que essas coisas têm a ver com o evangelho”? Respondo: nada! Quem conhece, de fato, o evangelho simples de Jesus sabe muito bem que nem Ele, nem nenhum apóstolo, pregaram tais coisas.
O apóstolo Paulo já advertiu há muito tempo: Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro (1 Timóteo 6:3-5grifo nosso).
Igrejas que se entregaram somente à busca pelas coisas terrenas já perderam sua alma há muito tempo – não no sentido escatológico, mas, existencial. Abandonaram a Graça de Deus e se enfatuaram em suas mentes carnais. Quer um conselho? Leia o Novo Testamento e deixe de ser enganado por homens: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3.19). Lembre-se do que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Portanto, de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8.36).

Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

TRIBUTO ÀS MULHERES




TRIBUTO ÀS MULHERES



No mês de outubro é comemorado em todo o mundo o que ficou conhecido como: “Outubro Rosa”. O laço rosa simboliza a luta contra o câncer de mama e, nesse período, existe uma motivação maior para a conscientização da prevenção dessa terrível doença. Sei que essa doença é terrível. Minha própria mãe a teve, mas conseguiu, pela graça de Deus, se curar. 

Na década de 90 esse movimento foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, Estados Unidos, onde foi dado um laço rosa para que os participantes da primeira corrida pela cura, realizada em Nova York, usassem. Daí, demais cidades como Yuba e Lodi nos Estados Unidos começaram efetivamente a comemorar, espalhando a ideia para o mundo todo. Posteriormente, houve a ideia de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, teatros etc. 

Já em novembro, comemora-se o “Novembro Azul”. Seguindo a mesma linha de conscientização para as mulheres, no mês de novembro a atenção volta-se para a prevenção do câncer de próstata. É sabido que as mulheres se cuidam muito mais do que os homens. Ponto positivo para elas. Nós, homens teimosos, às vezes só procuramos cuidar da saúde quando já estamos doentes. Conheço alguns que nem assim. É preciso serem levados quase à força. Parabéns as mulheres que tem mais “consciência” que os homens. 

Apesar da seriedade do assunto um amigo meu disse-me que já que temos o outubro rosa e o novembro azul, deveríamos oficializar o janeiro vermelho. Ao que perguntei: por que vermelho? Ele me respondeu: por causa das contas que temos que pagar nesse mês. 

Melhor do que falar das contas para pagar é continuar falando das mulheres. Aliás, as mulheres quase sempre estão um passo à frente dos homens. Na literatura elas sempre foram motivo de inspiração. Quem não se lembra da Garota de Ipanema? A eterna letra: “Olha que coisa mais linda/ Mais cheia de graça/ É ela menina/ Que vem e que passa/ Num doce balanço/ A caminho do mar.

Erasmo falou da mulher como sexo frágil. Roberto Carlos nem se fala, quase todas as letras dele exaltam o amor por uma mulher. John Lennon escreveu “Woman”. Elvis Presley cantou: “Girls! Girls! Girls!”. Caetano Veloso declarou: “Você é linda/ Mais que demais/ Você é linda sim/ Onda do mar do amor/ Que bateu em mim.

Já o Ultraje à Rigor eternizou a música: “Eu gosto é de Mulher”, que diz: Vou te contar o que me faz andar/ Se não é por mulher não saio nem do lugar/ Eu já não tento nem disfarçar/ Que tudo que eu me meto é só pra impressionar. Mulher de corpo inteiro/ Não fosse por mulher eu nem era roqueiro/ Mulher que se atrasa, mulher que vai na frente/ Mulher dona-de-casa, mulher pra presidente.

Pensando bem... Para presidente não! Melhor não...



Pr. Antônio Pereira Jr.

(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ESPERA EM DEUS


ESPERA EM DEUS


Muitas vezes, nossa alma parece um ser incompreensível. Ora ela acorda cheia de animação e alegria; ora ela parece abatida, fraca e desanimada. Já se sentiu assim? Sentir-se abatido, hoje em dia, é quase um pecado. Vivemos um triunfalismo dentro das igrejas e as pessoas ficam quase que obrigadas a contar apenas bênçãos e vitórias. Alguém que se sente abatido e fraco logo é repreendido como alguém sem fé ou muito pecador.

No entanto, quando examinamos as Escrituras, verificamos que o abatimento da alma é mais do que natural. Muitos servos de Deus já se sentiram assim. Basta fazer uma leitura superficial na vida de Jó (Jó 3.11); Moisés (Números 11.15); Elias (1 Reis 19.1-18); Jonas (Jonas 4.3); Jeremias (Jeremias 20.1-18); Paulo (At 16.16-40; 2Co 1.3-11) entre tantos. 

E se você conhecer um pouco da História da Igreja ficará impressionado com aquilo que os “grandes” homens de Deus passaram. Já leu sobre a vida de Martinho Lutero, John Bunyan, David Brainerd, John Wesley, Charles H. Spurgeon? Isso só para citar alguns. O que se percebe claramente é que todos eles eram seres humanos que não negavam seus sentimentos e fraquezas. 

Muitos daqueles que vibram alegremente num culto de domingo, parecendo um ser impecável e superpoderoso, se abatem durante a semana na solidão do seu quarto. Ou quando surgem alguns problemas, logo aquela “espiritualidade” toda se esvai como areia entre os dedos. Não é verdade? Lembre-se que você não precisa esconder seus sentimentos nem tentar ser o que não é. Seres humanos normais passam por tristezas, abatimentos, solidão, angústias, ansiedades e depressões. 

Dou graças a Deus por Jesus que não escondia seus sentimentos e angústias. Em sua humanidade, ele foi homem como qualquer um de nós. E não tinha vergonha ou medo de falar o que estava realmente sentindo: “Então, lhe disse: a minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mateus 26.38). Quem esconde seus sentimentos são os religiosos e fariseus. Aqueles que querem parecer diante dos outros o que não se é diante do Eterno: "...pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. Ai de vós..." (Mateus 23.27-32).

O que fazer então quando nossa alma parece sem forças? Lembre-se do conselho do salmista: fale com sua alma (Salmo 42.5). Ele diz: “Por que estás assim tão abatida, ó minha alma? Por que te angustias dentro de mim?”. Vez por outra é preciso conversar consigo mesmo. Sua alma precisa ouvir de você alguns conselhos. Não sei o que sua alma precisa ouvir, talvez seja: “Toma juízo!”; ou “Tá na hora de deixar esse sentimento de comiseração”. O do salmista foi: “Espera... pois ainda o louvarei por seu livramento”.

Deposita tua esperança em Deus. Diga pra sua alma: “bola pra frente!”. Outras histórias serão contadas. Novas experiências e vitórias chegarão. Ou nas palavras do apóstolo Pedro: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5.7).



Pr. Antônio Pereira Jr.

oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

EM TEMPOS DE CRISE...


EM TEMPOS DE CRISE...


A nação está em crise. Isso não é nenhuma novidade. Todos os dias escutamos pelos meios de comunicação que o cinto vai apertar – mais ainda. Sobe o preço da gasolina e consequentemente de quase tudo. Impostos e mais impostos são colocados indiscriminadamente sobre nós, pequenos jumentos de carga (tributária). O salário a cada mês fica mais subnutrido. Para a maioria dos brasileiros ele já se parece com uma criança desnutrida numa Etiópia africana na pior seca da história.

Dilma e seus colegas de trabalho não tem pena de nós, povo brasileiro. Por que haveria de ter? Para eles os salários são reis momos. O que esperamos é que se cumpra em nós o sonho da faraônica presidenta: sete anos de escassez depois de sete anos de bonança. Ou basta-nos esperar para ver se o mar vai se abrir de novo e engolir os devoradores do sossego social brasileiro.

O Brasil já passou diversos períodos de dificuldades. Nada é novo debaixo do sol. O que parece é que nós, simples cidadãos, não aprendemos as lições. O que muitos se perguntam é: o que fazer em tempos de crise? O profeta Habacuque enfrentou uma situação terrível em sua nação. Ele testemunhou a transição do domínio Assírio, dos caldeus, para o domínio Persa, babilônico. São tempos de opressão, injustiça, violência e dor – não estou falando do Brasil, qualquer semelhança é mera coincidência.

O profeta busca a Deus para saber o que fazer. Sua conclusão é que apesar das lutas que iria enfrentar, ele sempre poderia confiar no Soberano.  E dizer: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja uvas nas videiras; mesmo falhando toda a safra de olivas, e as lavouras não produzam mantimento; as ovelhas sejam sequestradas do aprisco, e o gado morra nos currais, eu, todavia, me alegrarei no SENHOR, e exultarei no Deus da minha salvação!” (Habacuque 3.17-18). Nossa confiança não está em Dilma, nem no próximo presidente, nem em homem algum. Mas em Deus que tem cuidado de nós, mesmo quando não vemos isso claramente.

Vi uma postagem na internet que dizia: em tempos de crise tire o “s”. Eu gostei. Concordo plenamente. Muitas vezes o problema não está no momento. Não adianta ficar murmurando. Reclamando de tudo e de todos. Esperando a próxima eleição para cometer os mesmos erros. É hora de criar. Enxergar além das nuvens negras sobre nossas cabeças, famílias, igrejas, empresas, etc.

Conta-se uma história que dizia mais ou menos assim: em uma empresa de sapatos foi dado uma missão para dois vendedores. Eles tinham que ir numa região aonde soubesse que ninguém usava calçados de nenhum tipo. O primeiro foi sondar o lugar e tempos depois o segundo fez a mesma coisa. Na hora de prestar relatório ao gerente o primeiro disse:

– A região é pobre. Ninguém realmente usa sapatos, sandálias, etc. Se colocarmos uma loja lá teremos prejuízo. Já faz parte da cultura deles andarem descalços. Para tirar isso da cabeça deles é uma tarefa impossível. Não aconselho fazer tal investimento. Será um erro irrecuperável. Essa é a minha opinião.

Já o segundo vendedor disse o seguinte:

– A região é pobre, mas se gasta dinheiro com as necessidades imediatas. Lá, realmente, ninguém usa sapatos. Mas, se investirmos na divulgação, eles irão perceber que usar calçados irá diminuir as doenças, fazer com que eles se sintam incluídos na sociedade moderna, e com isso melhorará a autoestima deles. Vamos antes que alguém tenha a ideia de ir.

Qual dos dois vendedores você ouviria?



Antônio Pereira Jr.

oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

QUE TIPO DE SOLO VOCÊ É?


QUE TIPO DE SOLO VOCÊ É?



“Tudo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7). A lei da semeadura é inexorável – gostou da palavra? Sempre colheremos aquilo que plantarmos. Deus nos dá a capacidade de escolher a semente, mas não o poder de mudar o que se colhe. Acontece todo o tempo. Conheço muitas pessoas que jogam ao seu redor as mais variadas sementes. Indiscriminadamente! Sem cuidado, sem preocupação. Sementes do mal. Daí, querem no fim de tudo colher o bem. 

A vida é uma eterna semeadura. Semeamos o tempo todo. Em casa com o cônjuge; com os filhos; no trabalho com os colegas; na escola... Tudo depende da sua decisão de saber o que semear. Semeie, semeie e semeie... Nunca pare de semear, mas tenha muito cuidado com a semente que escolher. Ou, como diz um provérbio chinês: “Podemos escolher o que plantar, mas somos obrigados a colher o que semeamos”. Se costumas reclamar que o terreno não é bom, que o clima não é favorável, que não é o tempo certo, que a semente pode não germinar, nunca semearás. Sua missão não é fazer germinar, é simplesmente semear... A tempo e fora de tempo! 

Eclesiastes 11.6 nos diz: “Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas”. As Palavras de Cora Coralina são inspiradoras: “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade”.

Qual o tipo de semente é melhor? Existem sementes e sementes... Depende do objetivo, do tempo e de diversos fatores para a escolha certa da semente – isso no campo da agricultura. Na vida, no entanto, só existe uma semente que produz vida. A boa notícia é que a melhor semente já foi conhecida: a Palavra de Deus.

Jesus fala na parábola do semeador algo tremendo. Ele diz que a semente é a Palavra de Deus (Lucas 8.11). A semente é a mesma, os solos é que mudam. Existem vários tipos de solo: o da beira do caminho onde as sementes são facilmente capturadas pelas aves, pois o solo é duro, empedernido. O solo cheio de pedregais, onde não havia terra suficiente (quantos corações são assim?); neste a semente até germinou, mas, como não tinha terra profunda e devido ao forte calor do sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. A outra caiu numa terra cheia de espinhos, e estes cresceram e sufocaram as sementes (conhece gente assim?); outra, no entanto, caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta – é você uma boa terra?

A Palavra de Deus é que faz gerar vida. O universo foi criado e é mantido pela Palavra de Deus (Hebreus 11.3; 1.3). E a palavra do Evangelho nos livra e liberta (Romanos 1.18; 1 Coríntios 1.21). Permita-me dar um conselho: leia o Novo Testamento, nem que seja dez minutos por dia. Ele começa com a história de Jesus e prossegue com ensinamentos riquíssimos, nas epístolas. Não seja um religioso apenas, conheça a verdade na íntegra, “in loco”. Nada melhor do que abrir a Palavra e deixar ela falar ao coração. É um livro vivo... Descubra! 

Todos estão no mesmo planeta, no mesmo solo chamado vida. Faça o bem e receberá o equivalente. Se não for dos homens, será de Deus. Portanto, lembre-se do que disse também G. Hebert, poeta e orador inglês: “Quem caminha descalço não deve semear espinhos”. Semeie flores e não dores. Por fim, a pergunta crucial que se pode fazer é a seguinte: que tipo de solo você quer ser? 



Pr. Antônio Pereira Jr.

E-mail: oapologista@yahoo.com.br

Obs: Texto baseado no capítulo do meu livro: “Tudo tem um tempo determinado”.

domingo, 23 de agosto de 2015

AVIVAMENTO OU AVILTAMENTO?




 AVIVAMENTO OU AVILTAMENTO?


Estas duas palavras são parecidas, porém, divergentes. Temos visto que, na igreja hodierna, elas misturam-se na mente do povo de Deus. Infelizmente, muitos não conseguem distinguir uma da outra. Deixe-me dar a definição de ambas.

John Stott define avivamento ou reavivamento como: “... uma visitação inteiramente sobrenatural do Espírito soberano de Deus, pela qual uma comunidade inteira toma consciência de Sua santa presença e é surpreendida por ela. Os inconversos se convencem do pecado, arrependem-se e clamam a Deus por misericórdia, geralmente em números enormes e sem qualquer intervenção humana. Os desviados são restaurados. Os indecisos são revigorados. E todo o povo de Deus, inundado de um profundo senso de majestade divina, manifesta em suas vidas o multifacetado fruto do Espírito, dedicando-se às boas obras” (A verdade do Evangelho, p. 119).

Creio que Deus pode, e frequentemente o faz, operar um grande reavivamento em nossos dias para reavivar a igreja que está dia-a-dia descendo ladeira abaixo empurrada pelo vento do modernismo, da falta de firmeza doutrinária, da escassez de uma santidade impactuante e não legalista. E que isso, na realidade, é necessário e urgente. A igreja precisa de reavivamento e reforma doutrinária. Não obstante, muito do que se vê por ai não passa de descarado aviltamento.

Já a palavra “aviltamento” significa: vileza, desonra, ignomínia, descrédito, vergonha. A maioria dos “avivamentos” que existem por ai não passa de aviltamento. Verdadeira vergonha de um pseudo-evangelho, uma pseudo-salvação. Verdadeira infâmia contra a santidade de nosso Deus maravilhoso.

Vários períodos da história da Igreja pós-apostólica foram marcados por reavivamentos maravilhosos, onde Deus usou soberanamente homens falíveis para uma proclamação das verdades de um Deus infalível. Por exemplo: A Reforma Protestante (John Wycliffe, Lutero, Calvino, Knox), Reavivamento Morávio (conde Zinzendorf), o Grande Reavivamento do séc. XVIII (John Wesley, Charles Wesley e Jorge Whitefield), Reavivamento Americano de 1725 e 1760 (Teodoro Fredinghuysen e Jônatas Edwards), só para citar alguns.

Todos os despertamentos históricos foram marcados em contraposição por desvios e abusos que tentaram passar por avivamento, mas que nada mais eram que aviltamento. Gostaria de falar, em breves palavras, sobre o que NÃO é reavivamento espiritual:

1. Reavivamento não é simplesmente agendar programações, promover campanha evangelística, retiros, etc. O Espírito Santo de Deus age como Ele quer e não segundo as nossas concepções e agendamentos humanos. “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai...” (João 3:8 a).

2. Reavivamento não é assistir “Louvorzão”. Realizar encontros de jovens e reuniões de avivamento. Não é animação no culto. Participar de uma “coreografia santa” não é reavivamento. Pessoas podem dar amém na hora certa, levantar as mãos para o céu, chorar, cair, mas essas coisas não querem dizer que haja verdadeiramente um mover do Espírito.

3. Reavivamento não é linguajar religioso. “Tome posse da bênção”; “Eu decreto”; “Ta amarrado”. São essas as frases, dentre tantas outras, que os cristãos brasileiros estão usando como mantras espirituais dentro das igrejas. O linguajar tem que ser este. Quem não anda por essa cartilha é taxado de cru. Isto é inconcebível.

4. Reavivamento não é praticar um “pentecostalismo descompromissado”. Em Mt 7. 22 – 23 está uma advertência séria com relação a práticas tão populares hoje. Veja o texto: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. Veja que “igreja” maravilhosa. Existia profecia: “não profetizamos nós em teu nome?”. Existia exorcismo: “não expulsamos demônios?”. Existiam curas e milagres: “não fizemos muitas maravilhas?”. Contudo, Deus os reprovou! A advertência é séria: “Nunca vos conheci”. Em outras palavras: “Vocês não são dos meus”. O problema é que essas pessoas irão descobrir isso muito tarde. Espero que você não seja uma delas.

5. Reavivamento não é mudar os costumes. – Mt 23. O próprio texto de Mateus 23 é contundente. Fala por si. “Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado”. (v. 1-12). Conheço várias pessoas que poderiam encaixar-se perfeitamente nessas advertências. Lembrem-se: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”

6. Reavivamento não é mudar de teologia. As pessoas mudam de doutrinas como se muda de roupa. Não existem raízes. São como uma folha seca levada pelo vento. Basta surgir um propagador de bênçãos e ele estará lá. Não se questiona nada, o importante é sentir. Chamo isso de “sensitividade herética”. Charles Spurgeon já advertia a igreja a mais de cem anos atrás: “As pessoas dirão: ‘Gostamos desta forma de doutrina e gostamos também da outra’. Mas o fato é este: eles gostariam de qualquer coisa, desde que um enganador esperto lhes apresentasse isso de uma maneira aceitável. Eles admiram Moisés e Arão, mas não diriam uma palavra contra Janes e Jambres. Não devemos ser cúmplices daqueles que visam criar esta mentalidade. Temos de pregar o evangelho de modo tão distinto que o nosso povo saiba aquilo que estamos pregando. ‘Se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?’ (1Co 14.8). Tenho ouvido dizer que uma raposa, que é perseguida muito de perto pelos cães, finge ser um deles e corre com eles. É isso que alguns estão desejando agora: que as raposas pareçam cães. Existem pregadores dos quais é difícil dizer se são cães ou raposas; contudo os homens não podem ter dúvidas sobre as coisas que ensinamos ou cremos”. – Charles Spurgeon. (1834 – 1892)

Spurgeon também dizia: “Nada há de novo na teologia. Exceto o que é errado”. Ou seja, a teologia bíblica é aquela pregada por Paulo, Pedro, João etc. São as “velhas doutrinas” que fazem bem a alma e salva o pecador.

7. Reavivamento não é algazarra eclesiástica. O que temos visto em muitos arraiais não passa de algazarra eclesiástica. Há muito pulo, gritos, meneios, mas pouca santidade prática. Pouco compromisso com a obra de Deus. Quase nenhuma intenção de evangelizar os povos que ainda não ouviram o evangelho de Cristo. Ninguém quer sair de suas cadeiras confortáveis para lugares inóspitos.

Isso me lembra uma velha fábula: “Era uma vez quatro pessoas que se chamavam "Todomundo", "Alguém", "Qualquerum" e "Ninguém". Havia um importante trabalho a ser feito e "Todomundo" acreditava que "Alguém" iria executá-lo. "Qualquerum" poderia fazê-lo, mas "Ninguém" o fez. "Alguém" ficou aborrecido com isso, porque entendia que sua execução era de responsabilidade de "Todomundo". "Todomundo" pensou que "Qualquerum" poderia executá-lo, mas "Ninguém" imaginou que "Todomundo" não o faria. No final da história; "Todomundo" culpou "Alguém" quando “Ninguém", fez o que "Qualquerum" poderia ter feito”. Pense nisso quando tiveres que fazer algo na Obra de Deus.

8. Reavivamento não é crescimento do número de membros. Penso que um dos maiores problemas da igreja nesses últimos tempos é o inchamento de livros de registro de membros. Pelo simples fato de que, na grande maioria das vezes, colocam-se pessoas no rol de membros da Igreja local, quando ela não pertence à Igreja Universal de Cristo. Hoje, mais do que nunca, as igrejas estão cheias de pessoas não convertidas, o que gera uma igreja cancerosa, morta, inoperante. Que Deus tenha misericórdia de nós.

AFINAL, O QUE CARACTERIZA O VERDADEIRO REAVIVAMENTO?

Algumas marcas podem ser detectadas nos verdadeiros reavivamentos trazidos por Deus através da história. Além das características que John Stott nos apresenta em sua definição acima, gostaria de traçar alguns breves e limitados pontos no que concerne ao verdadeiro reavivamento:

1) O verdadeiro reavivamento traz toda honra a Deus. A figura humana não aparece, Deus é que é admirado. Os holofotes estão em Deus, em Sua pessoa, Seu caráter, Sua santidade, Seu poder, Sua honra e Sua glória. O arbítrio humano dá lugar à soberania divina. O homem reconhece que não passa de “um caco de barro no meio de outros cacos” – Isaías 45:9

Edwards disse que: “nenhum avivamento ou experiência religiosa é genuína se não realçar esse Deus sublime em sua soberania, graça e amor”. Ele advertiu contra dois grandes erros no avivamento. Primeiro, o mero emocionalismo. Segundo é dar ênfase não a Deus, mas às respostas humanas. O reavivamento que não se preocupa com a glória suprema de Deus não é reavivamento é aviltamento.

Alguns líderes quando estão falando de Deus, geralmente procuram incutir na mente das pessoas aquilo que Deus jamais diria. Eles dizem: “Deus vai fazer isso amanhã”; “No próximo culto Deus vai operar e vai batizar, curar, etc”; “Vamos fazer uma semana de reavivamento e vocês irão ver Deus fazendo maravilhas”.

Não estou dizendo que Deus não pode fazer, Ele faz o que quiser e não pede licença ao homem. O que estou dizendo é que Deus não trabalha de acordo com a agenda humana. Lamento informar, mas Deus não nos deu a Sua agenda de amanhã, muito menos da semana que vem.

2) O verdadeiro reavivamento expõe as verdades antigas do evangelho. Avivamento sem retorno às verdades da Palavra de Deus não passa de aviltamento. Charles Spurgeon certa vez disse o seguinte: “Nada há de novo na teologia, exceto o que é errado”. Não há avivamento sem o desejo por entender e estudas a Palavra.

3) O verdadeiro reavivamento leva os cristãos à profunda santidade. Consequentemente a Igreja cresce em quantidade e qualidade. A primeira não fica em detrimento a segunda. É verdadeira mudança no comportamento.

4) O verdadeiro reavivamento traz abertura, convicção, quebrantamento, confissão e arrependimento do pecado. É descoberta toda podridão do coração depravado do homem, ele sente a nojeira do pecado e é levado a refugiar-se na graça de Cristo.

Grande parte dos cristãos de hoje não sabem nada sobre o pesar do coração em contrição à santidade de Deus. Os puritanos falavam de “agonizar

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. Salmo” – 139:23,24.

5) O verdadeiro reavivamento traz uma nova vida à ação missionária da Igreja. Reacende a chama por missões. O amor ao perdido é reanimado pela ação irresistível do Espírito Santo. Traz mudança na sociedade em que a Igreja está inserida.

Amados, tenhamos cuidado para não querermos “produzir reavivamento” no intuito de agradar aos homens, granjear ovações e considerações que não servem para nada, senão, para acariciamento do ego e inchamento da nossa natureza carnal. Lembrem-se: “... uma visitação inteiramente sobrenatural do Espírito soberano de Deus”.

Nenhum homem pode “produzir” reavivamento. Todo “reavivamento” produzido pelo homem é, sem sombra de dúvidas, aviltamento. Espero que você tenha sido abençoado por estas breves considerações.

Vigiemos para que nosso “avivamento” não se torne em aviltamento a Deus, a quem devemos dar toda honra, toda glória e todo louvor. Como nos diria João Batista: “Importa que Ele cresça e que eu diminua” – João 3:30


Clamemos como o salmista: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” – Salmo 85.6.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ENQUANTO HOUVER SOL...


ENQUANTO HOUVER SOL...


O evangelista Marcos registra um momento ímpar na vida de Jesus: “E compartilhou com eles: ‘Minha alma está extremamente triste até à morte; ficai pois aqui e vigiai’” (Marcos 14.34 – KJV). Cristo, nosso Senhor, nesse momento, teve um dia de trevas, uma noite escura da alma, um momento de abandono e angústia. Já teve um dia assim? Quem nunca teve não é? Noites escuras podem durar dias, meses ou até anos.

Em momentos como esse parece que nosso mundo interior vai desabar. Não conseguimos enxergar soluções em meios a tantos problemas e dores. Aqueles que deveriam estar do nosso lado ficam em estado de letargia, assim como os discípulos fizeram com o Mestre (Marcos 14.37). Os que nunca imaginamos que nos dariam às costas são os primeiros a nos decepcionar. Ou nas palavras de Augustos dos Anjos: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.  

Nessas horas, o coração fica apertado e as lágrimas são nossas companheiras constantes. Muitos salmistas sabiam o que era isso. Tristeza sobre tristeza, angústias sobre angústias e a esperança de dias melhores parece algo distante e utópico. Muitos, em dias de trevas, não conseguem enxergar nenhuma luz. Os sentimentos se confundem e entra-se em um estado de comiseração, ou então em depressão, ou procura-se culpados, ou sente-se a própria encarnação da culpa. A única coisa que enxerga-se é o momento.

Esquecem-se de que toda noite escura precede um dia claro. Não é por que você está numa noite escura em sua vida que o sol vai deixar de brilhar. Não se ache a pessoa mais magoada do mundo. Nem você, nem eu temos o poder de parar os dias para que todos possam contemplar o quanto somos vítimas das circunstâncias. Sei que é difícil, eu já passei várias noites escuras. Mas como nasci em Esperança sou esperancense e esperançoso por natureza. Esperança é saber que tudo passa: as noites escuras, as de tempestades. E que Deus sempre tem verões depois dos invernos da alma.

Tenha esperança do verbo esperançar, como dizia Paulo Freire. Esperança do verbo esperar dá a ideia de ficar estático, deprimido, sem ação alguma, esperando que algo vá acontecer por si só. A dor vai passar... ele ou ela vai voltar... vou conseguir pagar tal dívida... a doença vai embora sem que precise tomar algum remédio ou se procure ajuda. No entanto, “esperançar” é diferente. É fazer sua parte confiando que Deus está do seu lado e cuida de você. Aquele que disse: “... a minha alma está angustiada até a morte”, também pôde dizer depois da noite escura: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo...” (Atos 1.8). Percebe? Só haverá poder pra você depois que enfrentar sua noite escura, assim como Cristo o fez.

Não sei qual a sua noite escura, mas sei de uma coisa, noites escuras fazem parte da existência humana. No entanto, a Palavra diz: “entrega a Ele toda sua ansiedade porque Ele tem cuidado de você” (1Pedro 5.7). Enquanto houver sol sempre haverá esperança de dias de alegria e felicidade. Mesmo quando não se vê o sol brilhar por causa das nuvens negras que sobrevoam nossas cabeças, o sol continua ali. Não fique isolado em sua solidão existencial, olhe para o sol que teima em brilhar a cada dia, só pra você não se esquecer de uma coisa: o Deus que criou o sol é o mesmo que criou você. Se o sol continua dando seu brilho, você também brilhará...



Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A ARTE DE SER RESILIENTE...



A arte de ser resiliente…


Algumas palavras são difíceis de entender. Vez por outra precisamos procurar num bom dicionário o significado de algumas delas, pois, afinal, quase todas as boas definições estão lá – algumas não tão boas, mas pelo menos é um começo. Alguns chamam-no de pai dos burros. Nada mais irreal. O dicionário é o pai dos inteligentes, dos curiosos, daqueles que querem aprender e tirar as suas dúvidas, daqueles que não se conformam em não saber.
Uma das palavras que lembrei esses dias foi resiliência. Se alguém lhe perguntasse se você é resiliente o que diria? Sem olhar o dicionário, por favor… Resiliente não é uma palavra que usamos com frequência. Embora a vivamos quase todos os dias. Tudo bem, vou poupar seu tempo, vou lhe dá a definição que encontrei. O dicionário Michaelis define resiliência como: 1. Ato de retorno de mola; elasticidade. 2. Ato de recuar (arma de fogo); coice. 3. Poder de recuperação. 4. Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico. Resiliência significa voltar ao estado normal, é um termo oriundo do latim “resiliens”. Possuindo vários significados para a área da psicologia, administração, ecologia e física.
Resiliência é a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum. Em Inglês se acrescenta o sentido de “capacidade de recuperação após um golpe”. Resumindo, pode ser: a capacidade de superar, principalmente alguma adversidade.
Podemos dizer que ser resiliente poderia significar simplesmente não deixar a bola cair. Quantos problemas, lutas, decepções, ansiedades, medos, tribulações, tempestades passamos na vida? Ser resiliente é uma arte que só se aprende depois de muitas idas e vindas da existência humana. Cada momento de dificuldade é uma oportunidade de dar a volta por cima. Como dizia uma música interpretada pelo mineiro Mário Sousa Marques Filho, mais conhecido como Noite Ilustrada: “Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dar a volta por cima”.
O apóstolo Paulo foi muito resiliente durante toda sua vida. Ele passou inúmeras dificuldades e situações desesperadoras (2Coríntios 11). No entanto, ele disse certa vez:“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado (a maturidade), mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13-1).
Entendeu o que Paulo nos ensina? Você pode não ser perfeito, errar muitas vezes, mas o segredo é não ficar preso ao passado, imaginando como seria se tivesse tomado outra decisão. Se não tivesse dito aquilo. Se não tivesse desperdiçado a oportunidade. Se não tivesse perdido tanto tempo… Não viva de “se”… O passado já passou. Não há como mudá-lo, mas é possível fazer um amanhã melhor. Levante, sacode a poeira, dê a volta por cima. Difícil? Claro que é, nem tudo na vida é fácil. Mas a decisão de ficar sentado se lamuriando ou levantar-se e seguir em frente é sua e de mais ninguém.
Então, você é resiliente?

Pr. Antônio Pereira Jr.
(1ª Igreja Congregacional em Guarabira – PB).
E-mail: oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

SOMOS TODOS FEITOS DE BARRO...



SOMOS TODOS FEITOS DE BARRO


Muita gente tem uma ideia errada da humanidade de Jesus. Acham que ele era um tipo de super-homem. Alguém que não podia sentir dores, cansaços, tristezas, angústias, indignações e aflições. Nada mais diferente do que vemos nas páginas do Novo Testamento (Mc 10.14; Jo 11.35; Mt 26.37-38). Pior ainda é o erro que se tem da sua própria humanidade. Muitos cristãos advogam um triunfalismo exagerado onde a dor, decepções, angústias, crises e problemas não podem acontecer em hipótese alguma.

Em alguns lugares não se pode falar de fraquezas e fragilidades inerentes da condição humana. Só se pode falar de bênçãos e vitórias, como se isso fosse a regra e não a exceção. Jesus, no entanto, não fingia sentimentos, Ele disse em certa ocasião: “...A minha alma está sofrendo dor extre­ma, uma tristeza mortal. Permanecei aqui e vigiai junto a mim” (Mt 26.38 – KJV). Será que quando alguém lhe pergunta como está você já disse algo parecido?

Cristãos que vivem de triunfalismos de domingo à noite não conhece de fato o Evangelho de Cristo. Essa espiritualidade dominical que não se sustenta no dia seguinte gera frustrações, tristezas e angústias que, muitas vezes, têm que ser abafadas e ignoradas na solidão de seu quarto até o fim de semana seguinte. Não precisamos fingir que somos sempre fortes. Cristo não o fez. E por que fazemos?

Hoje parece até pecado falar das fraquezas, como assim fazia o apóstolo Paulo, que entendia que a Graça de Deus se aperfeiçoa nas fraquezas inerentes do ser (2Co 12:7-10). Ou como numa música de Anderson Freire, cantada por Bruna Karla: “Sou humano, não consigo ser perfeito...” Graças a Deus que somos humanos, feitos de barro, apesar de que muitos se consideram de ouro. “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós mesmos” (2Co 4.7). Somos todos feitos de barro...

O que dizer dos líderes cristãos de hoje? Muitos tentam ser o que, de fato, não são. Alguns se acham superpoderosos, perfeitos, acima da humanidade. Não aceitam sua própria condição humana. Acham-se blindados, invulneráveis. Alguns acham que nem adoecer podem...

Muitos que advogam uma condição sobre-humana, irrealizável e impossível, vivem com a alma cheia de culpa, medo e dúvidas, simplesmente por negar aquilo que é óbvio: somos seres humanos, sujeitos a tudo debaixo do sol. Lembre-se do que disse o próprio Jesus: “...Neste mundo tereis aflições” (João 16.33b). É um fato! Contudo, Ele continua: “Mas, tendes bom ânimo!”. Aflições, tribulações, problemas, sempre virão. Mas podemos suportá-los porque: “...não temos um sumo sacerdote que não seja capaz de compadecer-se das nossas fraquezas...” (Hb 4.15).

É uma desgraça ser, ou querer ser, um super-herói. Bom mesmo é reconhecer suas limitações, imperfeições e fraquezas. O apóstolo Paulo entendeu isso muito bem. Ele não queria ser visto como alguém inviolável, perfeito em todas as coisas, um ser sobre-humano, um superapóstolo, como alguns hoje se julgam (2Co 12.6, 10). Textos como esse nunca serão pregados em muitos púlpitos modernos. Sentir-se fraco não traz ibope hoje em dia. Paulo, entretanto, sabia que: “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (2Co 10.17). Infelizmente muitos gostam de ser adorados...

Se o próprio Cristo não negou nem fingiu sua humanidade, devemos fazer diferente? Somos melhores que Ele? Como nos lembra o filósofo Mário Sérgio Cortella: “A maior vulnerabilidade é sentir-se invulnerável”. Ou como disse Freud: “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.


Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

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sexta-feira, 10 de julho de 2015

SE DEUS EXISTE POR QUE DEIXOU MEU FILHO MORRER?



SE DEUS EXISTE POR QUE DEIXOU MEU FILHO MORRER?


“É uma tristeza muito grande. Será que Deus existe? Todos os dias faço uma oração pedindo que Deus acompanhe ele nas viagens. Entro no carro ou no avião e faço uma oração. Eu não estava com ele ontem? Será que Deus existe?”. Essa frase foi dita por José Reis de Araújo, pai do cantor Cristiano Araújo, de 29 anos, morto no acidente de carro na BR-153, em Goiás. Todos ficaram conhecendo o trágico acidente de carro que vitimou o cantor e sua namorada Allana Moraes, de 19 anos.

Quando algo trágico acontece, como a perda de um filho, às vezes nos perguntamos: "Por quê?". Mas o que realmente está em nossos corações é: "Por que eu, Deus?". Na realidade o que se pensa é mais ou menos o seguinte: “Com tanta gente ruim por que Deus levou meu filho?”. Quando Deus permite que tragédias nos atinjam, frequentemente ficamos com “raiva” de Deus. Claro que quando acontece com os outros parece que está tudo bem. Mas quando é com a gente parece que Ele perdeu o controle e não nos ama como disse, ou deixou de ser soberano. 

A Bíblia fala de homens de bem, pessoas que Deus amou, que passaram por tragédias inimagináveis. Um deles foi Jó. Ele em um só dia perdeu todos os bens que possuía, além dos dez filhos que tinha (Jó 1.18-19). Já imaginou isso, numa mesma hora saber que todos os filhos morreram? No entanto, ao invés de reclamar ou ficar com raiva de Deus, ele se humilha e diz algo tremendo: “Nu deixei o ventre de minha mãe, e nu partirei da terra. O Senhor deu, o Senhor o tomou; louvado seja o Nome do Senhor” (Jó 1.21). Claro que doeu, claro que ele ficou triste, mas não é porque estamos em trevas que a luz deixa de existir.

Nesses momentos, ficamos procurando culpados. Um bode expiatório para poder apaziguar um pouco a dor. Será que foi culpa de Deus o cantor não está usando cinto de segurança? Será que foi culpa de Deus o carro não está com os pneus originais? Ou será culpa dEle o carro estar acima da velocidade? Onde estava Deus que não impediu esta tragédia? Nenhuma resposta poderá apagar a dor da saudade.

Ver um filho morrer? Deus sabe o que é isso. Ele também perdeu um filho. O homem mais importante da história morreu de forma violentíssima. E não foi para que ele se tornasse famoso ou rico. O Filho de Deus morreu pelos pecadores e indignos, como eu e você. Se alguém sabe o que é entregar um filho para enfrentar uma morte terrível, este é Deus. Conhecemos a Deus, muitas vezes, na hora da dor. E nos momentos de dor intensa, só Ele poderá nos consolar.

Em vez de estar zangado com Deus, devemos derramar nossos corações nEle em oração e então confiar que o Senhor está no controle e que Seu plano é perfeito, mesmo não entendendo. Como disse o missionário Ronaldo Lidório: “Deus está no controle dos momentos incontroláveis de nossas vidas”. Podemos continua crendo na vontade desse Deus soberano. 

João Guimarães Rosa, no livro “Grande Sertão: veredas”, já disse que: “Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo”. Em outras palavras: “Viver é correr o risco da tragédia”. As tragédias nos lembram que não estamos no comando como erradamente pensamos. Que não somos tão autossuficientes como gostaríamos de ser. Milhares morrem todos os dias. Na vida nem tudo são flores (Jó 5.7; 14.1). Quantos pais perderam seus filhos hoje? A morte é uma realidade para todos. 



Antônio Pereira Jr.
oapologista@yahoo.com.br

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
(Somente a Deus damos a glória agora e sempre)